Lançado pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), o “Poranga Marandúa” é o primeiro Manual de Redação Indígena elaborado por profissionais indígenas no Brasil. Construído por 65 comunicadores de 45 povos, o documento reúne diretrizes para qualificar a cobertura jornalística sobre os povos originários e enfrentar práticas que reforçam estereótipos e desinformação. O manual está disponível através do link: Manual de Redação do Jornalismo Indígena.pdf

O manual começou a ser construído em 2025, após comunicadores indígenas compartilharem experiências sobre os desafios enfrentados nas redações e na cobertura dos povos originários.
O resultado é um documento que reúne orientações práticas para qualificar o trabalho jornalístico e fortalecer uma representação mais precisa das comunidades.
O documento também resgata a trajetória da comunicação indígena no Brasil, destacando marcos como a articulação de lideranças a partir da década de 1970, a atuação do líder indígena Mário Juruna nos anos 1980, o surgimento de iniciativas como a Rádio Yandê e a Mídia Índia, além do trabalho de comunicadores indígenas no combate à desinformação durante a pandemia de Covid-19.
Objetivos
Entre os principais objetivos do “Poranga Marandúa” está transformar a forma como a imprensa se relaciona com as pautas indígenas.
O manual reforça que a cobertura dos povos originários não deve ficar limitada a temas ambientais ou territoriais, já que essas populações também estão presentes em debates sobre cultura, saúde, educação, política e outros campos da sociedade.
Entre as diretrizes do “Poranga Marandúa” estão orientações sobre linguagem, representação e relação com as fontes indígenas. O manual chama atenção para a importância de respeitar a forma correta de nomear os povos, reconhecer a diversidade das identidades indígenas e evitar estereótipos que ainda aparecem na cobertura jornalística.
A publicação também reforça a necessidade de uma apuração cuidadosa nos territórios, considerando os tempos e as dinâmicas de cada comunidade, além da consulta a diferentes representantes para garantir uma abordagem mais precisa sobre os povos originários.