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APIB recebe prêmio internacional de Direitos Humanos

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB recebeu o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos, do Instituto de Estudos Políticos de Washington (EUA), pelo trabalho em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil. A organização da primeira delegação de lideranças indígenas à Europa para a jornada Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais em 2019 foi o destaque para o reconhecimento da entidade. 

O Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos foi criado em 1978 para homenagear atuações de destaque no campo dos direitos humanos em memória de dois antigos membros do Instituto de Estudos Políticos, Orlando Letelier e Ronni Karpen Moffitt, mortos pela ditadura chilena em 1976. A cada ano, um comitê composto por líderes de prestígio da comunidade de direitos humanos elege os laureados. Lisa Haugaard, do Grupo de Trabalho para a América Latina, indicou a APIB por seu trabalho notável em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil. 

A premiada jornalista e escritora canadense Naomi Klein, ícone do ativismo global, irá entregar o prêmio à APIB, que será representada pela coordenadora-executiva, Sonia Guajajara. A premiação será virtual em razão da pandemia e ocorre no dia 15 de outubro. A APIB irá realizar a transmissão do prêmio em seus canais.

“A APIB é a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil que une a luta dos povos originários que são as raízes deste país. Com a força de nossos ancestrais, a APIB luta há mais de 15 anos pelos direitos indígenas em todas as regiões do Brasil. Em nossa luta pela proteção de nossas florestas, trabalhamos por uma cultura inclusiva e pela saúde pública indígena. Resistimos há mais de 500 anos e continuaremos trabalhando incansavelmente pela justiça. Estamos honrados pelo reconhecimento do Instituto de Estudos de Políticos pelo nosso trabalho em defesa do Brasil e dos povos indígenas contra a destruição ambiental e cultural. Nossa luta, por extensão, é por todas as pessoas que vivem neste planeta durante este tempo de crise climática”, afirma Sonia Guajajara. 

Após 31 anos, a APIB recebe o mesmo reconhecimento dado à União das Nações Indígenas – UNI, em 1989, por sua contribuição fundamental ao capítulo sobre os direitos indígenas da Constituição de 1988. Dom Paulo Evaristo Arns foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio em 1982.

A comitiva de lideranças indígenas da APIB, formada por Alberto Terena, Angela Kaxuyana, Célia Xakriabá, Dinaman Xakriabá, Dinaman Tuxá, Elizeu Guarani Kaiowá e Kretã Kaingang, visitou 12 países da Europa ao longo de 35 dias, nos meses de outubro e novembro de 2019, para denunciar as graves violações perpetradas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro contra os povos indígenas. Passado quase um ano, os ataques aos nossos direitos e territórios multiplicaram-se.  

As invasões em terras indígenas, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio mais do que dobraram no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, passando de 109 casos, em 2018, para 256 no ano passado – um crescimento de 135%. É o que apontou o relatório anual Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, de 216 páginas, publicado ontem pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Também houve um aumento de casos em 16 das 19 categorias de violência contra indígenas compiladas pela publicação, incluindo as “mortes por desassistência”, que passaram de 11, em 2018, para 31 em 2019, as ameaças de morte, que cresceram de oito para 33, as lesões corporais dolosas, que subiram de cinco para 13, e as mortes de crianças de zero a cinco anos, que passaram de 591, em 2018, para 825 no ano passado. 

Além das ofensivas que os povos indígenas recebem de todos os tipos de criminosos em seus territórios, agora a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil tem recebido ataques diretos do governo brasileiro. No último dia 22, a APIB protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma interpelação para que o governo brasileiro explique na justiça as mentiras que propaga e comunicou à ONU os agressões contra os povos indígenas.

“Continuaremos fazendo o som dos maracás ser ouvido em toda parte, com a ajuda de aliados brasileiros e internacionais. Continuaremos lutando em nossos territórios e comunidades, no Congresso brasileiro, no Supremo Tribunal Federal, nas cortes internacionais, e nas redes, pelo nosso direito de existir”, disse Sonia Guajajara.

Atualmente, a APIB em conjunto com organizações de base, tem coordenado os esforços no enfrentamento à pandemia de Covid-19 entre povos indígenas. Uma das frentes de trabalho é o Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena que elabora mapeamento e divulgação dos números de indígenas mortos e contaminados pelo novo coronavírus, bem como de povos impactados. Esse monitoramento é um contraponto à narrativa oficial dos órgãos do governo federal, cujos dados apontam subnotificação. O Comitê já contabilizou 829 indígenas mortos pela Covid-19, 34.402 contaminados em 158 povos indígenas. 

Fonte: Assessoria

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