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Brasil enfrenta seca grave, com mínimas históricas em rios da região amazônica e no Pantanal

O Brasil enfrenta uma das secas mais severas de sua história, com níveis recordes de baixa nos principais rios da região amazônica e do Pantanal, incluindo os rios Solimões, Acre, Paraguai, Madeira e Tapajós. 

Imagem: Reprodução/ Internet

Monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta que as cotas de água atingiram mínimas históricas, como no Rio Acre, que registrou 1,23 metros em Rio Branco (AC), e no Rio Paraguai, que chegou a apenas 24 centímetros em Barra do Bugres (MT). A tendência é que a redução continue nas próximas semanas, impactando drasticamente o abastecimento e a navegação nas regiões afetadas.

“A seca no braço direito do Rio Amazonas e no Pantanal está fazendo com que os níveis dos rios atinjam marcas históricas. A tendência é que essa redução continue nas próximas semanas, em várias regiões”, alerta o pesquisador em geociências Artur Matos, coordenador nacional do Sistema de Alerta Hidrológico.

O monitoramento dos rios é realizado por estações telemétricas e convencionais da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela ANA. O SGB opera 80% dessas estações, fornecendo dados para a prevenção de desastres, gestão de recursos hídricos e pesquisas. As informações são coletadas por equipamentos automáticos ou observações e disponibilizadas no Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) e na plataforma SACE.

Nesta segunda-feira, 23 de setembro, o Rio Solimões chegou à marca de -2,28 m em Tabatinga (AM), 7,72 m em Fonte Boa (AM) e 1,4 m em Itapéua (AM). “Essa situação pode impactar outros trechos da calha. O Rio Solimões, em Manacapuru (AM), e o Rio Negro, em Manaus (AM), têm grandes chances de registrar mínimas históricas neste ano”.

A cota do Madeira reduziu para 25 cm em Porto Velho (RO), e o Tapajós alcançou 1,17 m em Itaituba (PA). No sábado (21), o Rio Acre registrou a mínima histórica de 1,23 m na capital, Rio Branco (AC). Na quinta-feira (19), o Rio Araguaia chegou a 2,97 m em São Félix do Araguaia (MT).

O cenário também é grave no Pantanal. Em Barra do Bugres (MT), o Rio Paraguai chegou a 24 cm, nível mais baixo desde 1966. Em Ladário (MS) – estação de referência, com 124 anos de dados históricos – a cota atual é de -41 cm, apenas 20 cm acima da mínima histórica, que é de -61 cm, registrada em 1964.

Cotas abaixo de zero não indicam que o rio está seco, mas são baseadas em medições históricas locais. Mesmo com valores negativos, rios ainda podem ter profundidade significativa, como no caso do Rio Paraguai em Ladário, que registra cerca de 5 metros de profundidade.

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