
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) intensificou a orientação a mulheres sobre como agir em casos de violência digital. Na última terça-feira (24), o Senado aprovou um projeto de lei que criminaliza a misoginia e a equipara a prática ao crime de racismo.
O alerta surge em meio ao avanço de discursos de ódio contra mulheres, especialmente nas redes sociais.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), a defensoria pública Caroline Braz, a violência digital abrange mulheres de diferentes formas, mas tem como objetivo constranger e intimidar as vítimas.
“No último ano, tivemos um aumento expressivo no número de denúncias de mulheres vítimas desse tipo de violência virtual. Se você conhece alguém ou está passando por uma situação assim, procure a Defensoria Pública”, afirmou.
Tipos de violência digital contra mulheres
Entre as formas mais recorrentes de violência digital contra mulheres estão práticas que envolvem perseguição, constrangimento e ameaça.
- Stalking (perseguição): monitoramento, mensagens insistentes e vigilância da rotina da vítima por redes sociais e aplicativos;
- Assédio online: comentários ofensivos, mensagens abusivas e ataques com base na aparência ou comportamento;
- Extorsão sexual: ameaça divulgar fotos ou vídeos íntimos para constranger ou obter vantagens.
Defensoria alerta sobre o Movimento Red Pill
O avanço de grupos ligados ao movimento “red pill” também tem preocupado autoridades e organizações de defesa das mulheres. Esse movimento têm ganhado espaço na internet, propagando conteúdos com discurso misógino e de desvalorização das mulheres.
Essas comunidades têm sido apontadas como um fator de preocupação por incentivar comportamentos hostis no ambiente digital, principalmente entre adolescentes.
Entre os temas mais recorrentes estão críticas aos direitos das mulheres, relações afetivas e papéis de gênero.
Caroline Braz reforça que o cenário exige atenção. “É muito assustador o que está acontecendo e estamos aguardando uma atuação legislativa para que esses movimentos Red Pill possam ser criminalizados, porque são essas sementes plantadas que estão impulsionando a agressividade nos homens. Nós atendemos mulheres vítimas desse discurso de ódio, então é preciso coibir essas condutas misóginas”, complementou a coordenadora.
Vítimas de violência digital podem registrar boletim de ocorrência em uma das unidades da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM). O atendimento também está disponível no Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), com suporte jurídico, social e psicológico.