A primeira edição da Semana Dudu da Floresta – Sociobiodiversidade e Bem-Viver será realizada a partir da próxima quarta-feira (9) a 13 de setembro, na Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança, em Curralinho, no arquipélago do Marajó (PA). O evento reunirá comunidades tradicionais, instituições públicas, universidades e organizações da sociedade civil para discutir a defesa dos territórios, a valorização da sociobiodiversidade e os direitos das populações extrativistas.

A programação foi organizada para aproximar a memória de Dudu dos desafios enfrentados atualmente pelas comunidades do Marajó. Ao longo de cinco dias, seminários e vivências comunitárias vão abordar temas como regularização fundiária, governança territorial, economia da floresta e valorização dos saberes locais.
Programação
09/09: Seminário dos Projetos de Assentamentos Extrativistas de Curralinho – O encontro vai abordar temas como organização comunitária, regularização fundiária e governança territorial, questões diretamente relacionadas à permanência e à autonomia das comunidades extrativistas;
11/09: Vivências Comunitárias – Imersão na região, com visitas guiadas sobre a história local, produção do açaí, pesca artesanal, extrativismo e turismo de base comunitária;
12/09: Seminário Economia da Floresta – Discussões sobre povos da floresta, sociobiodiversidade, valor público e serviços ecossistêmicos para o bem comum;
13/09: Encerramento – Festividade da Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança.
Dudu da Floresta
Natural da região onde hoje está localizada a Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança, Dudu da Floresta teve uma trajetória marcada pela organização comunitária e pela defesa das populações extrativistas de Curralinho. Sua atuação esteve ligada à criação da primeira associação comunitária do Rio Canaticú, ao manejo sustentável do açaí e à luta pela proteção dos rios, do meio ambiente e dos territórios tradicionais.

A atuação de Dudu também ganhou continuidade dentro da própria família. Ao lado de Dona Célia, ele transmitiu aos filhos valores ligados à defesa das populações tradicionais, das mulheres extrativistas e da sociobiodiversidade amazônica, mantendo presente uma trajetória construída a partir da organização comunitária e do cuidado com o território.
Para Letícia Moraes, vice-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), filha de Dudu e uma das organizadoras da Semana, o evento também representa uma oportunidade de dar visibilidade a uma trajetória que, durante anos, permaneceu pouco conhecida fora das comunidades.
“É um momento em que faremos um amplo debate sobre o legado deixado pelo meu pai, uma liderança comunitária que por muito tempo viveu no anonimato, mas que teve uma contribuição gigantesca para a luta do movimento das populações extrativistas, para a organização do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Curralinho, para a criação da primeira associação comunitária do Rio Canaticú e para o manejo sustentável do açaí”, ressaltou Letícia.

A iniciativa é organizada pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), pela Cooperativa dos Produtores Extrativistas do Rio Pagão, pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Universidade de Brasília (UnB), com participação de instituições convidadas, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto Federal do Pará (IFPA).