O documentário “Marés”, dirigido por Anna Suav e produzido pelo Selo Caquí, será lançado no dia 23 de junho, às 19h, no Sesc Ver-o-Peso, em Belém. Com entrada gratuita, o filme apresenta os bastidores do álbum homônimo lançado em 2025 e acompanha artistas paraenses que transformam suas vivências, territórios e identidades em música.
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A produção reúne depoimentos, registros de processo criativo e reflexões sobre os desafios de construir uma carreira na música independente na Amazônia. O documentário também funciona como um retrato de uma geração de artistas que produz fora dos grandes centros da indústria cultural brasileira.
“A Amazônia é um portal. Ou tu chega na Amazônia, tu chega e fica, ou então tu vai logo embora, porque não é pra qualquer um aqui”. A frase do artesão e artista Mestre Flávio Gama abre o documentário e conduz o público por histórias que ajudam a compreender a relação entre território, cultura e criação artística na região.
Participam do projeto os artistas Sidiane Nunes, Agarby feat. Layana, W Mateu-U, Paso, Lina Leão, Mist Kupp, Cout, Ressoa, Matheus Pojo e Jheni Cohen, além dos idealizadores do Selo Caquí, Leonardo Pratagy e Yuri Renner.
Bastidores, identidade e resistência
Segundo Leonardo Pratagy, documentar o projeto foi uma forma de aproximar o público das trajetórias que inspiram as músicas do álbum.
“Como produtor, acredito que a música é capaz de contar a história de cada artista. Quando você ouve uma música, é possível imaginar de onde aquele artista veio, quais suas vivências. Com o filme, a gente quis ir além da música para mostrar quem são essas pessoas e dar cara aos artistas”, afirma.
A diversidade da música produzida na Amazônia aparece ao longo do documentário por meio de artistas de diferentes trajetórias, incluindo mulheres cis e trans, pessoas LGBTQIAPN+ e representantes de territórios periféricos.
Uma das participantes é a cantora e compositora Ressoa, intérprete da faixa “Amaré”. Para ela, ter sua trajetória registrada no filme representa uma conquista construída coletivamente.
“Para mim, que sou uma pessoa trans não binária, cada nota cantada é um ato de resistência. Ter essa trajetória documentada significa eternizar que, apesar de todos os motivos para desistir, escolhi cantar”, destaca.
Pratagy afirma que o objetivo também foi criar um registro capaz de preservar um recorte da produção musical paraense contemporânea.
“O desejo do Selo Caquí é criar um documento que possa ser revisitado daqui para frente por quem quiser conhecer uma amostra diversa da música paraense, especialmente de uma música periférica que está fora da lógica de consumo”, diz.
O projeto Marés foi realizado após seleção no edital Natura Musical, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Pará (Semear).
Serviço
Lançamento do documentário “Marés”
Data: 23 de junho de 2026
Horário: 19h
Local: Sesc Ver-o-Peso
Entrada gratuita