Comunicação

‘Meu corpo preto é tecnologia ancestral’, afirma Keila Sankofa ao falar dos caminhos abertos dentro e fora do Brasil

Foto: Renato Parada / Itaú Cultural

“Sei que, como mulher negra nascida, criada e esculpida na Amazônia, tive a grandiosidade de exercer aquilo que sei fazer melhor: criar e pulverizar novas narrativas visuais, audiovisuais e cinematográficas. Meu corpo preto é tecnologia ancestral.”

Essas são as palavras da artista visual, produtora e realizadora audiovisual Keila Sankofa, ao celebrar os muitos caminhos que percorreu durante o ano de 2022. 

Nas artes visuais, a multiartista integrou projetos como Nave Rock In Rio 2022, uma instalação imersiva 360° que aconteceu durante a edição do Rock In Rio 2022. O projeto apresentou trabalhos de artistas visuais da Amazônia e levou o público a mergulhar em visualidades, narrativas e sensorialidades. Ainda no Rio de Janeiro, participou da Residência Amplify & Oi Futuro, iniciativa criada para promover o debate sobre equidade de gênero e democratizar o acesso no campo das artes digitais. 

Levando as narrativas amazônidas para outros estados brasileiros e contando a própria história, Keila Sankofa esteve presente na exposição “SPFW+IN.PACTOS”, que aconteceu durante a programação do São Paulo Fashion Week 2022. 

Foto: Renato Parada/ Itaú Cultural

Em comemoração aos 40 anos do Centro Cultural São Paulo CCSP, Keila ainda apresentou suas obras no 32º Programa de Exposições do CCSP. Já na programação de itinerância da 34ª Bienal de São Paulo, trouxe a conversa “Arte na rua: popularização e demarcação ancestral”, que aconteceu em Ribeirão Preto, São Paulo. 

Sobre a experiência, Keila conta que foi uma roda de conhecimentos, de trocas. “Narrar, ensinar e compreender novos pontos é sempre a virada de chave. Gratidão a todos que estiveram presentes”, expressou. 

Com os projetos “Abebé (2021)” e “Ancestralidade de Terra e Planta (2018-2021)”, expôs suas obras no Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Produzido em 2019 e finalizado em 2022, o curta-metragem “Alexandrina – Um relâmpago”, idealizado pela artista, esteve na programação da 21ª Mostra Goiânia Curtas, sendo um dos 19 curtas de documentário selecionados entre os 852 filmes inscritos. 

Em Curitiba, Keila foi palestrante no Museu Paranaense (MUPA), com o tema “Se enfiasse os pés na terra: relações entre humanos e plantas”. A atividade teve como objetivo o compartilhamento de saberes e vivências das artistas atuantes em Manaus, território industrial localizado no meio da floresta.

A artista também foi convidada para o maior e mais antigo evento de artes visuais do país, o 40º Arte Pará, levando a obra “Óculos de Okoto” (2022) como frente dessa ocupação. 

A artista foi para solo estrangeiro, na Argentina e em Montreal, e integrou o Festival Mutek, um evento de arte digital voltado para a experimentação, criatividade e inovação que faz o público “degustar” a música eletrônica de uma maneira imersiva. 

Foto: Renato Parada/ Itaú Cultural

Em outubro, o filme “Alexandrina – Um relâmpago” foi selecionado para o 32º Cine Ceará Festival ibero-americano de Cinema. 

A artista conta que, mesmo sem uma estrutura ideal, foi possível realizar essas ocupações artísticas, nacional e internacionalmente, tanto nas artes visuais como em espaços de cinema.  

“Fiz esse movimento com maestria. Foram muitas exibições públicas e exposições em instituições renomadas. Mas tudo isso foi e é possível devido a tantos profissionais pretos e indígenas que me cercam e me apoiam substancialmente”, pontua a multiartista, que contou com parcerias essenciais durante suas ocupações dentro e fora do país, como Uýra Sodoma, Mafel Matagal, Francisco Ricardo, Caio Silva, Sindri Mendes, Karine Pantoja, Mura, Ana Carolina, Alonso Junior e Jéssica Dandara. 

Foto: Renato Parada/ Itaú Cultural

Com o curta-metragem “Alexandrina – Um Relâmpago”, participou da 32ª edição do Festival Internacional de Curtas (RJ), que aconteceu em dezembro, um dos mais importantes festivais do país. 

Ainda em dezembro, a realizadora audiovisual esteve presente em mais dois festivais audiovisuais: a Exposição Caixa Cultural e Mulheres na Independência, nos espaços da Caixa Cultural em Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Acontecendo de forma simultânea, os locais receberam a obra “Abebé”, curta-metragem que reúne mulheres negras do amazonas, artistas, trancistas e educadoras como protagonistas, abordando a autoestima de mulheres pretas. 

O filme “Alexandrina – Um Relâmpago” também foi um dos selecionados para integrar o 26º Festival Cine PE, que aconteceu em Recife. O Cine PE é um festival de cinema de programação ampla, plural e de dimensão nacional, que contempla a realização de mostras competitivas de curtas e longas-metragens brasileiros, no formato digital.

“2022 é fruto de um trabalho que vem sendo realizado há muitos anos. Sou uma pessoa preta da Amazônia arrombando portas e portões Brasil afora. Confesso que não é fácil. Acredito que essas oportunidades só são possíveis devido a todo o movimento que meus ancestrais realizaram. Sou o futuro deles; meu trabalho é pensar o agora e prospectar o amanhã, e isso está sendo realizado com potência e resistência”, finaliza Sankofa.

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