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O telejornalismo ainda é o principal veículo para se informar?

A televisão, presente em quase todas as residências da população, foi e é utilizada por décadas para o entretenimento, assim como citada em muitas pesquisas, como principal meio para se manter informado sobre o cotidiano de forma local, nacional e mundial.

Podemos ilustrar essa informação com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 – Hábitos de Consumo de Mídia pela População Brasileira. Nela, quase 90% dos brasileiros afirmaram que se informavam pela televisão sobre os acontecimentos do país, e 63% tinham o veículo como principal meio de informação.

Cada vez mais frequente, ouvimos que pessoas estão parando de acompanhar telejornais por serem parciais, puxarem para um viés político ou porque a internet informa melhor. Mas será mesmo que até durante fatos históricos, que modificam radicalmente a vida e visão da população, as pessoas abandonam o meio mais usual de informar?

Para a repórter e apresentadora de telejornal Thamires Clair esta não é uma realidade futura. “Os meios de comunicação se adequam, assim como o rádio hoje como podcast, por exemplo. Talvez eles migrem para um formato mais digital. Acredito que a televisão também vai se adequar, mas continuará existindo da forma tradicional, pode ser com um público menor ou diferente, mas não vai deixar de existir e vai ter o seu valor por muitos anos”, afirma Thamires.

Quanto a imparcialidade, para a jornalista é importante que os meios de comunicação se posicionem, mas sem deixar de fazer o trabalho básico, que é reportar os fatos, assim como também necessita que a população entenda como funcionam os veículos de informação e seus interesses.

“A gente aprende na faculdade que imparcialidade é um mito. A maior parte da imprensa quer parecer imparcial, o que não existe. O que precisa fazer é contar fatos e quando se posicionar deixar claro porque está se posicionando. O problema também é que algumas pessoas não gostam dos fatos e acham que quem conta melhor é a tia da família ou o WhatsApp.” comenta a jornalista.

Telejornalismo em meio a era virtual

Até a internet, com suas redes sociais e portais de notícia postando informações com pouco intervalo de tempo, não foi párea para o ainda tradicional veículo mais popular de notícias até durante a pandemia de Covid-19. É o que afirma a pesquisa realizada pela DataFolha e Folha de São Paulo, em abril de 2020.

Com 81% de menções espontâneas, a TV foi citada como meio mais confiável para se informar sobre a pandemia. As redes sociais como YouTube, Instagram e Twitter ficaram com 29%, sites de notícias com 28%, internet em geral com 11%, WhatsApp com 11%, rádio, com 9%, parentes e amigos, com 6% e jornais impressos com 5%.

Ao imaginar que a televisão poderia ser tomada pela internet no gosto popular das pessoas e até perder espaço para o meio digital, Clair afirma que, para ela, a internet não prejudica quando se trata de passar algumas informações.

“São essas primeiras informações que dão corpo para a notícia. Os outros meios ainda são necessários porque cada veículo possui um tempo de apuração. Para quem leva o jornalismo com credibilidade, há um peso diferente dependendo de onde está vendo a notícia: se passar na televisão, tem um peso maior do que se tivesse visto no twitter”, conta.

A apresentadora também lembra a necessidade de uma educação digital para as novas e atuais gerações. “É necessário ter a malícia e educação digital de saber onde ler as primeiras notícias na internet. Talvez até passar nas escolas para se ter responsabilidade de saber identificar quando a notícia tem um fundo de verdade ou é apenas sensacionalista”, afirma Clair.

Outro ponto necessário é o fato de que a televisão é o meio mais acessível para quem não possui conexão com a internet. Só no Brasil, 40 milhões de pessoas não possuem acesso à internet em casa, ou seja, a TV é uma forma de se manter informado sobre acontecimentos regionais, nacionais e mundiais, cobrando a devida responsabilidade das autoridades locais.

O jornalismo televisivo durante a pandemia

Para o telejornalismo, assim como para os demais meios de informação, foi necessário se reinventar para noticiar o que envolvia a pandemia. A linguagem, as fotos, a apresentação e os fatos precisaram ser remodelados para comunicar, com respeito, as perdas e incertezas do que acontecia em todo o mundo. 

Antes anunciador da verdade, o telejornalismo passou a abordar as incertezas. A fim também de evitar que a proliferação de mentiras sobre a questão da saúde, a televisão foi a forte transmissora de propagandas contra as fake news até mesmo durante a apresentação dos telejornais diários. Mais do que antes, o trabalho agora envolvia a checagem incansável sobre a veracidade de tudo que envolvia – e ainda envolve – a pandemia e sua vacina.

O jornal televisivo também foi chave de ouro para reposicionar as classes sociais mais baixas no visor das políticas públicas do Governo e classes mais altas. Ele relembrou que parte da população mal tinha acesso à água potável para lavar as mãos durante a pandemia, apontando a qualidade de vida dos vizinhos, moradores de rua, refugiados e os trabalhadores autônomos, cobrando assim a responsabilidade das autoridades locais.

Porém, essa cobrança também gerou revolta em muitas pessoas. Só durante o primeiro ano de pandemia, o número de repórteres agredidos nas ruas, enquanto passavam as informações, cresceu em 105,77% em relação a 2019. Demonstrando que o fato de dar visibilidade aos acontecimentos gera revolta física em quem discorda da apresentação do veículo.

E mesmo com a crítica e cobrança ampliada durante esse fato histórico, o chamado Quarto Poder continua a fazer o trabalho, cada vez mais necessário para ampliar as múltiplas realidades humanas. Assim como a reinvenção dos próprios jornalistas como pessoas humanas que apresentam os fatos. Que ao mesmo tempo que são profissionais, também fazem parte da população que consome o que produz e defende.

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