A partir do próximo dia 28 de junho, a cena de histórias em quadrinhos produzida e fomentada na Amazônia ganha oficialmente o topo do cenário nacional. O Circuito Amazônico de Quadrinhos foi anunciado como o grande vencedor do Prêmio Jayme Cortez na 42ª edição do Troféu Angelo Agostini, uma das premiações mais tradicionais do universo das HQs no país. A entrega oficial do troféu será realizada na Casa de Cultura do Butantã, em São Paulo, consagrando a iniciativa pela descentralização e fortalecimento da cultura editorial no Norte.

Foto: Divulgação/Circuito Amazônico de Quadrinhos
A proposta busca valorizar a produção autoral e dar visibilidade à região, além de devolver protagonismo a profissionais que, historicamente, enfrentam barreiras geográficas e econômicas para acessar os grandes eixos editoriais do Sudeste brasileiro.
Segundo um dos idealizadores do Circuito e organizador da Semana do Quadrinho Nacional do Pará, Andrei Miralha, a ação coletiva pretende consolidar a presença dos artistas nortistas no mercado nacional.
“Recebemos esse prêmio com muito orgulho e alegria, pois pela primeira vez um evento nortista recebe uma premiação como essa. O Circuito tem uma característica inédita no país por abranger cinco estados do Norte. É um evento organizado por quadrinistas para quadrinistas, com o objetivo de valorizar a produção autoral e dar visibilidade à Amazônia. Nossa intenção era colocar o Norte na rota nacional. Acho que conseguimos!”, afirma.

Foto: Divulgação/Circuito Amazônico de Quadrinhos
Prestígio institucional e fomento
Diferente das categorias voltadas a lançamentos editoriais específicos, o Prêmio Jayme Cortez possui caráter institucional e honorífico. A categoria é destinada a reconhecer pessoas, obras ou instituições que ofereceram apoio e fomento indispensáveis para a difusão e valorização do quadrinho nacional ao longo do ano.
O projeto, que teve sua primeira edição em 2025, funciona de forma itinerante e colaborativa, integrando programações, oficinas e feiras de artistas. Em seu primeiro ano, marcou presença em Manaus (AM), Belém (PA), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Palmas (TO). Em 2026, a cidade de Parintins (AM) também passou a integrar a rota regional.
Para Evaldo Vasconcelos, organizador da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus e também idealizador do projeto, o prêmio representa a força da identidade local. “Esse reconhecimento é fruto do talento gigantesco dos artistas do Norte e do apoio fundamental de toda a cena de quadrinhos. Estamos mostrando para o país a Amazônia contada pelos próprios nortistas!”, celebra.
Em Manaus, as ações da rota regional contam com o apoio direto do portal Mercadizar, que integra a organização local do Circuito, unindo forças para a ampliação do alcance e cobertura da produção cultural amazonense.

Foto: Divulgação/Circuito Amazônico de Quadrinhos
Fortalecimento contra a invisibilidade histórica
A união entre os estados foi o pilar para que o projeto ganhasse relevância. Em Roraima, o organizador da feira local, Rhafael Porto, reforça o sentimento de coletividade: “Só posso agradecer. Somos o ‘Norte pelo Norte e para o Norte’”. No Amapá, os organizadores Aynan Del Tetto e João Vinicius apontam que a premiação é uma ferramenta direta para enfrentar o apagamento histórico dos artistas amazônicos.
O impacto também se estende ao Tocantins, onde a Feira Teiú de Quadrinho Brasileiro integra o movimento. Para o organizador Pablo Marquinho, a premiação chancela um resultado que já era percebido na prática. “Essa premiação é um reconhecimento oficial de um trabalho que percebemos a dimensão e resultados in loco”, destaca.