Meio Ambiente

Lideranças indígenas nacionais debatem novos caminhos de desenvolvimento para a Amazônia

Importantes lideranças indígenas do Brasil estão confirmadas para a segunda edição do Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA), que tem o objetivo de reunir empreendedores, investidores, organizações da sociedade civil e outros atores que integram o ecossistema de impacto na região para debater caminhos, oportunidades e desafios para o desenvolvimento do ecossistema de impacto amazônico, a bioeconomia e o futuro da floresta. O 2º FIINSA ocorre nos dias 29 e 30 de novembro, no Studio 5 Centro de Convenções. 

O evento tem a proposta de ser um ponto de encontro para investimentos de impacto e desenvolvimento de negócios sustentáveis na Amazônia. A programação inclui oficinas temáticas, lançamento de projetos, sessões de pitch, feira de negócios, mercado com produtos sustentáveis da Amazônia e rodadas de negócios e investimentos, além de estandes de parceiros.

“Não podemos falar de desenvolvimento sustentável na Amazônia sem incluir as populações tradicionais e indígenas na discussão. O festival tem a proposta de reunir atores que acreditam na conservação da Floresta Amazônica e na necessidade de uma nova economia com o propósito de resolver os problemas ambientais e socioeconômicos da região. Então, a visão e contribuição das lideranças indígenas é fundamental, e precisa estar na base desses novos modelos de desenvolvimento para a região amazônica”, afirma a cofundadora do Impact Hub, Juliana Teles, que faz parte da organização do evento.

As lideranças

No dia 29, a cacica Juma Xipaia participa do painel “Visão de futuro para a Amazônia e para o Brasil”. Juma é ganhadora da Medalha de Resistência Chico Mendes, cacica da aldeia Kaarimã, na Terra Indígena Xipaya, no rio Iriri, Pará, e também presidente da Associação Rede Terra do Meio. Em 2020, fundou o Instituto Juma, que tem como missão a proteção da floresta, do patrimônio cultural, da propriedade intelectual e dos territórios dos povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira.

Imagem: Juma Xipaia (Créditos: Divulgação)

No mesmo dia, o líder do povo Yawanawa, Tashka Peshaho Yawanawa, integra dois painéis: “Choque de realidade: tempos difíceis em meio à violência e alta do desmatamento”, e “A moda e grandes marcas como aliadas na valorização da floresta e seus povos tradicionais”, a partir das 16h30. Cineasta e fotógrafo, Tashka é um dos responsáveis pelo renascimento cultural e espiritual dos Yawanawa.

Imagem: Tashka Peshaho (Créditos: Divulgação)

Ao lado de Tashka no painel sobre moda indígena estará Vanda Witoto, ativista e um dos símbolos na luta contra a covid-19 no Amazonas, sendo a primeira pessoa a ser vacinada contra o vírus no estado. Além da atuação política, Vanda desenvolve o movimento Ruaringo – Mulheres que Dançam, que inclui mulheres indígenas que comercializam roupas, biojoias e artesanatos indígenas.

Outra importante participação do 2º FIINSA é o líder maior do povo Paiter Suruí, Almir Suruí, reconhecido internacionalmente pela luta pelo direito dos povos indígenas e por sua atuação na questão climática. Ele recebeu, em 2008, o Prêmio de Direitos Humanos da Sociedade Internacional de Direitos Humanos, em Genebra. Dentro do 2º FIINSA, ele debate, no dia 30, às 10h30, no painel “Mercados de carbono: a oportunidade da década para conservação e restauração de florestas?”.

Para representar a juventude indígena no evento, a ativista ambiental e comunicadora Samela Sateré Mawé também é presença confirmada. Samela é integrante de movimentos como Fridays for Future, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism) e Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam).

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