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#MercadizarExplica: devemos e podemos falar sobre suicídio

O suicídio é um problema de saúde pública e uma das principais causas de morte no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que de doenças como HIV, malária ou câncer de mama, vítimas de guerras e homicídios. 

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, sendo a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos em 2016. Além dos dados sobre suicídios consumados, é importante ressaltar que o número de tentativas de suicídio é ainda maior. 

Diante dos altos índices, para conscientizar e ampliar o debate, em 2003, a OMS instituiu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No entanto, mesmo após 18 anos, o tema ainda é cercado por muitos tabus, mitos e desinformação. Enquanto isso, os números continuam alarmantes. 

Antes de dar continuidade, é necessário entender que o suicídio não é uma tentativa de tirar a própria vida, mas sim de acabar com a dor e o sofrimento. São diversos os motivos que culminam no suicídio, na maioria das vezes, a pessoa tem necessidade de aliviar pressões externas como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação, explica cartilha da Fiocruz

Um dos principais tabus em torno do suicídio é que a pessoa que cometeu suicídio ou teve/tem pensamentos suicidas é taxada como “fraca” pela sociedade. Além disso, as religiões têm diferentes interpretações sobre o suicídio, sendo considerada como um “pecado” em muitos dos textos religiosos. Estes estigmas impostos ao suicídio fazem com que as pessoas se retraiam e tenham vergonha de revelar o que sentem e procurar ajuda.

Assim como doenças, de acordo com a OMS, o suidício tem prevenção em 90% dos casos e o diálogo é um dos caminhos. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, falar sobre suicídio e transtornos mentais, seguindo instruções e princípios específicos, contribui para a educação e, consequentemente, salva vidas. Além disso, é importante propagar informações verdadeiras e reais sobre o tema.

Neste sentido, a mídia é extremamente necessária. Segundo Claudia Cayetano,  consultora regional de saúde mental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a cobertura jornalística responsável pode contribuir para a prevenção do suicídio, reduzindo o risco de um comportamento imitador, ajudando a modificar falsas percepções e incentivando as pessoas a procurarem ajuda. 

Uma nova orientação da OMS, divulgada no relatório “Suicide worldwide in 2019”, aconselha o monitoramento da cobertura de suicídios e sugere que a mídia neutralize relatos de suicídio com a divulgação de histórias de recuperação após problemas de saúde mental ou pensamentos suicidas. A organização também recomenda trabalhar com empresas de mídia social para aumentar sua conscientização e melhorar protocolos de identificação e remoção de conteúdo prejudicial.

Além disso, é importante que profissionais da comunicação estejam atentos às instruções para a abordagem do suicídio e de transtornos psicológicos na mídia. Abaixo, deixamos duas sugestões de manuais: 

  • Prevenção do Suicídio: um manual para profissionais da Mídia (OMS);
  • Suicídio: saber, agir e prevenir (Ministério da Saúde).

Fique atento aos sinais

Se você conhece alguém que tem transtornos psicológicos, fala frequentemente sobre morte ou apresenta algum dos comportamentos apontados a seguir, não hesite em orientar essa pessoa a procurar ajuda especializada.

  • Aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas;
  • Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança;
  • Expressão de ideias ou intenções suicidas;
  • Isolamento.

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