AmazôniaBrasilNotícias

No Dia Internacional dos Direitos Humanos, Apib publica relatório sobre impacto da pandemia e denuncia violações em série

A Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib) elaborou, em conjunto com organizações de base e parceiros, o relatório “Nossa luta é pela vida”. O documento reúne conteúdo abrangente sobre o impacto da Covid-19 entre os povos originários nos primeiros nove meses de pandemia, de março a novembro. A construção do material integra as ações de controle social do plano “Emergência Indígena”. O lançamento do relatório ocorreu nesta quinta, 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos, às 15h (horário de Brasília) em parceria com a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e é marcado pelo apoio de mais de uma centena de organizações e personalidades que endossam o conteúdo publicado no documento. 

O novo coronavírus já atingiu diretamente mais da metade dos 305 povos indígenas que vivem no Brasil. Até 9 de dezembro, o Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena registrou 41.250 infectados e 889 óbitos em decorrência do novo coronavírus. No entanto, a crise sanitária e humanitária tem diferentes dimensões no contexto indígena, pois, as violações e violências cometidas contra os povos foram mais intensas durante a pandemia. Comunidades inteiras ficaram vulneráveis à destruição causada pelas invasões aos territórios, desmatamento e queimadas enquanto tentavam manter o isolamento para diminuir os riscos de contaminação por Covid-19, por exemplo. 

O relatório “Nossa luta é pela vida” expõe as dinâmicas da disseminação do novo coronavírus por todo país, desde o primeiro registro, quando uma jovem Agente de Saúde Indígena do povo Kokama foi contaminada no Amazonas, até a proibição de campanhas eleitorais em algumas localidades como medidas protetivas aos povos indígenas. 

O documento aponta ainda os principais agentes de propagação do vírus nas comunidades; falta de protocolos sanitários e medidas emergenciais; e inseguranças jurídicas que ameaçam ainda mais os povos indígenas em meio à pandemia. 

Além das denúncias e da contextualização detalhada, o documento resgata a luta histórica do movimento indígena, em diversas frentes de atuação, pelo direito de viver. Com a pandemia e a flagrante negligência do poder público, principalmente o Governo Federal, foi o esforço coletivo dos povos indígenas que garantiu medidas preventivas, acompanhamento de casos e incidência política por meio de ações jurídicas, como a ação ingressada pela Apib no Supremo Tribunal Federal (STF). 

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709 é hoje o principal instrumento jurídico para fazer com que o Governo Federal cumpra o seu dever constitucional de proteger os povos indígenas. Mesmo com uma decisão da principal corte do país obrigando que o Governo adote medidas emergenciais, Bolsonaro segue afirmando sua política anti-indígena desobedecendo uma determinação do STF. 

Neste cenário de violações, destacamos que devido à luta do movimento indígena e da ADPF 709 da APIB os povos foram incluídos pelo Ministério da Saúde na primeira fase dos grupos prioritários do Plano de vacinação contra a  Covid-19, no Brasil. 

Outra ação de destaque no relatório é a aprovação da Lei nº 14.021/20, no Congresso Nacional, que viabiliza medidas de proteção em caráter emergencial, para povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Outro mecanismo de proteção aos povos, que o Governo Bolsonaro atua para dificultar a sua implementação. 

No documento, a Apib traz um levantamento inédito produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que demonstra que até o início de dezembro de 2020, a Fundação Nacional do Índio (Funai) gastou apenas 52% dos recursos previstos pelo órgão para o enfrentamento da pandemia. 

O diálogo entre as organizações de base da Apib (Coiab, na Amazônia; Apoinme, no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo; Aty Guasu, do povo Guarani; Conselho do Povo Terena; Comissão Guarani Yvyrupa; e Arpin Sudeste) e parceiros (organizações indigenistas e pesquisadores) foi fundamental para uma abordagem que contempla a realidade vivida em todas as regiões do país. “Mostramos também neste documento as milhares de ações realizadas pelo movimento indígena, em todo o Brasil, para salvar vidas. Não queremos ocupar o papel do Estado, mas não é uma opção ficar de braços cruzados diante de tanta omissão política e violência”, enfatiza Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib. 

