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Festival Artistas Pelo Clima usa arte como ferramenta de denúncia da crise climática na Amazônia em meio à COP-28

Até 16 de dezembro, o Festival Artistas Pelo Clima irá promover uma ocupação cultural no Viver Melhor 2, conjunto do bairro Santa Etelvina, na Zona Norte de Manaus. Com o objetivo de denunciar a crise climática vivenciada pelas populações da Amazônia, o evento terá como atração principal a pintura de dois painéis coletivos feitos por artistas amazônidas, um apontando a denúncia e outro a esperança.

O Festival, que usa arte e coletividade para lutar pela justiça climática, também terá mutirões de limpeza, oficinas e apresentações culturais. A ação é construída de forma coletiva e voluntária.

O primeiro mural exibirá denúncias dos crimes que agravam a crise climática na região amazônica, como a fumaça das queimadas, que encobriu o céu de Manaus e tornou a maior capital da Amazônia brasileira, o segundo pior lugar do mundo para respirar. Além disso, a seca extrema que afeta há cinco meses a bacia amazônica está longe de acabar e transformou os rios e igarapés da Amazônia em lama. A seca histórica atinge os 62 municípios do Amazonas, segundo a Defesa Civil. São 598 mil pessoas, a maioria indígenas e ribeirinhos, necessitando de ajuda humanitária, diz o órgão.

O segundo painel homenageia personalidades que constroem narrativas de luta em Manaus. Os artistas usarão como referência quatro personalidades notórias no ativismo social da cidade, sendo elas: Joaquim Melo, livreiro e criador da Banca do Largo; Mafell, DJ, diretora de arte marginal e ativista cultural; e os professores Cláudia Baré e Joilson Karapanã, fundadores da Escola Wakenai, no Parque das Tribos.

Além dos murais construídos em dois prédios, o festival trouxe uma capivara gigante inflável de mais de 3 metros, a Capivara Filó, uma sátira a um dos maiores responsáveis pelo desmatamento no município, Elmar Cavalcante Tupinambá, avô do “Tiktoker da Capivara”, Agenor Tupinambá. Foi criado inclusive um site, resgatando os nomes com maiores áreas em desmatamento ilegal e que mostra que a Amazônia não pega fogo sozinha. 

A Prefeitura de Manaus apontou a responsabilidade das queimadas criminosas para outros municípios, entre eles a cidade de Autazes. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que, dos 506 focos de incêndio registrados em outubro no Amazonas, 258 são de Autazes.

Cavalcante foi multado em fevereiro de 2022 pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), por destruir ou danificar mais de 240 hectares de floresta nativa. Sozinho, ele foi responsável por 42% do desmatamento registrado no município nas duas últimas décadas, segundo os dados disponíveis nos sistemas de consulta pública do Ibama e do IPAAM.

O conteúdo do projeto será transmitido em outras capitais do país via projeção. Além disso, a ideia é que a movimentação dos fotógrafos, grafiteiros, colagistas, músicos e ativistas, dialogue com a população do território ocupado pelas atividades em detrimento das pautas e ações que estão sendo debatidas na COP-28.

Artistas Pelo Clima

É uma rede que nasceu de uma iniciativa da Associação Intercultural Hip Hop Urbanos da Amazônia (AIHHUAM) e já reúne quase 100 artistas conectados pela vontade de juntar arte e denúncia, no momento em que a Amazônia enfrenta a emergência climática em seus territórios.

A Artistas Pelo Clima realiza ações socioculturais e artivistas, que alertam para o descaso que as populações da região Amazônica enfrentam diante da seca extrema e de eventos como as queimadas criminosas, em especial no estado do Amazonas, que encobrem de fumaça o céu de Manaus há mais de três meses.

Outras ações culturais da rede

A primeira ação de denúncia e mobilização da rede Artistas Pelo Clima foi realizada em outubro deste ano no Largo São Sebastião, centro de Manaus, e teve como objetivo a arrecadação de cestas básicas para 70 famílias da cidade, uma parceria com o ImpactHub Manaus e a Casa Som Amazônia. Os alimentos foram distribuídos na Aldeia Inhãa-Bé e na comunidade Três Galhos, localizadas no Tarumãzinho, região metropolitana da capital, e na Terra Indígena Uneiuxi, em Santa Isabel do Rio Negro, interior do Amazonas. 

Trabalhando também com as ações nas redes sociais, a rede Artistas Pelo Clima construiu em parceria com o coletivo Puxirum – Festival Amazônico e a Taipa Território Criativo, mobilizou diversos artistas na produção e publicação de artes que denunciavam a crise climática na Amazônia.

Serviço

Festival Artistas Pelo Clima

Onde: Conjunto Viver Melhor 2, Santa Etelvina, Zona Norte, Manaus (AM)

Quando: 9 a 16 de dezembro de 2023

 

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