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Conheça 3 profissionais e os desafios do mercado de comunicação de Roraima

“O que é ser comunicador em Roraima?” Essa é uma pergunta um pouco difícil de responder. Seja jornalista, publicitário, ou produtor, os profissionais de comunicação do estado acabam enfrentando alguns obstáculos durante o exercício da profissão. Pensando nisso, conversamos com três profissionais, todos naturais de Roraima, que falaram sobre o mercado da comunicação local.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Josué Ferreira, formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), está no mercado a pouco mais de sete anos, passando por assessorias, emissoras locais, e, atualmente, é editor chefe do jornal digital Roraima ”Em Tempo”. Ele ressalta que ser profissional no estado é esbarrar em barreiras dentro da própria comunicação.

Como é fazer jornalismo em Roraima?

Josué Ferreira: Ser profissional de comunicação é você esbarrar em barreiras dentro da própria comunicação,. Mas o que quero falar com isso? Hoje, a gente tem que se desdobrar e encontrar novos caminhos comunicacionais. Ser jornalista, é se auto desafiar dentro desse universo da profissão. Em Roraima é estar constantemente procurando como o seu trabalho não vai criar discurso de ódio e xenofobia, afinal, a gente vive no momento uma migração venezuelana muito forte, porém não podemos deixar de dar aquela notícia. Então a gente vive um momento extremamente delicado na comunicação no estado. No meu TCC eu discuti muito isso, sobre o universo da comunicação numa esfera virtual onde hoje habita muito a xenofobia e ódio. Apesar disso, quando a gente tenta trazer para prática eu não consigo, pois aparece outros problemas que muitas vezes não conseguimos ultrapassar, e quando conseguimos, o veículo é criticado, a matéria é criticada. Então hoje, ser jornalista no estado é você ter uma conjuntura de problemas que te desafiam enquanto profissional e você precisa procurar constantemente como contornar isso, senão acaba enfiando seu pé na jaca, como diz o ditado, e você, literalmente, não consegue sair. 

Qual a dificuldade dos profissionais locais? Como você vê o mercado aqui no estado?

 Josué Ferreira: Eu vou ser sincero: nossa maior dificuldade no mercado é a falta de profissionais, o mercado aqui no estado é muito novo, está em desenvolvimento, tem portais surgindo a todo momento, porém os profissionais geralmente chegam pra gente extremamente deficitários e infelizmente são problemas que vem da própria academia. Hoje, a universidade não consegue formar profissionais e o mercado tem que moldar, e pra moldar é muito complicado, porque quando a gente contrata alguém, queremos um profissional e não estamos tendo. São pessoas que não conseguem construir leads, que não conseguem desenvolver um texto, que tem um português extremamente complicado de lidar, além de ter pessoas que tem medo de entrevistar. Diferente dos profissionais que vem de fora, eles chegam já capacitados, falando outra língua, enquanto aqui a galera mal sabe falar o espanhol.

(Foto: Arquivo Pessoal)

A publicitária Rannyele Rodrigues faz o atendimento e é coordenadora de marketing da Prefeitura Municipal de Boa Vista. Já trabalhou como Assistente de Visual Merchandising nas lojas Riachuelo e em duas agências de Publicidade e Propaganda da capital, a Ch2 e a Prime comunicação.  Natural do estado, em entrevista ao Mercadizar ela comentou falou sobre os desafios de trabalhar com publicidade.

Como é ser uma profissional de publicidade em Roraima? Quais dificuldades que você enfrenta no mercado local?

Rannyele Rodrigues: Ser publicitária aqui em RR não é fácil, vejo que são 2 desafios:

1º: Ter clientes com mente aberta e que valorizem o profissional.

2º: Os próprios “colegas” prostituem o mercado com serviços oferecidos mais baratos.

Vivemos em uma cidade que valoriza muito o concurso público e existe até uma rejeição da família e pessoas que não conhecem a área falando: “Isso não dá dinheiro”, “precisa estudar para um concurso”. Mas para mim, trabalhar com publicidade é algo maravilhoso, é gratificante atender, solucionar problemas de pequenas e grandes empresas locais que não sabem como é, não sabem por onde começar. 

Boa Vista ainda é uma cidade sem muitas opções, mas mesmo com poucos recursos nós conseguimos mostrar que a publicidade é feita de ideias e planejamento. Minha sugestão para maior valorização do profissional aqui na cidade é criar eventos e premiações dos melhores publicitários e agências da cidade.

João Paulo Pires, jornalista com experiência de mais de 10 anos, morou em outros estados do Brasil como, Ceará, Amazonas e Distrito Federal, além de ter morado na Argentina, onde viveu por quatro anos e lá trabalhou com impresso, conteúdo web, rádio, fotografia, produção e edição de documentário.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Como é ser comunicador em Boa Vista?

João Paulo Pires: Acredito que ser comunicador em Roraima não destoa muito do que percebemos no resto do Brasil enquanto profissionais. As reclamações de quem trabalha na área em todo o país geralmente coincidem em salários defasados, condições de trabalho ruins e excessiva carga laboral, porém estamos cada vez mais ‘doentes’, vaidosos e o pior: estamos “glamourizando” essa situação. Também há um grande problema que envolve relações de poder e influência nos ambientes de trabalho potencializado pelo mercado local, que é bem menor. Eu, particularmente, acredito que falhamos quando precisamos explicar coisas óbvias como Direitos Humanos e que temos que gastar horas preciosas de trabalho desmentindo notícias falsas ao invés de focar no que é ‘real’. Mesmo assim precisamos continuar na batalha. Só acho que ela precisa ter menos protagonismo e ser encarada de maneira mais pragmática, com menos fragmentação dos fatos ao mesmo tempo de termos a sensibilidade para entender o que realmente acontece ao nosso redor.

O mercado local acaba sendo visto como diretriz para um lado político, os profissionais vão muito imaturos para as redações, os clientes não valorizam os serviços prestados pelos publicitários, isso são alguns fatores que acabamos encontrando no atual meio da profissão. Não importa qual seja a área (jornalismo, publicidade, etc), o profissional da área aqui no estado tem que ter conhecimento de todos os segmentos da comunicação, tem que saber ser presente na televisão, rádio, gerar conteúdo na internet, fazer publicidade, vender o produto, aqui em Roraima o comunicador é tudo isso.

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