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O jornalismo socioambiental e independente da agência Amazônia Real

Kátia Brasil e Elaíze Farias (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)

Fundada em 2013 pelas jornalistas Kátia Brasil, Liège Albuquerque e Elaíze Farias, a agência Amazônia Real tem como missão fazer um jornalismo ético e investigativo, pautado nas questões da Amazônia e de seu povo e linha editorial em defesa da democratização da informação, da liberdade de expressão e dos direitos humanos. , diz o site da agência. Em entrevista exclusiva ao Mercadizar, elas contaram como ocorreu a criação da agência, falaram sobre meio ambiente, projetos, prêmios e muito mais. Confira:  

Quando e como surgiu esse “estalo”, vamos falar da Amazônia?

Kátia Brasil: “Com uma parte da minha indenização salarial que recebi da Folha de S. Paulo investi no projeto e na criação da empresa. Trabalhamos por três meses. Minha casa virou uma redação. Tivemos muitos colaboradores, amigos e a família nos ajudando. Assim nasceu a Amazônia Real. Quando nos juntamos para criar a agência nenhuma de nós tinha noção de como montar e administrar um negócio. Somos repórter acima de tudo. Então fui estudar empreendedorismo no Sebrae, em Manaus. Daí, optamos em criar uma microempresa, uma agência de notícias para produzir conteúdo e outros serviços de informação na internet, além de produção de fotografia. Passei a cuidar da parte administrativa da agência. Liège deixou o projeto após três meses para realizar projetos pessoais, um deles como professora universitária. Eu e Elaíze levamos o projeto adiante e hoje contamos com o apoio de mais de 30 colaboradores.

Durante os anos em que eu, Elaíze Farias (ela foi repórter do jornal A Crítica de Manaus) e Liège Albuquerque (Veja, Folha e Estadão) trabalhamos na grande imprensa percebemos um desinteresse específico sobre os povos tradicionais da Amazônia. Há pouco espaço ou é inexistente no noticiário informações sobre o cotidiano, as causas específicas e as necessidades dos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, mulheres, crianças e adolescentes, entre outros temas. Essa invisibilidade passa pelo acesso à informação desses povos, pela liberdade de expressão e direitos humanos. Eles não têm justiça social na imprensa tradicional, que é preconceituosa em muitos casos. Então, toda a experiência que tivemos nos jornais em fazer pautas e ver essas histórias seguirem para a “geladeira” (ou para o lixo) foi o que nos motivou no propósito de criar uma agência de jornalismo independente e investigativo para dar voz às populações da Amazônia e tirá-las do silenciamento imposto historicamente pela mídia tradicional. Nas reportagens que produzimos essas pessoas são as protagonistas de suas próprias histórias e narrativas.

Como se reúnem e discutem as pautas?

Kátia Brasil: A agência trabalha atualmente com mais de 30 colaboradores na rede de profissionais nos estados da Amazônia Legal: Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará. Além dos colaboradores que estão no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco e São Paulo. Em Manaus, temos a sede da agência no bairro Parque Dez, no bairro centro-sul da cidade. Publicamos reportagens exclusivas praticamente todos os dias. As reuniões são presenciais e online, dependendo de onde está o repórter. As equipes utilizam as redes sociais e e-mails para apresentar pautas e trabalhar junto com os editores.

Como ocorre a divulgação da agência e de suas reportagens ?

Elaíze Farias: Utilizamos nossas redes de contatos, os leitores, as redes sociais, as entrevistas que damos e as premiações para alcançar o máximo de leitores. Também incentivamos a republicação por outros sites. A Amazônia Real usa o licenciamento Creative Commons 4.0, que permite a republicação gratuita por qualquer veículo de comunicação (inclusive os impressos), respeitando a citação da fonte e a permanência da edição original. A agência também realiza produções de reportagens em parceria com outros veículos como uma estratégia de divulgação do conteúdo jornalístico.

O que significa o prêmio Rei da Espanha de jornalismo para a agência?

Elaíze Farias: Significa o reconhecimento de um trabalho inovador e corajoso. Fazer jornalismo na Amazônia não é fácil. Também nos encoraja a continuar visibilizando as populações amazônicas.

Kátia Brasil: Sobre a indicação do Prêmio Rei da Espanha, foi uma surpresa pra gente. Na tarde do dia 30 de janeiro recebemos por e-mail um comunicado oficial do presidente do júri, Fernando Garea, presidente da Agência EFE, dizendo que os jurados da sede central da Agência EFE, em Madri, concederam à agência de jornalismo independente e investigativa Amazônia Real o Prêmio Rei da Espanha de Meio de Comunicação de Maior Destaque da Ibero-América. Na justificativa os jurados valorizaram “o épico do trabalho, a solidez e o prestígio de uma pequena equipe de jornalistas que trabalham com informações locais.”

Consideramos um reconhecimento internacional para o trabalho de todos os nossos colaboradores, mulheres e homens jornalistas, fotógrafas (os), editores, colunistas, desenvolvedores, designers, todos aqueles que apostaram desde o primeiro momento e construíram essa rede de profissionais nos estados da Amazônia. Quero agradecer também a todas as pessoas que nos deram a chance de ouvi-las e viabilizá-las, pois muitas são ameaçadas de morte por conflitos, e contaram suas histórias com muita coragem para nós.

Qual o próximo projeto?

Elaíze Farias: A Amazônia Real continuará fazendo o que faz: jornalismo. A região amazônica tem muitas histórias que precisam ser contadas. Contamos história de um povo, de uma comunidade, de um grupo social cujas demandas precisam vir a público e que a maioria da população do país não conhece. São assuntos que nem sempre são populares ou fáceis de serem consumidos, mas extremamente necessários para a sociedade, para a democracia e para os próprios personagens. Nossos projetos também realização de oficinas de formação para jovens da região, palestras e debates.

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