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A alimentação vegetariana e vegana também pode ser acessível

O vegetarianismo é um regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes e se divide em Ovolactovegetarianismo (utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação), Lactovegetarianismo (utiliza leite e laticínios na sua alimentação), Ovovegetarianismo (utiliza ovos na sua alimentação) e Vegetarianismo estrito (não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação), diz a Sociedade Vegetariana Brasileira. Já segundo a The Vegan Society, o veganismo é “Uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade”.

Ambos tem uma relação direta com a preservação do meio ambiente, pois para a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor de produção animal é um dos maiores responsáveis pelos mais sérios problemas ambientais. De acordo com dados apresentados pelo documentário Cowspiracy, a criação de animais é responsável por 91% do desmatamento da Amazônia e 75% das terras aráveis, terras que podem ser utilizadas para o cultivo, são ocupadas pela agropecuária para pastagem e produção de ração. Além disso, no último trimestre de 2019 foram abatidas cerca de 8 milhões de cabeças bovinas, 11 milhões de suínos e 1,47 milhões de frangos, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O documentário Cowspiracy está disponível na Netflix.

Assim, com o esgotamento de recursos naturais, mudanças climáticas e poluição ambiental uma alimentação à base de vegetais se mostra como uma das possibilidades para preservar biomas e o ambiente marinho, incentivar a policultura e alimentos orgânicos e poupar a vida de milhões de animais. 

Gráfico: site biO2

Um pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope) mostrou que 14% dos brasileiros em 2018 já se declarava vegetariano, ou seja, não consome alimentos com carnes. Cada vez mais popular, o veganismo e o vegetarianismo tem ganhado mais espaço na imprensa e diversas empresas de comida tem lançado opções voltadas para esse público. 

Apesar disso, a informação não chega da mesma forma para todo mundo e se criou o mito de que para ser vegano é necessário ter grande poder aquisitivo, é o que afirma o carioca Silvio Louzada.

“O que impede do veganismo crescer nas periferias, é por dois fatores: informação e elitização. Quando temos uma mídia que só mostra corpos brancos e ricos sendo vegetarianos, logo pessoas da periferia jamais irão se ver nessa posição. Já está enraizado no Brasil de que alimentação vegana é menos acessível do que uma salsicha e, infelizmente, em muitos lugares no país realmente isso é uma realidade, mas o que precisamos urgente no Brasil é mudar a política de subsídios a alimentos vegetais”, disse ele.

https://www.instagram.com/p/B_aOAJOJE8V/

Pensando nisso, em 2019 Silvio criou o perfil no Instagram chamado @periferia.preta.vegana, onde mostra diversas possibilidades de comida com baixo custo. “O perfil surgiu quando percebi o quanto o veganismo é visto como algo elitizado e inalcançável. Mesmo que o meu perfil fosse pequeno, eu precisava mostrar que, para aqueles que podem, optar por uma opção vegana ou vegetariana  era possível e acessível, como levei e levo esse tempo todo”, disse ele. 

Silvio também ressalta que é possível ser vegano com o mínimo de industrializados. Além disso, ele conta que gasta cerca de 30 a 40 reais com legumes, vegetais e frutas durante uma semana, o equivalente ao preço de um kg de carne. A historiadora Kevellyn Jéssica concorda:

“Com 30 reais consigo comprar vegetais e frutas para duas semanas. Antes o feijão era temperado com jabá e hoje ele é temperado com verduras, que estão muito mais alinhadas a uma alimentação saudável. Em um país onde temos famílias de agricultores produzindo variedades de verduras e optamos por uma alimentação provinda de sofrimento, onde está o erro? A carne é cara, a periferia não come carne, come embutidos, como salsicha, calabresa, linguiça, mas ainda assim se declaram ‘carnívoros’ ”, falou Kevellyn. 

Recentemente, Kevellyn decidiu criar o perfil @vegananortista que, além de mostrar uma alimentação acessível no Instagram, tem o propósito de levar um recorte regional para o público. “A vegana nortista surge como contranarrativa. Aqui no Amazonas temos a cultura da farinha, tucumã, cupuaçu, banana, pupunha e diversos outros aspectos interligados que faz com que nos identifiquemos com o local que pertencemos”.

Mas como isso se dá na prática? Silvio conta que fazer compras em feiras e na xepa é uma alternativa para encontrar alimentos com o preço mais baixo. “Pesquise, conheça o seu bairro, veja onde tem feiras e hortifruti mais barato. Busque consumir alimentos da época que geralmente são mais em conta e ter uma alimentação baseada mais em vegetais do que industrializados”, diz ele.

Em entrevista ao Mercadizar, o perfil @PerifaVegana afirmou que é importante também, durante as compras, não utilizar sacolas plásticas mas sim retornáveis, visando não produzir mais lixo. Além de apontar a produção de uma horta em casa como uma alternativa. “Faça seu próprio alimento, crie uma pequena horta em sua casa! Caso não haja espaço, procure na internet por horta de parede ou de teto, já é uma forma de se ter algo natural, fresco e sem gastos. Busque sempre informações, pesquise e troque dicas com quem estiver disponível a ajudar, será muito mais fácil!”.

Em uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo, constatou-se que 72% dos brasileiros costumam comer arroz no jantar e 63% não abrem mão do feijão. Kevellyn se inclui nessa estatística e afirma que o feijão com arroz, combinação querida dos brasileiros, e outros grãos são essenciais no prato vegano e vegetariano. 

“Não precisa existir comida vegana cara. A comida vegetariana é feijão, arroz, frutas, legumes, entre outros que já fazem parte de nosso cotidiano. A carne não precisa existir no prato. Os grãos como soja, lentilha, grão de bico e outros se fazem importante para manutenção de proteína e diga-se de passagem: são bem mais em conta que carne”, ressaltou ela.

Além disso, clique aqui e confira quatro dicas para ser vegano gastando pouco, feita pelo site Mimi Veg. Você também pode acompanhar os perfis do Silvio e da Kevellyn no Instagram, além do Vegana Sem Grana e Vegano da Periferia

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