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Por que bebidas alcoólicas em lives tem chamado a atenção do Conar?

Com o avanço do coronavírus pelo Brasil, segundo dados de uma pesquisa feita pelo DATA SIM sobre os impactos da Covid-19 no mercado da música no país, cerca de 8 mil shows e apresentações foram cancelados ou adiados em 21 estados em 2020. A pesquisa foi feita através de um questionário online que ficou disponível entre 17 e 23 de março.

(Foto: Mercadizar)

O isolamento social se mostrou cada vez mais imprescindível para a contenção do vírus e logo todos os estados do país adotaram esta medida, dessa forma, com a população de quarentena e sem uma previsão de retorno dos shows e eventos culturais, artistas viram nas lives uma alternativa de renda, entretenimento e uma forma de ajudar organizações. 

Inicialmente as lives eram caseiras e intimistas, mas com o passar do tempo o formato ganhou festivais como o “Música em Casa” e o “Fico em Casa” e grandes produções. Assim, segundo o site Business Insider, o Instagram registrou em março um aumento de 70% no uso das lives, tanto para transmissão quanto para consumo. Seguindo a mesma linha, o sertanejo, gênero musical mais popular do Brasil, também alcançou novos recordes. De acordo com o site Notícias da TV da UOL, o Brasil é dono de quatro posições do ranking das cinco lives mais assistidas no mundo, sendo três delas de cantores de sertanejo. 

Denominada como “Buteco Bohemia em Casa”, o cantor Gusttavo Lima foi o primeiro artista no país a realizar uma live com objetivo de arrecadar dinheiro, alimentos, itens de higiene, máscara e álcool gel para instituições que trabalham com grupos que estão em situação de vulnerabilidade durante a pandemia da Covid-19. Ela também foi a primeira live a ter uma super produção e o patrocínio de uma cervejaria neste período. 

A sua segunda edição do “Buteco Bohemia em Casa”, ocorreu no dia 11 de abril no Youtube e, dessa vez, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) notificou o cantor e a Ambev. O órgão afirmou ter recebido reclamações de consumidores pelo uso excessivo de álcool por parte de Gusttavo, além de apontarem a falta de avisos de restrição para o uso de bebida alcoólica. Gusttavo e Ambev possuem um prazo para enviar as suas defesas ao Conselho de Ética do Conar ou adaptar as regras de consumo de bebidas alcoólicas às lives.  

A decisão do órgão foi alvo de críticas por parte de Gusttavo que disse em seu perfil no Twiiter: “Acho que uma Live engessada e politicamente correta não tem graça. (…) Não farei Live pra ser censurado”. Em nota o Conar afirmou que atua somente na análise do conteúdo publicitário. 

“Em programas, lives ou qualquer outro tipo de manifestação artística ou cultural de transmissão pública, apenas as peças publicitárias, gravadas ou ao vivo, são objeto da análise do Conar, que assegura a anunciantes, veículos e/ou influenciadores o direito amplo de contestar o que lhes é imputado, fruto de denúncia de consumidores, da própria monitoria do Conar ou de autoridades”, declarou o Conselho.

O Conar não possui uma medida específica para lives mas teve como base da sua decisão o “Anexo P – Cervejas e vinhos” do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitário. De acordo a regra geral do anexo, é “vedado, por texto ou imagem, direta ou indiretamente, inclusive slogan, o apelo imperativo de consumo e a oferta exagerada de unidades do produto em qualquer peça de comunicação”. Além disso, no ponto de número 2, o Conar afirma que a publicidade feita para cervejas e vinhos devem deixar claro que a bebida é de consumo impróprio para menores de idade, dessa forma, frases como “beba com moderação”, “evite o consumo excessivo de álcool” ou “não exagere no consumo” poderiam ter sido adotadas no show. 

Em um comunicado, a Ambev afirmou que após o ocorrido está reforçando as normas do Conselho aos artistas. 

“Sabemos que em algumas lives, de forma totalmente espontânea, algumas orientações não foram seguidas. Estamos reforçando as regras dando esse novo contexto de entretenimento virtual e estamos mais do que nunca comprometidos com o consumo responsável de nossos produtos”, disse a empresa.

Outros artistas como Jorge e Mateus, Bruno e Marrone, Zé Neto e Cristiano e o projeto “Amigos”, também tiveram lives patrocinadas por empresas de bebidas alcoólicas. Após o episódio com cantor, alguns deles fizeram retaliações ao Conselho como foi o caso de Felipe Araújo. Em sua live, que aconteceu no dia 24 de abril, Felipe pegou um copo, aparentemente de cerveja, e ao beber o líquido xingou o Conar. 

Além disso, casos como o do cantor Bruno, da dupla Bruno e Marrone, e de Luiz Carlos, vocalista do grupo Raça Negra, também repercutiram quando os mesmos ficaram embriagados durante a sua live e tiveram dificuldades de continuar com a transmissão, podendo deixar o Conselho e o público ainda mais atentos. Vale também lembrar que especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já demonstraram preocupação com o uso excessivo de bebida alcoólica durante a quarentena. “Estamos vivendo uma situação de estresse coletivo inédito que pode contribuir para o uso do álcool como um refúgio”, explicou a psicóloga Jaira Freixiela Adamczyk em entrevista a Veja. 

Para o Meio & Mensagem, Ana Paula Passarelli, cofundadora e CCO da Brunch, empresa especializada em estratégias de influencer marketing, as empresas não podem se ausentar da responsabilidade neste momento. “A comunicação precisa ser pensada para conscientizar, informar e entreter, nesta ordem. O entretenimento pelo entretenimento em tempos de pandemia é um tiro no pé em qualquer estratégia de marca”. 

Para acessar o Código completo do Conar, clique aqui

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