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Problemáticas das Paralimpíadas 

Desde sua estreia em 1960, as Paralímpiadas possuem mais de 15 edições. Cada evento reflete o tempo em que vivemos e revela nas entrelinhas conquistas e valores da sociedade naquele momento. Nesse sentido, o que Tóquio 2021 nos trouxe de reflexões. 

Além das exigências recorrentes, como o aumento da acessibilidade na transmissão dos jogos, disponibilização das partidas em audiodescrição e janelas de libra.  Ao longo de 13 dias de transmissão, a principal reflexão foi: quantas pessoas PCD’s estavam envolvidas no processo de produção e planejamento desse evento? Ou por que o discurso capacitista ainda é reproduzido pelos narradores da competição?

De acordo com Censo 2010 do IBGE, só no Brasil, quase um quarto da população declarou ter algum tipo de deficiência, são aproximadamente 50 milhões de pessoas que apesar desses números, sofrem discriminação em quase todos os níveis da sociedade. O capacitismo, assim como outras formas de preconceito e opressão, está enraizado no pensamento social, sendo muito usado para diminuir pessoas com deficiência em relação às suas capacidades. Ideias como “Eles são exemplos de superação” ou “Nem eu consigo fazer isso”, foram muito reproduzidas ao longo desses dias, tanto pelos torcedores, quanto por pessoas da transmissão. Além de contribuir para a perpetuação dessa violência, falas nesse sentido também promovem a invisibilização de pessoas com deficiência.

Apesar de acreditarmos viver em uma sociedade que busca por equidade e inclusão, esta inclusão também precisa estar presente nos bastidores. Não podemos mais transmitir ideias e falas que impedem os atletas paralímpicos de serem reconhecidos pelos seus feitos, treinamentos e performance. 

Em relação ao desempenho desses competidores nas Paralímpiadas, só nas últimas três edições, o Brasil ficou entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas, demonstrando assim a qualidade desses atletas. Mas apesar do alto desempenho, quando o assunto é patrocínio aos atletas paralímpicos, a situação se complica. 

Atualmente, a principal fonte de financiamento do esporte paralímpico do Brasil é a Lei Piva, sancionada em 16 de julho de 2001 e que prevê a destinação de 2,7% do total bruto de arrecadação das Loterias Caixa para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Além disso, a COB conta também com o apoio de quatro grandes empresas na lista de patrocinadores oficiais, enquanto o CPB tem apenas uma. 

Dessa forma, mesmo com um alto rendimento e colocando o país na posição entre os dez primeiros colocados do quadro de medalhas, o patrocínio para esses profissionais ainda é escasso, tirando o Governo Federal e as poucas empresas que auxiliam, poucas marcas possuem relação direta com atletas paralímpicos.

Sobre a presença de profissionais PCD’s na produção, não há registros sobre quem ou quantos são no site do Comitê Paralímpico Internacional, mas podemos presumir, por situações como a da atleta americana Becca Mayers, que tem deficiência visual e auditiva, e desistiu da competição por não conseguir protocolar o pedido para que sua mãe acompanhasse como cuidadora, que sejam poucos. A falta de compreensão com a realidade da atleta demonstra a falta de pessoas iguais à Becca na produção.

Por fim, a grande lição desta edição é de que os comitês organizadores precisam rever suas formações e usar como premissa básica a ideia de que para fazer um evento, cujo público possui necessidades, é necessário a presença desse público na idealização e construção do projeto. 

 

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