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Matapi encerra 8ª edição com rede pan-amazônico para o audiovisual e justiça climática

Edição histórica realizada em Alter do Chão (PA) reuniu artistas, produtores e comunicadores para fortalecer o cinema das Amazônias e discutir soluções para a crise climática

O Matapi – Mercado Audiovisual das Amazônias encerrou sua oitava edição com um marco inédito para o setor cultural e ambiental da região: a criação de uma rede pan-amazônica de cooperação audiovisual voltada para o enfrentamento das emergências climáticas.

Realizado de 16 a 19 de outubro, em Alter do Chão (PA), o encontro reuniu artistas, produtores, comunicadores, mobilizadores culturais e lideranças que atuam em diferentes territórios da Amazônia.

Pela primeira vez fora de Manaus, o evento adotou um formato imersivo e colaborativo, reforçando o protagonismo amazônico em um momento decisivo para o planeta. A escolha do local foi simbólica: Alter do Chão, uma das comunidades mais conhecidas do Pará, tornou-se o ponto de convergência para um diálogo que uniu cultura, meio ambiente e futuro sustentável, às vésperas da COP-30, que será realizada em Belém, no próximo ano.

Um pacto pela Amazônia e pelo audiovisual

Durante quatro dias, os participantes trabalharam na construção de um protocolo de intenções e de uma carta de princípios em defesa do fortalecimento do audiovisual nas Amazônias.

A iniciativa resultou em um documento coletivo que será lançado oficialmente durante a COP-30, consolidando a formação de uma rede pan-amazônica voltada à cooperação e à difusão das produções regionais.

O Matapi especial Climate Story Lab Amazônia foi promovido pela Leão do Norte Produções Audiovisuais e pela Casa Ninja Amazônia, com co-realização do Instituto Audiovisual em Todos os Eixos.

O evento contou com patrocínio da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Governo Federal, além de apoio da Doc Society, The Climate Story Unit, Projeto Paradiso e Projeto Saúde e Alegria (PSA), referência em iniciativas de desenvolvimento comunitário sustentável.

Para Carlos Barbosa, um dos organizadores, o encontro representou um momento de virada para o audiovisual amazônico.

“A gente está muito feliz com essa edição especial do Matapi, que renova parcerias e abre novos caminhos. É a primeira vez que saímos de Manaus e, de alguma forma, esse movimento também representa um amadurecimento do evento. Para além de um mercado, nos afirmamos como uma plataforma de articulação entre as Amazônias”, afirmou.

Escuta, trocas e construção coletiva

matapi
Crédito: Bárbara Vale/Matapi

Com um formato de imersão, o Matapi priorizou a escuta ativa e a convivência entre os participantes. A metodologia buscou criar um espaço de diálogo genuíno, em que cada representante pudesse compartilhar experiências e realidades distintas da Amazônia.

Segundo Clemilson Farias, o objetivo foi criar um ambiente de acolhimento e reconhecimento mútuo.

“Estamos no mesmo território e atuamos no mesmo campo, mas as distâncias na Amazônia se apresentam de muitas formas. Se encontrar e se escutar é essencial para construir uma rede de verdade”, explicou.

Os participantes também mapearam experiências e metodologias de seus territórios, identificando desafios e oportunidades para consolidar uma rede colaborativa de produção e difusão audiovisual.

Para Rodrigo Antônio, coordenador de metodologia, o encontro foi um passo decisivo na construção de uma rede permanente.

“Foi um encontro muito produtivo, primeiro pela possibilidade de se ver e se escutar. Depois, mapeamos ações para identificar pontos de convergência e cooperação. Nosso objetivo é estruturar um protocolo de intenções com princípios e ações de longo prazo em prol do fortalecimento do protagonismo pan-amazônico”, destacou.

Cultura e clima

As discussões sobre as emergências climáticas estiveram no centro da programação. Em rodas de conversa e atividades colaborativas, artistas, coletivos e comunicadores refletiram sobre o papel da cultura e do audiovisual na criação de soluções e narrativas para enfrentar as mudanças do clima.

Para Karla Martins, também organizadora do Matapi, essa conexão é essencial e urgente.

“Não tem como pensar cultura sem entender as emergências climáticas. É na cultura que encontraremos soluções — dos povos originários, das populações tradicionais, dos coletivos que resistem. O cinema e o audiovisual abrem possibilidades reais de respostas narrativas para as questões de justiça climática”, afirmou.

A oitava edição do Matapi reuniu cerca de trinta representantes de diferentes países e organizações da Pan-Amazônia. Juntos, eles elaboraram um documento estratégico que mapeia expertises, define objetivos de colaboração e estabelece um plano de ações conjuntas para circulação, cooperação e coprodução audiovisual.

O movimento coletivo busca fortalecer o protagonismo amazônico e promover uma incidência cultural e política mais estratégica para além das fronteiras nacionais.

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