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Edilene Mafra transforma sonho de infância em referência no rádio e nas novas vozes da Amazônia

No dia 25 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Rádio, data oficializada em 2025 em homenagem a Edgard Roquette-Pinto, considerado o “pai da radiodifusão brasileira”. A data reforça a importância de um meio que atravessa gerações, conecta pessoas e continua essencial para a vida pública.

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Arte: Mercadizar

Na Amazônia, onde rios substituem estradas e comunidades estão distantes dos centros urbanos, o rádio cumpre papel ainda mais vital: leva informação, cultura e cidadania a quem muitas vezes só tem o aparelho como ponte com o mundo.

É nesse contexto que se insere a trajetória da jornalista Edilene Mafra, que fez do sonho de infância uma referência na comunicação cultural e científica da região.

Da infância ao microfone

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Crédito: Arquivo pessoal

A vocação de Edilene surgiu cedo.

“Antes de tudo, acredito que, para atuar na comunicação, é preciso vocação. Desde criança eu organizava as festinhas da família e também apresentava — sinais de um caminho que já se desenhava”, relembra.

O início da carreira foi no curso de locução e apresentação da Fundação Rede Amazônica, nos anos 2000.

Lá, passou de monitora a instrutora e supervisora de estágio, até se tornar consultora. A certeza de que o rádio seria o centro de sua vida veio em 2021, nas rádios Fusão e Mall.

“No rádio, vieram fases importantes: a Rádio Amazonas FM (101,5); a Divulgação Científica pela Fapeam (Agência Fapeam), como correspondente de C,T&I em várias emissoras de Manaus; e a etapa muito querida na Rádio Difusora, no Jornal da Manhã – especial de domingo, com a coluna de cultura. De lá, segui para a Rádio CBN Amazônia, onde assino a coluna Falando de Cultura e apresento o programa Visita na CBN”, conta.

Experiência na TV e no ensino superior

A trajetória de Edilene também passou pela televisão.

“Na TV, atuei no jornalismo da Rede Amazônica e, em seguida, no Amazon Sat, como produtora, repórter, editora-chefe do Jornal da Amazônia e produtora especial de conteúdos sobre a Amazônia”, explica.

Esse percurso abriu portas para a vida acadêmica.

“Essa experiência consolidou uma trajetória acadêmica de mais de 20 anos, lecionando disciplinas técnicas e teóricas, coordenando e estruturando laboratórios e desenvolvendo pesquisas”, lembra.

Além de atuar no ensino superior privado, como professora e coordenadora de cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio, TV & Internet, Mídias Digitais e Design Gráfico, também ministrou disciplinas na UFAM, nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas.

O doutorado, concluído entre 2013 e 2017, foi um marco.

“O doutorado foi decisivo. Revi toda a minha trajetória de estudos sobre rádio e convivi com profissionais de diversas áreas do meio, especialmente no Amazonas. Foi um aprendizado que uniu vivências, experiências e saberes que não estão nos livros. Minha tese tratou da convergência tecnológica do rádio, a partir do estudo da migração das rádios AM para FM, processo que considero um dos marcos mais relevantes do rádio brasileiro nos últimos anos”.

Visita na CBN: cultura em pauta

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Crédito: Arquivo pessoal

Em 2020, Edilene criou o Portal Edilene Mafra, fruto de sua experiência em jornalismo cultural. A partir dele, surgiu a colaboração com a Rádio CBN.

“O Visita na CBN é uma colaboração com a rádio, que me confia a produção do programa. Às sextas à tarde, na coluna Falando de Cultura, levo as principais informações da semana e contextualizo seus impactos no nosso cenário. Aos sábados, recebo artistas, personalidades, profissionais e autoridades para discutir temas atuais da cultura. A proposta é aprofundar os assuntos, para que ouvintes e internautas compreendam melhor o ecossistema da economia criativa no Amazonas, sempre em linguagem leve e centrada na entrevista”.

Entre os projetos recentes, Edilene destaca o podcast Elas na Ciência, criado a partir de um edital da Fapeam.

