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#MercadizarExplica: Comunicação Responsável: abordagem de falecimentos na mídia

No dia 16 de maio de 2021, o cantor de funk Mc Kevin faleceu depois de cair da varanda do 5º andar de um hotel na Barra da Tijuca, bairro do Rio de Janeiro. Após sua morte vários veículos de comunicação, em especial perfis nas redes sociais divulgaram os desdobramentos do caso, logo as teles estavam sendo inundadas com informações sobre a vida de Kevin, o que abriu um espaço para a reflexão sobre como anda sendo feita a abordagem sobre falecimentos na mídia. 

Com o advento das tecnologias digitais, os jornais precisaram se adaptar para informar no tempo em que a notícia já não tenha circulado e se tornado algo defasado. Porém, o problema de alguns desses jornais e blogs de notícias é que com essa pressa, pode acontecer de ignorarem os protocolos de ética e moral que os jornalistas se comprometem quando entram na profissão.

Tanto os jornalistas graduados quanto os não graduados estão inclusos nesse ponto, pois em ambos os casos pode haver a ausência de preocupação com o teor da informação passada às pressas, que, na ânsia pelo “furo jornalístico”, ocasionam na divulgação de informações inapropriadas, como o caso de falecimentos.

Esse é um dos conteúdos mais frequentes nos meios de comunicação que, quando noticiado de forma indevida, desrespeita a privacidade de pessoas anônimas e celebridades, assim como a dos familiares. Isso porque o impulso para ser um dos primeiros a divulgar e receber cliques pode fazer com os que familiares recebam a informação de forma cruel, podendo tornar a dor do luto ainda maior.

Pensando nesses erros de responsabilidade da imprensa ao abordar falecimentos, deixamos aqui um manual com algumas principais dicas de o que é indevido ao publicar óbitos e como ter uma comunicação responsável ao noticiar esse tema sensível.

Atitudes de desrespeito ao comunicar falecimento

Esse é um momento de dor para muitos amigos e familiares, seja com o fato de a pessoa estar internada em hospital há tempo, seja para uma morte repentina.

Ter o emocional minimamente preparado para receber a notícia é no mínimo fundamental, sendo assim, divulgar o óbito antes do pronunciamento oficial e não esperar que os familiares sejam informados primeiro são formas de grande irresponsabilidade da imprensa, bem como noticiar informações incompletas, divulgar informações pessoais sem a permissão dos familiares e utilizar de títulos sensacionalistas para obter cliques na matéria.

Atitudes de responsabilidade ao divulgar falecimentos

Tendo em mente logo os primeiros erros que não devem ser cometidos ao informar óbitos de celebridades ou anônimos fica mais fácil captar como informar com empatia e respeito o fato ocorrido.

Para isso, é necessário que, quando o conteúdo sobre a fatalidade for de teor forte, é necessário se fazer presente a frase de alerta como “conteúdo sensível” antes de iniciar a matéria. Assim, o leitor fica ciente de que a informação pode ser pesada para seu emocional.

Outras atitudes a serem tomadas são: a divulgação de informações verídicas e completas, autorização de familiares ou assessores para informações sigilosas, não divulgação de conteúdo em mídia íntimos como fotos e vídeos do ocorrido ou da pessoa debilitada, assim como o cuidado com o título e palavras na matéria.

Os cuidados para noticiar suicídios

A temática suicídio em exposição de matérias jornalísticas é algo com que o cuidado deve ser redobrado, visto que elas podem gerar gatilhos emocionais e serem reproduzidas por quem já está predisposto e com o emocional abalado por inúmeros motivos. Assim como também pode abalar a saúde mental de quem não possui o emocional tão abalado quanto o primeiro caso.

Tendo em mente a proporção de suicídios em algumas localidades brasileiras e a forma errônea como a mídia às vezes a transmite, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou e divulgou um manual de comportamentos de como a imprensa deve se portar ao tratar desse tema.

Denominado “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia”, algumas das recomendações são:

Não divulgar a informação sem que os familiares sejam informados primeiro ou antes da nota oficial da assessoria. Também utilizar da frase “conteúdo sensível” para deixar o leitor ciente, não divulgar o método utilizado para o feito, assim como as fotos, cartas ou vídeos de despedida. Pontos como: evitar julgamentos morais e visões simplistas sobre a motivação, realizar coberturas sensacionalistas com glamourização da pessoa também devem ser descartados no decorrer da transmissão das informações.

As matérias, impressas ou audiovisuais, devem fornecer, de preferência ao final do conteúdo, listas de serviços de saúde mental, telefones e endereços de onde possa obter ajuda psicológica, assim como também deve informar quais os sinais de depressão para ficar alerta ao procurar ajuda.

Os jornalistas e a imprensa, como veículo de informação, precisam se colocar como ferramentas de empatia e entender que no momento de luto é necessário respeito com a pessoa que partiu, com os familiares e com os leitores. É ela, no momento de divulgar a informação, principalmente em caso de celebridades, que irá propor a empatia entre o sujeito-notícia e os leitores/telespectadores. O meio de transmitir o ocorrido precisa sempre estar acompanhado de responsabilidade.

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