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#MercadizarIndica: Spin Out e os desafios do transtorno bipolar

*Contém Spoiler*

Durante o Janeiro Branco, onde a questão da saúde mental ganhou visibilidade, Spin Out chegou no momento certo. A série traz importantes discussões sobre bipolaridade, sexualidade, racismo e assédio em um cenário até então pouco explorado pelas séries: a patinação no gelo. Estrelada por Kaya Scodelario, a série foge do típico romance visto em produções similares. 

A protagonista da trama é Katerina Baker, uma patinadora profissional que é assombrada por seus traumas dentro e fora do ringue de patinação. Após uma queda que a afastou das competições, Kat enfrenta seu trauma pós-acidente enquanto tenta lidar com a bipolaridade. Na tentativa de voltar aos ringues, Kat aceita ser dupla de Justin (Evan Roderick) mesmo sem nunca ter tido experiência com um par na patinação artística. No entanto, o que começou como trabalho se torna romance na medida em que ambos se aproximam. Apesar disso, a relação entre o casal não será nada fácil, pois a jovem corre o constante risco de expor seu segredo e abalar sua carreira artística. 

Euforia em dobro

O medo do preconceito não atormenta somente Kat, mas também sua mãe, que além de ser ex-patinadora também possui o transtorno de bipolaridade. Carol (January Jones) por diversas vezes proíbe a filha de expor sua doença, além de exigir esforços absurdos de Serena (Willow Shields), irmã mais nova de Katerina. Assim, a relação entre mãe e filha que já era problemática, piora no decorrer da série.

A questão da bipolaridade tanto em Kat quanto em Carol se mostra de duas formas. Em um primeiro momento eufórica e intensa, seguida de raiva e tristeza. Tais transições acompanham mãe e filha durante toda a série, seguindo os acontecimentos que rodeiam suas vidas. Como ponto principal está a patinação, mas existem diversos fatores que aparecem em segundo plano afetando a saúde mental de ambas. 

Foto: Divulgação

Apesar do desafio de lidar com a inconstância de sentimentos, o amor entre Kat e Carol é percebido durante várias cenas de Spin Out. A preocupação excessiva que a mãe têm sobre a filha é entendida quando Carol comenta sobre o preconceito contra transtornos mentais que existe dentro do universo da patinação artística

Primeiro e único plano

Sabe-se que não é somente na patinação que existe tal preconceito com transtornos mentais. Ele precisa ser debatido, e Spin Out não mede esforços para isso. Porém, o que tinha tudo para ser uma série profunda, acaba caindo na superficialidade quando se fala de temas que não sejam a bipolaridade.

A questão do racismo dentro da série existe mas não chega a ficar nem em segundo plano. Marcus (Mitchell Edwards) trabalha com Kat e pratica esqui de gelo. O jovem é negro e sonha em ter sucesso em um esporte praticado em sua maioria por brancos. Entretanto, a história de Marcus fica completamente ofuscada pelo breve romance que ele vive com a protagonista.

Quando se fala sobre sexualidade, o mesmo acontece. Enquanto Kat esconde a bipolaridade, Dasha (Svetlana Efremova), sua treinadora, esconde seus sentimentos por outra mulher. Somente nos últimos episódios da série a história vêm à tona, e, apesar disso, termina em aberto, sem rumo ou aprofundamento. 

A primeira temporada serviu para introduzir os personagens e seus traumas, por isso, espera-se que nas próximas temporadas outras temáticas ganhem mais espaço frente à questão da bipolaridade. 

“Spin Out”

Mostrar mulheres abaladas, enfraquecidas e sofrendo por seus problemas deixou de ser cliché em um cenário repleto de mulheres complexas, multifacetadas e independentes. Em Spin Out, o cast é composto em massa por mulheres. Mas apesar da trama falar sobre a questão mental, em momento algum tais mulheres são diminuídas aos seus problemas. Elas, de fato, dão a volta por cima.

Katerina não foi a única que teve seu futuro abalado por uma lesão. Sua melhor amiga Jenn Yu (Amanda Zhou), também esconde segredos. Uma grave lesão no quadril impossibilita Jenn de competir, fazendo-a abusar de medicamentos para continuar competindo e não frustrar seus pais. Apesar de seu problema, Jenn se mostra esperançosa do início ao fim. 

Foto: Divulgação

Uma das construções mais interessantes é a de Serena, irmã mais nova de Kat. Do início ao fim da série, Serena é superprotegida tanto por Carol quanto por Kat, que se preocupam com possíveis abusos que a adolescente possa sofrer. A ginasta passa por dificuldades tanto em casa quanto no ringue, desenvolve um “relacionamento” e, ao fim da série, uma reviravolta dá um novo rumo a ela e sua família, que permanecem mais fortes que nunca apesar das dificuldades.

Assim, Spin Out se mostra uma série intrigante e repleta de plot twists. Apesar de deixar em segundo plano discussões relevantes que estão presentes na série, Spin Out consegue falar de forma excepcional sobre o transtorno bipolar. Com 10 episódios, Spin Out está disponível em netflix.com

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