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Mais de 15 mil alunos no Marajó afetados pela falta de saneamento adequado nas escolas

Em um levantamento inédito, que será lançado hoje (21), em Belém, o “Projeto Saneamento nas Escolas: Piloto – Marajó/PA”, coordenado pela Habitat para a Humanidade Brasi vistoriou 398 escolas com até 50 alunos de 16 municípios da região.

Imagem: Desiree Giusti/Habitat Brasil

O projeto identificou que 93% não têm abastecimento público de água para consumo humano e uso geral, 60% não apresentaram tratamento de esgoto – sendo que 149 não tinham sequer banheiro – e 89% não contam com serviço de coleta de resíduos sólidos. São mais de 15 mil crianças e adolescentes impactadas.

“As escolas com até 50 alunos localizam-se em comunidades isoladas, em sua maioria, facilitando assim o acesso e reduzindo as distâncias percorridas a caminho das escolas e evita com que crianças e adolescentes precisem percorrer grandes distâncias diariamente para terem acesso à educação” destaca Mohema Rolim, Gerente Nacional de Programas da Habitat Brasil. “No levantamento, para identificar as inadequações e as soluções passíveis de implementação para cada realidade, nos deparamos com a negação de direitos básicos que contribuem negativamente no aprendizado, aprofundando ainda mais as desigualdades”.

Na Ilha de Marajó o saneamento básico é uma questão urgente devido a privação desse direito para grande parte da população que vive em áreas rurais e alagáveis. Serviços de fornecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana, todos esses são serviços que afetam não só a qualidade de vida da população como também a o acesso à educação e à saúde, e compromete a segurança de estudantes e profissionais, além de impactar negativamente o processo educativo.

Imagem: Desiree Giusti/Habitat Brasil

O levantamento identificou 88 escolas onde a água para consumo humano não recebe nenhum tipo de tratamento e 126 escolas em que o tratamento da água para consumo humano é realizado com aplicação de cloro ou hipoclorito. Os pesquisadores também identificaram que 45% das escolas não têm acesso a energia elétrica.

Na ausência de banheiros, as escolas recorrem ao uso de latrinas, geralmente encontradas em estruturas precárias de madeira próximas às escolas, sem um sistema adequado de esgoto, ou até mesmo escolas que não possuem sequer esse tipo de instalação. 

Os municípios de Chaves e Breves lideram a lista, com 48 escolas em cada localidade sem banheiros nas escolas vistoriadas. Das 249 escolas com banheiros, em 42 as estruturas foram consideradas totalmente inadequadas e em 119, parcialmente inadequadas.

“Em muitas situações os estudantes precisam utilizar latrinas e beber água coletada diretamente dos rios e igarapés. São situações que contribuem para a disseminação de doenças. A ausência de banheiros ainda afeta a dignidade menstrual das meninas e as expõem a riscos desnecessários”, afirma Mohema.

Sobre o projeto Saneamento nas Escolas

A ONG Habitat para a Humanidade Brasil foi selecionada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para levar saneamento a escolas públicas do Marajó, no Pará. O projeto irá beneficiar 460 instituições com até 50 alunos e com déficit de abastecimento de água potável e/ou esgotamento sanitário da região, de 16 municípios do arquipélago. A segunda fase do projeto prevê a implementação de tecnologias sociais para a solução dos problemas de saneamento básico nas escolas.

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