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Festival de Cirandas de Manacapuru: das ruas aos palcos, a trajetória de um patrimônio cultural

O Festival de Cirandas de Manacapuru é considerado o segundo maior festival folclórico do Amazonas e movimenta o município, localizado a 68 quilômetros de Manaus, com música, dança, alegorias e enredos inspirados na Amazônia. 

Arte: Mercadizar

A disputa acontece entre as três agremiações Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional, que transformam o Parque do Ingá, conhecido como Cirandódromo, em um verdadeiro espetáculo.

Cada ciranda leva para a arena um tema próprio, apresentado por meio de toadas, coreografias, itens individuais e alegorias grandiosas, que conquistam o público e os jurados.

O formato do festival é de disputa direta, com uma ciranda se apresentando por noite. Em 2025, o rodízio anual definiu que os Guerreiros Mura abrem o evento na sexta-feira, 29 de agosto. No sábado, 30, será a vez da Tradicional, enquanto a Flor Matizada encerra o festival no domingo, 31. 

Todas as apresentações começam às 21h e têm duração aproximada de duas horas e meia, com arena lotada e torcidas vibrando a cada momento da apresentação.

As cirandas também têm forte ligação com bairros e comunidades de Manacapuru, mobilizando famílias inteiras que trabalham ao longo do ano na confecção das fantasias, na composição das toadas e na preparação dos espetáculos. 

Critérios de avaliação do festival

As apresentações do festival são avaliadas por uma comissão de jurados que atribui notas em diferentes quesitos, divididos nos blocos musical, artístico e tema livre. 

O bloco musical considera a execução das toadas e a atuação do cantador, enquanto o bloco artístico avalia o desempenho individual — incluindo a Cirandeira Bela, a Princesa Cirandeira e outros itens de destaque — e o coletivo, como os cordões de entrada e de cirandeiros. 

Já o bloco de tema livre analisa elementos essenciais como alegorias, fantasias, harmonia, criatividade e desenvolvimento do enredo. 

Alguns elementos tradicionais, como o Seu Manelinho e o Galo Bonito, não pontuam diretamente, mas são obrigatórios: sua ausência implica perda de pontos, reforçando a importância da tradição no julgamento.

Conheça as agremiações

A Guerreiros Mura é a agremiação mais vitoriosa, com 13 títulos. Nascida na Escola José Mota, no bairro Liberdade, leva para a arena as cores azul, vermelho e branco e homenageia a etnia indígena Mura. Em 2024, conquistou o festival com o tema “Sob o Véu de Iacy”.

Guerreiros Mura. Foto: Marcio James/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

A Flor Matizada, a mais antiga das cirandas, surgiu na Escola Nossa Senhora de Nazaré, no centro de Manacapuru. 

Suas cores verde e lilás e sua torcida organizada, FAMA, reforçam sua tradição. Com dez títulos, a Flor Matizada equilibra história e inovação em suas apresentações.

Flor Matizada. Foto: Marcio James/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

A Tradicional, originária da Escola José Seffair, no bairro Terra Preta, é representada pelas cores vermelho, dourado e branco, com a coroa como símbolo. 

Embora tenha menos títulos — seis ao todo — conquistou destaque recente, vencendo o bicampeonato em 2022 e 2023 com o tema “Eldorado Encantado”.

Tradicional. Foto: Marcio James/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Identidade própria da ciranda de Manacapuru

A tradição da ciranda em Manacapuru tem suas raízes em Tefé, no interior do Amazonas. Foi de lá que o professor José Silvestre trouxe a prática para a capital, Manaus, onde passou a ser popularizada na década de 1980 pela professora Perpétuo, ganhando visibilidade em apresentações escolares e comunitárias. 

Esse movimento foi responsável por inserir a ciranda no cotidiano cultural da região metropolitana e abrir espaço para que outros municípios se apropriassem da manifestação.

Em Manacapuru, a ciranda encontrou um terreno fértil. No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, grupos começaram a surgir de forma espontânea nos bairros da cidade, reunindo jovens, músicos e dançarinos em apresentações marcadas por cores, cantos e encenações.

Com o passar do tempo, o município desenvolveu uma versão própria da dança, que se diferenciou tanto da ciranda tradicional de Tefé quanto daquela que vinha se fortalecendo em Manaus.

O passo característico do giro de joelhos passou a ser a marca registrada da ciranda de Manacapuru, trazendo uma energia particular para a arena. 

Além disso, a dança incorporou elementos de espetáculo, com alegorias grandiosas, enredos encenados e personagens típicos, transformando a brincadeira popular em uma competição artística e cultural de grande porte. 

Essa evolução deu origem às primeiras agremiações e, posteriormente, à criação do Festival de Cirandas de Manacapuru em 1997, consolidando a cidade como o maior palco do gênero no estado, depois de Parintins com o Boi-Bumbá.

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