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Dia da Imigração Japonesa: legado centenário segue presente na cultura e na economia da Amazônia

O Amazonas possui data própria para homenagear a chegada dos primeiros imigrantes japoneses e relembra um legado que ajudou a transformar a agricultura, a economia e a cultura amazonense

No dia 18 de junho é celebrado o Dia Nacional da Imigração Japonesa, data que marca a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos (SP), em 1908, trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. No Amazonas, porém, a homenagem acontece em outra data. Desde 2024, o estado celebra oficialmente o Dia da Imigração Japonesa em 20 de junho, em referência à chegada dos primeiros japoneses ao território amazonense.

Mais de um século depois da chegada do Kasato Maru, o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes japoneses fora do Japão. Estima-se que cerca de 2 milhões de nikkeis vivam no país, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Na Amazônia, a presença japonesa ajudou a moldar atividades econômicas, impulsionou a agricultura e deixou marcas que permanecem vivas na cultura e no cotidiano da região.

Foi justamente para reconhecer essa trajetória própria que o Amazonas instituiu uma data estadual para celebrar a imigração japonesa. A mudança foi oficializada por meio da Lei Ordinária nº 6.683 e faz referência à chegada, em 1930, dos primeiros imigrantes japoneses ao município de Maués. Diferentemente de outras regiões do país, onde a imigração esteve inicialmente ligada às lavouras de café, no Amazonas os japoneses encontraram na floresta e nos rios um cenário completamente diferente, precisando adaptar técnicas agrícolas e modos de vida à realidade amazônica.

Os primeiros grupos se estabeleceram em Maués, onde passaram a atuar no cultivo do guaraná. A experiência marcou o início da presença japonesa no estado e abriu caminho para novas iniciativas agrícolas que seriam desenvolvidas nas décadas seguintes em outras regiões do Amazonas.

Pouco tempo depois, entre 1931 e 1933, novos grupos de imigrantes chegaram a Parintins e fundaram a Vila Amazônia, uma das experiências de colonização japonesa mais conhecidas da região Norte. Foi ali que os chamados koutakuseis — jovens formados em escolas agrícolas do Japão — ajudaram a introduzir e adaptar o cultivo da juta indiana às condições amazônicas.

Da agricultura à cultura: o legado japonês no Amazonas

A juta foi uma das culturas que mais transformaram a economia amazonense ao longo do século XX. A fibra vegetal era utilizada principalmente na fabricação de sacas para transporte e armazenamento de produtos agrícolas, como café, arroz e grãos. Durante décadas, a atividade gerou emprego e renda para milhares de famílias da região. Atualmente, a juta continua sendo utilizada na produção de embalagens biodegradáveis, artesanato e produtos sustentáveis feitos com fibras naturais.

Além de Maués e Parintins, a presença japonesa se expandiu para localidades como Iranduba e Manaus. Nessas regiões, os imigrantes e seus descendentes contribuíram para o desenvolvimento da horticultura, da fruticultura e da criação de aves, introduzindo técnicas de cultivo e organização produtiva que influenciaram a agricultura local.

A herança japonesa, no entanto, vai muito além do campo. Em Manaus, um dos principais símbolos dessa presença é a Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku), fundada em 1976. A entidade atua na preservação da cultura japonesa por meio de atividades educacionais, esportivas e culturais, além de servir como ponto de encontro da comunidade nipo-brasileira no estado.

Entre os eventos mais conhecidos promovidos pela comunidade está o Jungle Matsuri, considerado um dos maiores festivais de cultura japonesa da Região Norte. A programação reúne gastronomia, apresentações musicais, danças tradicionais, concursos culturais e atividades ligadas à cultura pop japonesa.

Essa influência também pode ser percebida entre as novas gerações. Eventos de anime, cosplay, música japonesa e cultura geek atraem milhares de participantes em Manaus e ajudam a manter vivo o interesse por tradições que chegaram ao Amazonas há quase um século.

Outro exemplo está na educação. A capital amazonense abriga a primeira escola pública bilíngue português-japonês do Brasil, a Escola Estadual de Tempo Integral Djalma da Cunha Batista, que desenvolve atividades voltadas ao ensino da língua e à difusão da cultura japonesa.

Onde está a comunidade japonesa hoje

Segundo dados de entidades ligadas à comunidade nikkei, os maiores núcleos de descendentes japoneses do país estão concentrados principalmente nos estados de São Paulo e Paraná. Na Amazônia, a presença histórica continua especialmente ligada a municípios como Maués, Parintins e Manaus, onde ainda existem famílias descendentes dos primeiros imigrantes que chegaram à região.

Quase um século após a chegada dos primeiros japoneses ao Amazonas, marcas dessa história permanecem presentes no estado. Do cultivo do guaraná em Maués à antiga produção de juta em Parintins, passando por instituições como a Nippaku e festivais que continuam mobilizando milhares de pessoas, a influência japonesa segue integrada ao cotidiano e à identidade cultural amazonense.

#MercadizarIndica: Saburo

O #MercadizarIndica a história em quadrinhos “Saburo”, escrita pelo paraense Ricardo Ono. A obra traz a história da imigração japonesa para a Amazônia em formato de graphic novel, e acompanha a vida de Saburo Ono, avô de Ricardo, japonês que migrou para a Amazônia na década de 1930. 

“Saburo” foi inicialmente apresentada como tese de doutorado de Ricardo Ono, e traz fatos sobre as consequências da guerra russo-japonesa e sua influência no início dos projetos de imigração do país em direção ao Brasil. No livro, os protagonistas passam por lugares conhecidos da região como a Vila Amazônia, Parintins, Barreirinha, Manaus, entre outros, mostrando a história do início da formação das colônias japonesas na Amazônia, a preparação dos japoneses que viriam ao Brasil, a viagem, a adaptação, e os encontros de costumes e culturas. 

“Saburo” conta ainda um pouco sobre o início do cultivo de juta e outros cultivos na região. No fim do livro, Ricardo Ono enriquece mais ainda a obra ao trazer fatos, histórias da família, fotografias, memórias, registros e outras informações que dão maior embasamento histórico à HQ.

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