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Projeto pedagógico capacita mais de mil educadores e impulsiona o ensino nas redes municipais da Amazônia Profunda

Valorizar o trabalho docente, transformar a educação nas redes municipais do interior do Amazonas e contribuir para o desenvolvimento sustentável são os objetivos do projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Melhoria do Ensino Fundamental e Médio na Amazônia Profunda”. Em 2024, a iniciativa beneficiou mais de 1.321 professores, secretários, pedagogos e gestores por meio de ciclos de treinamento em formação continuada, além de atingir 10 territórios na região.

Foto: Divulgação

Lançada no ano passado, a iniciativa é realizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Movimento Bem Maior (MBM).

O projeto tem o objetivo de fortalecer o ensino básico em 11 redes municipais do estado, por meio da formação continuada dos profissionais da educação durante três anos. A iniciativa também inclui a confecção de materiais pedagógicos, atividades complementares e cursos de pós-graduação.

Em 2024, o projeto beneficiou mais de 1.217 professores e promoveu ciclos de treinamento pedagógico e formação continuada entre março e setembro. Todo o processo está sendo realizado de maneira integrada com as secretarias municipais, a fim de garantir uma cooperação técnica pedagógica e uma rede colaborativa de gestores.

Fabiana Cunha, gerente do Programa de Educação para a Sustentabilidade da FAS, exalta o potencial do projeto em alinhar as necessidades educacionais com a cultura regional.

“O estudante vai se sentir mais motivado a aprender se perceber que os assuntos ensinados em sala de aula se conectam à sua cultura. A pedagogia da Amazônia Profunda, seja em zona rural, ribeirinha ou comunidade tradicional, dispõe de um contato privilegiado com a natureza e os saberes tradicionais, algo que os profissionais da educação aproveitam para democratizar o aprendizado e contribuir para o desenvolvimento sustentável”, explicou Cunha.

Uma das inovações proporcionadas pelo projeto são as “Bases do Aprendizado para o Desenvolvimento Sustentável”, um guia que reúne 60 atividades práticas, divididas em dez temas: “Desenvolvimento Comunitário”, “O Corpo Humano”, “Floresta”, “Tradições”, “Saúde”, “Atualidade”, “Geografia”, “História”, “Artes” e “Poluição”. Isso possibilita a integração entre o conhecimento empírico, que o aluno traz consigo, e o conhecimento teórico apresentado em aula.

Foto: Divulgação

Outro destaque é o “Bases do Aprendizado para a Alfabetização”, material pedagógico pensado para a realidade da Amazônia, onde o ensino envolve o estudo de plantas, animais, comidas, objetos e outros elementos do vocabulário amazônico. O material traz explicações sobre frutos amazônicos, como o açaí e o ingá, além de detalhes sobre botos cor-de-rosa e o jaraqui, espécies presentes na região.

Foto: Divulgação

Um dos beneficiados é Leandro Santos, professor na comunidade Roque, localizada na Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá, no município de Carauari (a 787 quilômetros de Manaus). Para ele, os novos conhecimentos têm sido muito proveitosos no fazer pedagógico.

“O projeto torna o aluno muito mais protagonista quando usamos elementos do dia a dia dele. Isso mexe com sua cultura, seus costumes, sua vivência, e ele se torna um profundo conhecedor do seu território. Para os professores, a iniciativa possibilitou uma visão muito mais aprimorada do ambiente e, a partir dele, extraímos conteúdos para facilitar o ensino em sala de aula. Ou seja, quando valorizamos a vivência do aluno como um recurso didático, tornamo-los donos do seu próprio conhecimento”, explicou.

Laura Viviane, professora na comunidade do Pupuai, também localizada em Carauari, afirma que o projeto ajudou no desenvolvimento de atividades temáticas.

“As práticas inovadoras apresentam inovação nos métodos de aprendizagem, tanto para os professores quanto para os alunos, pois motivam e despertam o desejo por aprender. Neste ano, trabalhei aulas práticas com temáticas voltadas ao meio ambiente. Por se tratar de alunos ribeirinhos e considerando que a estiagem e as queimadas foram temas bastante relevantes este ano, busquei desenvolver aulas teóricas associadas à prática”, relatou.

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