O Boi Caprichoso anunciou, na noite de ontem (17), a artista visual Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item “Tuxaua” no Festival de Parintins. O anúncio representa um marco na história da festa e reconhece uma trajetória construída entre os palcos, ateliês e manifestações culturais da ilha.

A artista assume um dos itens mais tradicionais do espetáculo folclórico, responsável por representar liderança, força e ancestralidade indígena na arena do Bumbódromo.
O anúncio também evidencia a presença de novos nomes na construção do espetáculo azul e branco.
Com experiência nos palcos e nos bastidores, Lup acumula passagens por grupos de dança, agremiações folclóricas e ateliês ligados ao boi.
Segundo a artista, a oportunidade carrega um significado que ultrapassa a realização individual.
“Assumir esse item é levar a nossa voz, a nossa estética e a nossa resistência para o centro do espetáculo”, afirma Lup Moara.

Trajetória de Lup Moara
A formação artística de Lup Moara começou na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, a tradicional Escolinha de Arte do Caprichoso. Ao longo dos anos, ela também integrou o Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e participou de diferentes projetos culturais da ilha.
Entre essas experiências, Lup atuou nas Pastorinhas e integrou bois mirins, além de ganhar destaque como Porta-Estandarte e Cunhã-Poranga do Boi-Bumbá Rasgadinho, uma das agremiações folclóricas mais tradicionais da cidade.
Com o passar dos anos, Lup ampliou sua atuação para além da arena. A convivência nos galpões e ateliês do Caprichoso abriu caminho para uma carreira ligada à criação de figurinos e indumentárias para o espetáculo.
Em 2018, assinou seu primeiro trabalho como artista de figurino. Dois anos depois, passou a atuar diretamente na produção e criação de indumentárias para as apresentações do Caprichoso no Festival de Parintins.