BrasilNotícias

9º onda da pesquisa Todxs aponta retrocesso da representatividade na publicidade

2020 ficou marcado pelo avanço de pautas sociais, sobretudo das raciais e pelos direitos de mulheres e LGBTQIA+. No entanto, de acordo com a 9ª onda da pesquisa Todx, um estudo desenvolvido pela ONU Mulheres e pela Heads Propaganda, viabilizado pela Aliança Sem Estereótipos, movimento que visa conscientizar agências e anunciantes sobre a importância de eliminar os estereótipos nas campanhas publicitárias, a publicidade ainda está longe do ideal quando falamos em representatividade.

Desde a primeira edição do estudo em 2015 até agora, já foram avaliadas 22.253 inserções de comerciais de televisão e 5.769 posts no Facebook. Se havia um movimento para que essa comunicação das marcas pudesse desconstruir imagens e padrões que estimulam violências físicas, simbólicas ou morais, o momento atual é de retrocesso e estagnação.

O levantamento tradicionalmente mapeia como gênero e raça são representados pela publicidade brasileira e este ano, pela primeira vez, traz dados inéditos sobre a representação de novos públicos: os LGBTQIA+, PCDs (pessoas com deficiência) e maduro 60+. Em cada onda – são lançadas duas por ano – o estudo coleta comerciais de TV durante sete dias corridos nos canais de televisão aberta e fechada de maior audiência, – Globo e Megapix respectivamente. A partir das marcas observadas são coletadas publicações de Facebook no mesmo período. Os comerciais e posts analisados na 9ª onda foram extraídos entre 15 e 21 de fevereiro deste ano. Além disso, a pesquisa também abordou os comerciais veiculados no canal infantil de maior audiência, Discovery Kids.

Resultados

Segundo o estudo, a presença de homens negros em situações de protagonismo na TV caiu dos 22% de fevereiro de 2019 para 7%. A de mulheres negras, apesar de ter aumentado cinco pontos percentuais em relação à onda anterior, continua sem ultrapassar os 25%, marca alcançada em julho de 2018). Mulheres brancas ainda são 74% das personagens protagonistas. Além disso, homens e mulheres negros aparecem mais como coadjuvantes e, mesmo assim, com presença muito menor se comparada a dos brancos, indica a pesquisa. No Facebook, porém, a representação de mulheres negras atingiu seu maior pico dentre todas as ondas, de 35%.

“Pode ser que as marcas se sintam mais à vontade de trabalhar castings diversos no Facebook, por acharem que ali é um ambiente menos conservador que a TV, mas é necessário observar as próximas ondas para confirmar uma real evolução”, afirma Isabel Aquino, coordenadora da pesquisa. “Em comerciais com vários protagonistas, é mais fácil legitimar a diversidade, mas também é mais difícil trabalhar individualidade, aprofundar a personalidade. Não acho que esse tipo de representação seja necessariamente ruim, mas o fato de negros aparecerem em maior quantidade nesse tipo de peça é, sem dúvida, uma sombra do racismo e da incapacidade do mercado de criar narrativas interessantes e exclusivas para personagens negros ou outros grupos minorizados”.

Padrões

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres que mais aparecem nas peças são brancas, jovens, magras, com curvas, cabelos lisos e castanhos. Já os homens são brancos, fortes, com músculos torneados, cabelos lisos e castanhos. Essas caracterizações aparecem em mais de 60% das peças, tanto na TV quanto no Facebook e demonstram a dificuldade da indústria de comunicação em romper padrões.

Em contrapartida, registrou-se o crescimento da presença de cabelos cacheados e crespos, o maior desde a primeira onda. Juntos, os cacheados e crespos atingiram 29% das representações entre as mulheres protagonistas. A preferência absoluta ainda é dos lisos, mas antes os cacheados e crespos oscilavam apenas entre 11% e 17%.

Mais recentes

Sociedade

Varanda Multiagência assume conta do Estaleiro Juruá e amplia atuação no setor industrial

Parceria fortalece posicionamento digital de um dos principais nomes da indústria naval da Região Norte
Entretenimento

Carnaboi 2026 reúne mais de 40 atrações no Sambódromo durante o Carnaval

Evento acontece nos dias 20 e 21 de fevereiro, a partir das 19h, com artistas dos bois Caprichoso e Garantido
Entretenimento

Hip hop transforma o Centro de Manaus em palco de resistência cultural durante o Carnaval

Evento gratuito no Largo São Sebastião reuniu rap, dança, grafite e DJ e marcou o encerramento do projeto Workshops Urbanos da Amazônia
Sociedade

Pós-graduação em Linguística da UFSCar abre inscrições para mestrado e doutorado

Processo seletivo oferece 71 vagas com ingresso no segundo semestre de 2026
Sociedade

Varanda Multiagência assume conta do Estaleiro Juruá e amplia atuação no setor industrial

Parceria fortalece posicionamento digital de um dos principais nomes da indústria naval da Região Norte
Entretenimento

Carnaboi 2026 reúne mais de 40 atrações no Sambódromo durante o Carnaval

Evento acontece nos dias 20 e 21 de fevereiro, a partir das 19h, com artistas dos bois Caprichoso e Garantido
Entretenimento

Hip hop transforma o Centro de Manaus em palco de resistência cultural durante o Carnaval

Evento gratuito no Largo São Sebastião reuniu rap, dança, grafite e DJ e marcou o encerramento do projeto Workshops Urbanos da Amazônia
Sociedade

Pós-graduação em Linguística da UFSCar abre inscrições para mestrado e doutorado

Processo seletivo oferece 71 vagas com ingresso no segundo semestre de 2026

Relacionadas

Notícias

Governo do Pará lança Edital Semear 2026 para apoiar projetos culturais

Inscrições para captação de recursos via ICMS seguem até 5 de março; cada projeto pode receber até R$ 600 mil
ArteNotícias

Casarão de Ideias mobiliza campanha para resgatar memória da antiga Escola Saldanha Marinho

Prédio histórico no Centro de Manaus, futura sede do espaço cultural, reunirá fotos, documentos e relatos da população para formar acervo público
Acessar o conteúdo