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Artista indígena venezuelano lança EP inspirado em cantos tradicionais do povo Pemón-Tauperang

Com incentivo do Sesc Roraima, o artista Santiago Pemón reúne releituras de músicas ancestrais do povo Pemón-Tauperang

O primeiro EP do artista indígena venezuelano Santiago Pemón, “Santiago Canta o Povo Pemón”, reúne três faixas inspiradas em cantos tradicionais, interpretadas na língua materna do povo Pemón-Tauperang e acompanhadas por instrumentos como violoncelo e percussão. A música ancestral do povo Pemón-Tauperang procura alcançar públicos de diferentes lugares do Brasil e do Mundo. 

Foto: Divulgação/Assessoria

Nascido em Santa Elena de Uairén, na Venezuela, criado na comunidade indígena Manak-Krü, o artista encontrou na música uma forma de preservar e compartilhar a cultura do Pemón. Atualmente, o orientador musical do Sesc Roraima desenvolve um trabalho que une a tradição oral indígena a elementos da música contemporânea. 

“Chega um momento em que o artista encontra o seu próprio caminho, o seu estilo. Depois disso, o próximo passo é gravar. Foi possível fazer esse trabalho graças ao apoio do Sesc. Esse incentivo foi como um empurrão para realizar algo que eu já precisava ter feito. Depois da primeira gravação, muitas outras possibilidades se abrem”, explicou Pemón.

As músicas apresentam releituras de cantos tradicionais do povo Pemón, sendo as duas primeiras inspiradas em ritmos ancestrais ligados aos rituais e celebrações da comunidade, já a terceira é uma composição autoral e traz uma abordagem mais contemporânea. 

Foto: Divulgação/Assessoria

Durante a primeira música, Santiago interpreta um Parixara, que é uma dança tradicional associada aos rituais que celebravam a abundância da caça. A música recebe uma nova leitura com o violoncelo, instrumento que não estava presente na versão original, mas que foi incorporado de forma respeitosa à estrutura da obra.

A segunda faixa apresenta o ritmo Tükui, que é tradicionalmente relacionado aos rituais de fartura dos peixes. Já a terceira música busca uma criação pessoal, sem letra, em que a voz é utilizada como instrumento. A obra aborda sobre momentos de reflexão e esperança, simbolizando a passagem da noite para o amanhecer.

“Eu continuo sendo um indígena tocando violoncelo. Não deixo de ser quem sou por usar um instrumento que veio de outro lugar. O que faço é trazer os cantos do meu povo com respeito, preservando sua essência e mostrando que a cultura também pode dialogar com o presente.”, destacou o artista.

O EP recebe o incentivo do Sesc Roraima que, segundo o artista, o auxiliou com o conhecimento, através dos professores, uma vez que Pemón começou sua relação com a instituição quando chegou em Boa Vista e começou a frequentar as aulas de música. O artista ainda relata que hoje consegue viver com aquilo que gosta de fazer e continua levando a cultura de seu povo para outros lugares. 

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