Materiais que antes eram descartados após o Festival de Parintins agora ganham nova utilidade nas mãos de artesãos da cidade. A proposta faz parte do projeto “Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro”, apresentado pela Sebrae Amazonas, para incentivar a produção de peças autorais a partir de resíduos das agremiações folclóricas.

A iniciativa une economia circular, design, sustentabilidade e empreendedorismo para transformar tecidos, fibras e estruturas cenográficas do festival em produtos comercializados ao longo do ano.
Atualmente, as criações incluem peças de decoração, acessórios, luminárias e itens autorais inspirados na estética do festival.

O projeto começou com 40 participantes e hoje reúne 64 artesãos ativos, número que evidencia o interesse crescente pela iniciativa e pelas possibilidades de geração de renda a partir da produção criativa.
Para a gestora do projeto de Artesanato do Sebrae Amazonas, Lilian Silvia Simões, o principal impacto da iniciativa está na mudança de percepção sobre o reaproveitamento dos materiais.
“A essência desse projeto vai desde a transformação da percepção dos artesãos sobre o que é resíduo e o que é matéria-prima, até o investimento em uma lógica de economia circular. Também há uma mudança de olhar sobre tendências de mercado, design, moda e decorativo. É isso que faz esse projeto ser diferenciado: ele está sendo construído junto com os próprios artesãos”, destaca.
Mesmo em fase inicial, os produtos desenvolvidos pelos artesãos já começam a despertar interesse do mercado.
Coletivo Mãos Criadoras e Projeto Artesanato do Sebrae Amazonas
Integrante do coletivo Mãos Criadoras, a artesã Taiana Ferreira resume a virada de chave promovida pelo projeto. “O projeto veio engrandecer nossa visão e fazer com que a gente entenda que o festival não acaba quando as luzes do Bumbódromo se apagam”, disse.
A experiência também impulsionou mudanças no trabalho de Tatyana Monteiro, integrante do coletivo Mãos Criadoras, que passou a explorar novos formatos de produção a partir dos materiais reaproveitados.
“Hoje consigo enxergar minha peça como expressão artística, mas também como produto de mercado, com valor e potencial real de comercialização. Esse projeto trouxe inovação para a minha trajetória e abriu uma nova possibilidade de futuro”, relata.
Regiane Lima, que também integra o coletivo Mãos Criadoras, destaca que a inspiração vai além do material físico reaproveitado.
“A gente trabalha tanto com resíduos materiais quanto com esse patrimônio imaterial, que é a magia do festival, e transformamos em produtos novos, inovadores e comercializáveis o ano inteiro”, destacou.

Com mais de 450 artesãos cadastrados em Parintins no Programa do Artesanato Amazonense, a iniciativa reforça a aposta na economia criativa como alternativa de geração de renda e valorização cultural na região.
O que antes ficava restrito às alegorias e apresentações agora passa a ocupar espaços da casa, da decoração e do design com identidade amazônica.