Arte

‘Parintins Galeria Cidade Aberta’ fortalece representatividade feminina na arte urbana em Parintins

Projeto de arte urbana espalhado por Parintins tem dado destaque para mulheres ao transformar a paisagem urbana do município

Na quinta edição do projeto “Parintins Galeria Cidade Aberta”, o projeto destaca a participação feminina na criação de murais espalhados pela cidade, abordando temas como ancestralidade, identidade, território e pertencimento, além de valorizar o trabalho de artistas locais. Entre os murais em destaque está “Yube e o ventre da sabedoria: a trama da mulher ancestral”, produzido por Day Cruz e Kamy Wará, estreantes no projeto, que produziram o mural com uma equipe formada exclusivamente por mulheres. 

FOTOS: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa 

“Yube e o ventre da sabedoria: a trama da mulher ancestral”

Localizada próximo da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, um dos principais cartões postais da cidade, o mural tem como objetivo refletir sobre o papel das mulheres na preservação e transmissão dos saberes tradicionais, inspirando-se na cosmologia do povo Huni Kuin. 

A artista Day Cruz comenta como foi a experiência de produzir o mural com uma equipe formada exclusivamente por mulheres. 

“Foi uma experiência muito especial. Trabalhamos com uma equipe formada por mulheres, construindo juntas um mural que fala justamente sobre os conhecimentos e ensinamentos transmitidos entre mulheres. Existe uma força muito grande nesse encontro”, relatou a artista Day Cruz. 

A artista ainda continua, comentando sobre como a quinta edição do projeto “Parintins Galeria Cidade Aberta” pode inspirar outras jovens a ingressarem no mundo da arte urbana, graças a representatividade feminina desta edição.

“Acredito que muitas meninas vão se reconhecer nesse processo. É importante ver mulheres assinando obras, liderando equipes e mostrando que esse espaço também nos pertence”, destaca. 

FOTOS: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa 

Valorização dos saberes ancestrais

A artista indígena Kamy Wará, da etnia Sateré-Mawé, uma das criadoras do mural “Yube e o ventre da sabedoria: a trama da mulher ancestral”, comentou como toda sua produção artística parte de sua vivência como mulher indígena, valorizando a identidade e saberes ancestrais de seu povo. 

“A arte se tornou uma ferramenta para falar sobre temas que precisam de mais visibilidade e para fortalecer narrativas que, muitas vezes, não ocupam esses espaços”, explicou Kamy Wará.

Kamy Wará ainda comenta que a participação de mulheres no projeto representa uma conquista para as artistas locais, em um espaço que, por muito tempo, foi comandado majoritariamente por homens. Ela ainda destaca que a participação feminina auxilia para que artistas percebam que é possível sim ocupar esses espaços e ajuda não só a geração de artistas atuais, como as futuras.

FOTOS: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa

“Parintins Galeria Cidade Aberta”

A quinta edição do projeto conta com 60 murais produzidos, totalizando mais de 9 mil metros quadrados de áreas pintadas, gerando a oportunidade para mais de 400 artistas, produtores culturais e trabalhadores da economia criativa. Além disso, o projeto ainda promove o intercâmbio cultural entre artistas de diferentes regiões do país, gerando a oportunidade de aprendizado e troca de vivências entre artistas locais e de outros estados, como é o caso da artista visual paulista Mag Magrela, que participou pela primeira vez do projeto com o mural “Ilha Encantada”.

“Ver esse protagonismo feminino este ano é muito bonito. Tivemos a oportunidade de pintar com a Mag, fomos lá dar uma ajudinha para ela, trocar ideias. Foi uma experiência muito boa ter esse contato com pessoas que têm tantas vivências fora da ilha e, ao mesmo tempo, contar com o apoio dos artistas daqui”, detalhou Day Cruz. 

Kamy Wará também compartilhou como foi a sua experiência com a artista visual convidada, destacando a importância da presença de mulheres de diferentes regiões no projeto. 

“Foi uma grande alegria quando soubemos que, além de nós, uma artista convidada também participaria do projeto. A Mag tem um trabalho maravilhoso e muito singular. Quando mulheres passam a ocupar esses espaços, percebemos o quanto isso influencia outras pessoas e fortalece ainda mais a nossa presença na arte”, disse. 

FOTOS: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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