“O podcast ‘Elas na Ciência’ foi um presente. Ele me permitiu revisitar um tema muito caro para mim: a Divulgação Científica. Foi uma honra contar a trajetória de mulheres fundamentais para a ciência no Amazonas e mostrar como elas têm contribuído para melhorar o mundo por meio de suas pesquisas. O projeto foi criado para um edital da Fapeam, alinhado à Agenda 2030 da ONU (ODS 5 — Igualdade de Gênero). No âmbito da Fapeam, a iniciativa estimula a promoção da igualdade e do empoderamento de mulheres e meninas na ciência do Amazonas”.

Além dele, criou o Resenha Cultural, dedicado a artistas amazonenses.

“Acredito que só valorizamos o que conhecemos, por isso criei esse formato para dar visibilidade aos artistas amazonenses”, explica.

Ao longo de quase 25 anos de rádio, Edilene liderou projetos de impacto, como ações em escolas públicas, rádios universitárias, experiências de rádio na praça e no parque, oficinas em comunidades ribeirinhas e iniciativas de combate às fake news.

“Agora, preparo um novo projeto que integra rádio e mídias digitais, com forte vertente social na educação, área que me move profundamente. E, em breve, revelo um grande projeto ainda em sigilo, que deve movimentar muita coisa por aqui”.

O papel do rádio na Amazônia

A pesquisadora resume sua relação com o meio em uma frase que atravessa sua tese e sua vida: “O rádio é a voz, a política, a escola, a feira, o hospital, a religião, o rádio é a Amazônia”.

“O Rádio e a Amazônia são duas paixões que atravessam a minha trajetória e a minha pesquisa. Na minha tese de doutorado, descrevo o rádio como um verdadeiro ‘sujeito social’ no território: ele informa, acolhe e organiza a vida cotidiana”, afirma.

Segundo ela, a comunicação no interior amazônico convive com múltiplas soluções: “No interior, ele convive com soluções muito próprias: alto-falantes em postes (As conhecidas Vozes), mensagens de áudio compartilhadas pelo celular, pen drives com conteúdos baixados para ouvir offline. É o rádio ‘de muitas portas’, on-line e off-line, que se adapta às condições locais sem perder a função central, por isso eu o entendo como um sujeito social.”

Esse caráter democrático é o que dá ao rádio sua força.

“Esse alcance, para mim, significa responsabilidade e Democracia. O rádio aproxima quem está longe e fala a língua das comunidades. É um elo comunitário: pela oralidade e pelo tom de conversa, o rádio funciona como telefone e carta ao mesmo tempo, conectando pessoas a longas distâncias e mantendo o traço regional da fala”.

O Dia Nacional do Rádio

Neste ano, a data ganhou reconhecimento oficial por lei. Para Edilene, a homenagem tem peso simbólico.

“Neste ano, o Brasil ganhou por lei um Dia Nacional do Rádio, celebrado em 25 de setembro em homenagem a Edgard Roquette-Pinto, que foi um conceituado acadêmico das Ciências, antropólogo, estudioso das culturas, amante de tecnologias, um dos primeiros divulgadores de Ciência no Brasil e grande defensor da Educação. Eu abraço essa data com alegria de quem vive o rádio no estúdio, na pesquisa e na rua. É um reconhecimento oficial a um meio que sempre esteve presente no cotidiano do país e que segue essencial para a nossa vida pública”.

Na Amazônia, a importância é ainda maior.

“Ele conversa com a gente como um sujeito social, entra na casa, atravessa o rio e organiza a rotina. Está no dial e no streaming, mas também nos alto-falantes da comunidade, no áudio de WhatsApp que corre de barco em barco, no aparelho simples que toca um pen drive com informação e música. Funciona online e offline, fala a língua do lugar e cria pertencimento”.

E conclui:

“O rádio sempre aprende a linguagem da tecnologia que chega e mantém a proximidade que nunca vai embora. No Dia Nacional do Rádio, minha mensagem é simples e apaixonada: cuidemos desse patrimônio vivo, democrático e adaptável. Ele segue sendo praça pública, escola e companhia, do centro da cidade às beiras do rio”.

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