A Galeria David Nolan, em Nova York, recebe até o dia 31 de julho a exposição Riverlines, que reúne obras de três gerações de artistas indígenas amazônicos: Chico da Silva, Joseca Yanomami e Kuenan Mayu. Com curadoria de Simon Watson, a mostra coloca em diálogo diferentes formas de representar a Amazônia por meio da pintura, do desenho e do uso de materiais tradicionais ligados aos povos originários.
Imagens: Reprodução/Assessoria
A exposição foi aberta ao público no dia 10 de junho e apresenta trabalhos produzidos a partir das cosmologias e dos conhecimentos ancestrais dos povos Yanomami, Tikuna, Tariana e Tukano. As obras abordam temas como memória, linhagem, território, mudanças climáticas, extrativismo e direitos indígenas, reforçando a presença da arte amazônica em um dos principais circuitos internacionais da arte contemporânea.
Entre os destaques está a artista indígena Kuenan Mayu, de 23 anos. Nascida na comunidade de Feijoal, às margens do rio Solimões, na região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, ela utiliza pigmentos naturais extraídos da floresta sobre o tururi, tecido produzido a partir da casca de árvores amazônicas. Suas pinturas apresentam figuras híbridas que transitam entre seres humanos, peixes, árvores e entidades espirituais, inspiradas na cosmologia dos povos Magüta (Tikuna), Tariana e Tukano.
Três gerações de artistas amazônicos
Além de Kuenan Mayu, a exposição reúne obras de Chico da Silva (1910–1985), considerado um dos artistas mais importantes da arte brasileira do século XX, e de Joseca Yanomami, artista indígena de Roraima conhecido por transformar em desenhos e pinturas as narrativas e visões presentes na tradição oral de seu povo.
Imagens: Reprodução/Assessoria
Parte das obras de Chico da Silva exibidas em Riverlines foi produzida para a Bienal de Veneza de 1966. Nascido no Acre, o artista ganhou reconhecimento internacional por suas pinturas marcadas por criaturas fantásticas, aves e seres inspirados nas mitologias amazônicas. Já Joseca Yanomami retrata o universo espiritual Yanomami a partir dos ensinamentos transmitidos pelos xamãs e da relação entre floresta, território e ancestralidade.
Segundo o curador Simon Watson, a ideia da exposição surgiu durante uma pesquisa sobre a obra de Chico da Silva. “Riverlines começou como uma conversa sobre linhagem — como técnicas, cosmologias e compromissos viajam através do tempo e são reconfigurados por cada geração”, afirma.
Para Watson, o diálogo entre os três artistas evidencia a relevância global das visões amazônicas sobre a natureza e demonstra como essas produções permanecem conectadas às suas comunidades sem deixar de dialogar com questões contemporâneas.
Imagens: Reprodução/Assessoria
A mostra também busca ampliar a visibilidade de genealogias artísticas indígenas frequentemente ausentes das narrativas tradicionais da arte moderna e contemporânea, destacando produções que unem prática artística, memória coletiva e modos de vida ligados à floresta.
Serviço
Riverlines
Local: Galeria David Nolan, Nova York (Estados Unidos)
Período: até 31 de julho de 2026
Artistas: Chico da Silva, Joseca Yanomami e Kuenan Mayu
Curadoria: Simon Watson