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Filme amazonense ‘Os Avós’, de Ana Lígia Pimentel, é indicado ao Festival de Cinema de Gramado

Após 47 anos, o Amazonas volta ao Festival de Cinema de Gramado, desta vez para concorrer com o filme “Os Avós”, de Ana Lígia Pimentel. A produção foi indicada, na última quinta-feira, 17, para concorrer na Mostra Competitiva de Longas-Metragens Documentais durante a 53ª edição do evento, considerado o mais importante do país no segmento.

Cineasta Ana Lígia Pimentel. (Foto: Divulgação)

De acordo com Ana Lígia, que é oriunda do Rio de Janeiro, mas está radicada no Amazonas desde 2002, ter uma produção amazonense indicada ao festival é uma “sensação de dever cumprido, uma realização”. “E mais do que isso: é saber que um cinema de qualidade nortista está chegando em lugares maiores”, completa a cineasta, que é formada em  Cinema pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, além de possuir especialização em Filmmaker pela Academia de Cinema de Nova York.

Ao longo de 90 minutos, “Os Avós” percorre territórios ribeirinhos e urbanos do Estado para observar um fenômeno cultural naturalizado, mas repleto de tensões: homens e mulheres que, entre 30 e 35 anos, já carregam o título e a função de avós. Mais do que um dado estatístico, o documentário revela como este ciclo familiar acelerado reproduz desigualdades históricas e desafia as ideias de tempo, cuidado e destino.

“Pelo ineditismo do tema que abordamos na obra, imaginávamos que alguns festivais poderiam se identificar. Mas Gramado, foi uma linda surpresa. E representar o Amazonas é uma honra e missão muito grandes. Queremos ressaltar que o cinema e as histórias do Amazonas, são muito interessantes, e de um Brasil profundo e desconhecido dos demais”, salienta Ana Lígia.

Filmado com uma abordagem observacional e carregado de uma fotografia que transforma a luz filtrada da floresta e o ritmo dos rios em metáforas visuais, “Os Avós” rejeita a lógica expositiva das reportagens para construir uma experiência cinematográfica sensorial. A câmera nunca se impõe; ela acompanha as personagens com delicadeza, permitindo que a verdade surja em silêncios, gestos e pequenas narrativas cotidianas.

Montagem

A montagem, assinada por Ana Lígia Pimentel, sob a consultoria de Jordana Berg (membro Academia do Oscar), é outro pilar da obra, criando uma estrutura rítmica que alterna respiros poéticos e momentos de confrontação. A voz de Maria Ribeiro, que narra trechos do filme, funciona como um sutil fio condutor, ecoando as perguntas e memórias que atravessam a narrativa.

O resultado é um filme que não busca respostas fáceis, mas que, ao mesmo tempo, ilumina os entrelaçamentos entre gênero, território, religião e heranças culturais e condicionamentos coloniais que moldam as escolhas – e não escolhas – das pessoas entrevistadas.

“Espero que as pessoas ao assistirem o filme, sintam o que eu senti quando ouvi pelas primeiras vezes, as histórias contadas por vizinhos e amigos da comunidade que moro, o Livramento. Esse projeto é inspirado totalmente na minha vivência absoluta morando em comunidade ribeirinha há anos”, finaliza Ana Lígia Pimentel.

Cinema nortista

Ao longo de cinco décadas de Festival de Gramado, o cinema da Região Norte teve poucas presenças pontuais, mas significativas. Em 1982, o amazonense Djalma Limongi Batista venceu o Kikito de Melhor Direção com “Asa Branca: Um Sonho Brasileiro”. Décadas depois, o curta-metragem “O Barco e o Rio” (Bernardo Abinader, 2020) conquistou cinco Kikitos, abrindo caminho para uma nova geração de realizadores amazônicos. Em 2022, “Noites Alienígenas” (Acre) recebeu o prêmio de Melhor Filme e, em 2024, o Pará integrou a mostra competitiva com “Mestras”.

“Os Avós”, no entanto, é o primeiro longa-documentário amazonense a disputar a mostra competitiva do festival, reafirmando a Amazônia como território de invenção estética e reflexão política no cinema brasileiro contemporâneo. O trailer oficial pode ser conferido no YouTube.

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