Comunicação

Festival Indígenas.BR celebra culturas originárias com documentários inéditos e programação diversificada

A sexta edição do Indígenas.BR – Festival de Músicas Indígenas, realizada no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), em São Luís, celebra a diversidade e os saberes dos povos indígenas brasileiros. 

Imagem: Divulgação

Com curadoria de Magda Pucci e Djuena Tikuna, o evento oferece uma programação rica e diversa, com destaque para a estreia de documentários inéditos que retratam a vida e a resistência dos povos indígenas maranhenses. Entre os filmes exibidos, estão “Piraí – Os Cantos da Encantaria Akroá Gamella” e “Ka’apor – Guardiões dos Cantos e da Floresta”, ambos dirigidos por Djuena Tikuna e Diego Janatã.

“As músicas e performances desse festival são reflexos das jornadas de pessoas indígenas que revelam suas formas de pensar a respeito de territórios, corpos e ancestralidades. Cada canto nos conduz pelos caminhos percorridos por essas pessoas, que foram guiadas por suas próprias histórias, mostrando um modo único de habitar o mundo. O Indígenas.BR – Festival de Músicas Indígenas é uma celebração dessas vozes e sons que carregam a essência de comunidades inteiras, oferecendo uma experiência imersiva e transformadora, permitindo que todos nós, ouvintes e participantes, possamos compartilhar e aprender com a sabedoria ancestral que ressoa em cada canto”, explica a curadora Magda Pucci.

Além dos documentários, o festival se afirma como um importante espaço de preservação e debate sobre a cultura indígena, abordando temas como a preservação das línguas, a moda indígena e a transmissão de saberes ancestrais. 

A programação inclui a abertura da exposição itinerante “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação”, realizada em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, que traz para São Luís um mergulho nas línguas indígenas do Brasil, destacando as histórias e memórias desses povos através de objetos etnográficos e instalações audiovisuais.

Nesta edição, o festival desponta como um dos principais espaços de debate sobre cultura indígena no Brasil. “Desde as primeiras edições, pensamos o festival para ser uma constante dentro de nossa programação. É um espaço garantido para que os povos originários se expressem a partir da sua própria lógica de pensar e se relacionarem com o território em que vivem. O festival também é um instrumento de salvaguarda desses conhecimentos, já que conseguimos, para além das atrações ao vivo, gerar conteúdos e registros de memória”, afirma Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão.

Um dos momentos mais aguardados do festival é o lançamento do Dicionário Ilustrado Xikrin-Português, desenvolvido pelo Instituto Indígena Botiê Xikrin (IBX) em parceria com a Vale. A obra, que reúne cerca de 400 verbetes, será uma ferramenta valiosa para a educação e pesquisa nas escolas da Terra Indígena Xikrin do Cateté, no Pará, marcando uma importante contribuição para a preservação da língua e da cultura Xikrin.

Imagem: Divulgação

Outro destaque do festival é a moda indígena, que ganha espaço com o desfile “Moda Indígena” e a “Conversa Aberta Estilistas Originários”. Nesses eventos, criadores indígenas como We’e’ena Tikuna, Patricia Kamayurá e Sioduhi compartilham suas trajetórias e desafios no universo da moda, apresentando peças que combinam ancestralidade e inovação, reafirmando a identidade indígena através de suas criações.

O festival também promove a valorização de saberes em risco de extinção, como o arco de boca Kaingang, um instrumento musical raro, tocado atualmente por apenas um ancião. A oficina dedicada a esse instrumento oferece uma oportunidade única de transmissão de conhecimento para as gerações mais jovens, fortalecendo a cultura e as tradições do povo Kaingang.

A abertura do Indígenas.BR foi marcada por uma emocionante apresentação da cantora Djuena Tikuna no Teatro Arthur Azevedo, onde ela performou músicas de seu último álbum, “Torü Wiyaegü”. O espetáculo contou com a participação de outros artistas indígenas, consolidando o festival como um espaço de celebração da música, da resistência e da cultura dos povos originários. Toda a programação é gratuita e segue até o dia 10 de agosto, no CCVM, em São Luís.

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