O conteúdo compilado pela Apib no relatório “Nossa luta é pela vida” é um documento significativo na compreensão da pandemia de Covid-19 no país, assim como um retrato do agravamento das violações dos direitos indígenas. São estatísticas, depoimentos, reportagens, legislações, análises e documentos que revelam, sobretudo, a negligência com que os povos são tratados historicamente, mas também a luta incansável do movimento indígena pelo direito de viver. 

“Mostramos também neste documento as milhares de ações realizadas pelo movimento indígena, em todo o Brasil, para salvar vidas. Não queremos ocupar o papel do Estado, mas não é uma opção ficar de braços cruzados diante de tanta omissão política e violência”, enfatiza Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib. 

Acesse a íntegra do relatório “Nossa luta é pela vida”, que foi lançado nesta quinta-feira, 10, às 15h (horário de Brasília) nos canais do YouTube e Facebook da Apib: https://emergenciaindigena.apiboficial.org/relatorio/.

Fonte: Apib

Mais recentes

Comunicação

Fenapro conclui primeira missão empresarial com perspectivas de novos negócios para agências de publicidade

Agenda reuniu 23 empresários e lideranças do Sistema Sinapro/Fenapro, com encontros com Adobe, Cenp, Grupo Telefônica, Globo e Eletromidia, em São Paulo
Filmes, séries e TV

Sessões inclusivas de cinema atendem pessoas com TEA e sensibilidades sensoriais em Manaus

Exibições de ‘Se Eu Fosse Você 3' ocorrem nos dias 24 e 26 de outubro, na Cinépolis do Manaus Plaza Shopping, com som reduzido, luzes parcialmente acesas e liberdade para circular pela sala.
Filmes, séries e TVSem categoria

Cine Memória promove exibição de documentário sobre a pandemia em Manaus

Sessão gratuita de ‘Anatomia do Caos' ocorre nesta sexta-feira (23), na Praça da Saudade, e homenageia as vítimas da Covid-19.
Comunicação

Prêmio de comunicação Salão ARP 2026 acontecerá no dia 3 de dezembro

Inscrições seguem até 28 de outubro
Comunicação

Fenapro conclui primeira missão empresarial com perspectivas de novos negócios para agências de publicidade

Agenda reuniu 23 empresários e lideranças do Sistema Sinapro/Fenapro, com encontros com Adobe, Cenp, Grupo Telefônica, Globo e Eletromidia, em São Paulo
Filmes, séries e TV

Sessões inclusivas de cinema atendem pessoas com TEA e sensibilidades sensoriais em Manaus

Exibições de ‘Se Eu Fosse Você 3' ocorrem nos dias 24 e 26 de outubro, na Cinépolis do Manaus Plaza Shopping, com som reduzido, luzes parcialmente acesas e liberdade para circular pela sala.
Filmes, séries e TVSem categoria

Cine Memória promove exibição de documentário sobre a pandemia em Manaus

Sessão gratuita de ‘Anatomia do Caos' ocorre nesta sexta-feira (23), na Praça da Saudade, e homenageia as vítimas da Covid-19.
Comunicação

Prêmio de comunicação Salão ARP 2026 acontecerá no dia 3 de dezembro

Inscrições seguem até 28 de outubro

Relacionadas

Notícias

AgSUS abre inscrições para seleção de 47 profissionais para atuar na saúde indígena no Acre, Amazonas e Rondônia

Vagas são para contratação imediata e cadastro de reserva, com salários de até R$ 12,9 mil; inscrições gratuitas seguem até 7 de outubro
AmazôniaBrasilFilmes, séries e TV

De Manaus para ‘Avenida Brasil 2”: Isabela Catão e os nortistas que conquistam as telas

Atriz amazonense está na continuação da novela da Globo, prevista para 2027; Adanilo, Domithila Cattete e artistas paraenses também integram produções nacionais
AmazôniaArte

HQ indicada ao Jabuti sobre o líder indígena que parou a colonização na Amazônia ganha nova edição pela Conrad

Com lançamento marcado para 2 de novembro e já em pré-venda, a HQ 'Ajuricaba', dos amazonenses Ademar Vieira, Jucylande Jr. e Tieê Santos, resgata a história de resistência que deu origem a Manaus, em parceria de curadoria com o projeto Norte em Quadrinhos
Acessar o conteúdo