Gravado em 2025, “Parintins – 72 horas” vem com o objetivo de homenagear torcedores do Boi Caprichoso e Boi Garantido. Sua exibição acontecerá na sexta-feira (26/06), no Bumbódromo, no momento em que as galeras dos bois entrarem no espaço. Além disso, ocorrerá a exibição do documentário em outros pontos da ilha, como na Estação da Cultura, na Praça da Catedral, às 16h.

Foto: Divulgação/Assessoria
A ideia da produção audiovisual surgiu da inquietação de Ana Lígia em 2022, quando esteve em Parintins para acompanhar o festival, ao ver a paixão e garra que os torcedores dos bois tinham ao passarem dias na fila para entrar na galera.
“Foi minha primeira vez em Parintins, e fiquei impressionada como as pessoas ficam dias ali, debaixo de um toldinho, crianças, idosos, comendo tambaqui e quentinha, e ninguém nem aí, tudo certo. Isso mexeu muito, à época, com meu lado de artista, de cineasta e enquanto ser humano pensante”, comenta Ana Lígia.
O projeto só ganhou vida de fato em 2025, quando a cineasta apresentou para a Secretaria de Cultura a ideia, mesmo achando que não daria certo devido à falta de tempo e verba para sua realização. Por sorte, a diretora de fotografia Ana Rezende estava disposta a ir à Parintins gravar o documentário com Ana Lígia e a Secretaria de Cultura também havia se identificado com o projeto, viabilizando sua produção com uma pequena verba e ajuda de custo.
A cineasta ainda comenta e exemplifica como a intensidade da rivalidade em Parintins é diferente do resto do mundo, quando se trata dos torcedores do Caprichoso e Garantido.
“Inúmeras manifestações culturais acontecem ao redor do mundo, normal, mas com a intensidade de Parintins, não existe. Essa rivalidade é única. Uma das personagens, por exemplo, que é torcedora do Caprichoso, não compra tomate pra casa dela porque é vermelho. Isso não tem em outras culturas populares. Isso me chamou a atenção e por isso fiz o filme”, explica Ana Lígia.

Foto: Divulgação/Assessoria
Ana Lígia Pimentel é uma cineasta que já concorreu no Festival de Gramado, em 2025 pelo documentário “Os Avós” que observa homens e mulheres que se tornam avós ainda jovens, entre 30 e 35 anos, num ciclo afetivo e familiar acelerado que revela heranças profundas de desigualdade, ausências históricas e reinvenções do cuidado. Agora com o documentário “Parintins – 72 horas”, a cineasta marca um feito histórico com a exibição da obra às 15h no Bumbódromo, além de o trailer ser exibido às 19h, antes das apresentações dos bois começarem e da exibição em mais 60 lugares espalhados pela Ilha Tupinambarana.
“É uma homenagem às galeras, mostrando essa ‘saga’ que é ir para Parintins, com pessoas que se endividam, que deixam suas famílias para realizarem o desejo de assistirem seus bois. O foco não são os itens, nem os bois em si, mas àquelas pessoas que fomentam essa paixão, que muito se compara ao futebol, se formos escalonar. É essa peculiaridade cultural em torno do seu condicionamento quando se é fã”, finaliza Ana Lígia.