Ícones Femininos: uma maneira diferente de se posicionar

Por
Ana Rafaela Viana
Há 4 meses atrás
Quem é Ana Rafaela Viana?

Publicitária apaixonada por escrita e otaku perdida em um mundo 3D.



A publicidade atual é composta por uma série de experiências, tendo como principais protagonistas, as pessoas. Figuras importantes para a história da cultura pop ajudaram a moldar conhecimentos, como o surgimento de influenciadores, a estética de peças e posicionamento de marca. A seguir, vamos conhecer mais sobre o movimento e algumas personalidades femininas marcantes para esse mundo.

“Ela tem origem da Pop Art dos anos 60”, diz, sobre a cultura pop, o professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie. Essencialmente gerada das artes plásticas, tem o protagonismo do artista Andy Warhol, famoso por representar figuras famosas em suas obras, como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor.

Conforme mais palavras do professor, a cultura pop surgiu dos meios de comunicação, com o objetivo de se relacionar com a arte erudita, através da pintura, escultura, música, dança e literatura. “É uma representação artística que tem grande difusão na mídia e que aspira atingir um público cada vez maior”, explica, retrucando a semelhança com a cultura de massa.

Para o fortalecimento de um mercado para um determinado público, Judy Garland fez história como Dorothy, do Mágico de Oz, na década de 30. Em sua carreira, tornou-se uma importante figura para os moldes do cinema, estética, e principalmente para o movimento LGBTQI+. Em 1969, a atriz faleceu, deixando seus amigos e admiradores do bar Stonewall Inn, de Nova Iorque, desolados. O lugar era frequentado por membros da comunidade LBGTQI+, que frequentemente passavam por preconceituosas batidas policiais; lembrando que até 1962, ser homossexual era considerado crime, bem como homens caracterizados de mulher.

O sentimento de insatisfação, luto e revolta tomou conta dos membros do bar na batida seguinte, que acabaram reagindo contra os policiais. Tudo isso aconteceu em 28 de junho daquele ano, atualmente conhecido como o Dia do Orgulho LGBTQI+. A partir do episódio, a comunidade se fortaleceu cada vez mais, tomando um espaço de maior relevância no mercado, como o que conhecemos hoje.

Para a década de 40, podemos citar como destaques as artistas Bette Davis e Joan Crawford, lembradas como mulheres de forte personalidade. Joan Crawford protagonizou o filme “Mildred Pierce” com ombreiras vistas como “masculinas” para a época, por exemplo, influenciando no setor da moda e na ruptura dos padrões femininos na época. Apesar de Bette Davis e Joan Crawford terem tido suas diferenças fora das telas, ambas se uniram na obra “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, após esnobadas pela indústria Hollywoodiana, em razão de suas idades acima dos 50. O filme fez sucesso e é lembrado até hoje como um clássico.

Ainda na década de 40, Lena Horne era uma cantora e atriz norte-americana, pioneira na luta contra o racismo nos Estados Unidos. Foi criada por uma família de ativistas, e logo assumiu seu lugar em movimentos progressistas, o que a tornou uma figura pública muito envolvida socialmente, principalmente por dar mais voz às pessoas pretas. Partindo para os anos 50, temos Marilyn Monroe como protagonista da “década das loiras”. Chamava atenção por representar delicadeza e sensualidade. Embora sua personalidade na mídia fizesse muito sucesso, a atriz tentava livrar-se do estigma de “loira burra”, juntamente aos seus problemas com homens e inseguranças.

Os anos 60 foram marcados pelo sucesso das The Supremes, Tina Turner e Barbara Streisand. O grupo era composto por Florence Ballard, Mary Wilson e Diana Ross, que logo mais viria a ter uma bem-sucedida carreira solo. As três cantoras pretas contribuíram, sob influência de Etta James, para o cenário do jazz, soul e até mesmo pop, assim como Tina Turner, protagonista de uma vida marcada por episódios de violência doméstica e um legado musical que perdura até hoje. A década de 70 foi representada pelas carreiras solo de Diana Ross, Dolly Parton e Farrah Fawcett, artistas de diferentes narrativas musicais que conquistaram a indústria.

Madonna foi um dos destaques dos anos 80. Sem medo de mostrar posicionamento em causas sociais, envolveu-se em movimentos a favor do meio ambiente, respeito aos direitos humanos e direito das mulheres, desde a expressão da sexualidade feminina em Erotica e no livro Sex, até o suporte em pautas do que se é discutido hoje no feminismo, como a desigualdade entre etnias e classe social. Em diversas entrevistas, Madonna mostra intolerância a comentários de cunho machista e não deixa de se posicionar ao presenciar ações que confrontam as causas em que acredita.

Em 2012, na Rússia, na turnê “MDNA”, as autoridades prenderam em torno de 20 homens acusados de infringirem as leis do país, cuja legislação proíbe demonstrações públicas à homossexualidade. Madonna denunciou a atitude no show, lhe custando mais de U$ 10 milhões em processo. A atividade progressista da cantora perdura com ações voltadas às minorias e um trabalho musical de firme discurso à causa.

Viajamos no tempo entre importantes figuras femininas, para responder uma única pergunta: como todas essas figuras atuaram em aspectos da publicidade? Todos os exemplos artísticos citados possuem duas coisas em comum: envolvimento e influência. Sabemos como a voz de um artista retém bastante poder, por isso, por que não transformar essas vozes em persona para um posicionamento de marca?

O público é influenciado e envolvido pelas opiniões de quem admira, seguindo não só seus trabalhos, como personalidades também. A influência de cada enredo citado acima pode ser refletida na estética de peças publicitárias e na persona escolhida para o posicionamento de marca. Dependendo de onde seu posicionamento está, poderá causar impacto no público que deseja alcançar, seja com a agressividade da atuação de Joan Crawford em “Mommie Dearest”, bem como com a delicadeza de Marilyn Monroe.


Essa é uma opinião do autor e não do Portal Mercadizar.


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