A cantora Héloa lança no dia 8 de outubro seu novo álbum, “ÁRIDA”, e a artista divulgou a capa do projeto. Para a identidade visual do disco, o estilista sergipano Althair Santo criou o “Manto Árida”, inspirado na obra de Arthur Bispo do Rosário. A criação do figurino foi concebida a partir da pesquisa realizada por Héloa.

“O figurino nasce como um território de memória, palavra e anunciação. Assim como Bispo reuniu em sua obra objetos, nomes e elementos do mundo, transformando-os em uma narrativa de existência e apresentação, o Manto Árida foi construído a partir dos caminhos percorridos pela minha pesquisa musical e poética”, conta Héloa, que assina a direção artística e criativa de todo o projeto.
O “Manto Árida” foi desenhado e pensado pelo estilista Althair Santo e confeccionado inteiramente à mão. A manualidade é parte fundamental de sua concepção, reforçando a importância dos fazeres artesanais e dos conhecimentos transmitidos entre gerações. “O bordado neste trabalho não aparece apenas como elemento decorativo. Ele é linguagem, registro e forma de construção de memória. Cada palavra inscrita na roupa participa da narrativa do álbum, aproximando a criação visual de uma tradição em que o fazer manual carrega histórias, identidades e saberes”, explica o estilista. Héloa escolheu o profissional para trabalhar com ela neste projeto por considerá-lo um ícone das artes visuais e por serem conterrâneos.
O Manto Árida é diretamente inspirado no “Manto da Apresentação”, obra emblemática de Arthur Bispo do Rosário. A partir dessa referência, Héloa cria uma leitura própria do manto como lugar de inscrição, pertencimento e passagem. As cores vibrantes e as palavras bordadas celebram ancestralidades de matriz africana e indígena, arabescos nordestinos, etnias e povos, as próprias canções e composições do álbum, elementos naturais e pensamentos fortalecidos pela caminhada da artista.
“O manto é, assim, uma cartografia de referências e afetos. Uma vestimenta que apresenta ao mundo os saberes, as memórias e as forças que atravessam ‘ÁRIDA’, ao mesmo tempo em que anuncia um novo tempo: um sertão que se revela pela abundância, pela beleza, pela ancestralidade e pela potência criativa de seus povos”, descreve a artista.
A fotografia da capa é assinada por Edu Freire, com arte de Roniery e Mariana Veloso. As fotos foram realizadas no Ateliê Boca do Vento, em Ilha do Ferro, em Alagoas. A escolha do local dialoga com o universo presente no álbum. “A Ilha do Ferro é um território marcado pela produção artesanal, pelos bordados, pelas esculturas em madeira e pela transmissão de saberes entre gerações. Sua paisagem, seus fazeres e sua produção artística revelam um sertão cheio de cor, vida e potência criativa”, afirma Héloa.
O Ateliê Boca do Vento, ligado ao Mestre Fernando e à sua família, representa a continuidade dos conhecimentos artesanais. A madeira, os objetos e as esculturas produzidos no espaço carregam a relação entre matéria, território e imaginação, aproximando a fotografia da capa de uma tradição em que a arte nasce do cotidiano e dos saberes locais.
‘ÁRIDA’: o sertão como território de abundância
Quarto álbum de Héloa, “ÁRIDA” investiga as matrizes afro-indígenas e árabe-africanas presentes na formação cultural do Nordeste. O disco desloca o imaginário do sertão como lugar de escassez para revelá-lo como território de ancestralidade, tecnologia, beleza e invenção.
Essa pesquisa atravessa a música e a visualidade do álbum. Forró, baião, rap, xaxado, rojão, afrobeat, reggae, MPB, axé, cantos aos orixás, sons de terreiro e beats eletrônicos compõem uma paisagem sonora em que diferentes matrizes culturais se encontram. O manto traduz visualmente essa diversidade, reunindo palavras, símbolos e cores que fazem parte do universo de Héloa.
A aridez, nesse contexto, não é compreendida apenas como ausência de água ou escassez. É também uma condição de resistência, transformação e florescimento. É a capacidade de criar beleza a partir da matéria, da memória e dos conhecimentos que atravessam gerações.
Sobre Héloa
Héloa é uma artista afroindígena que vem ocupando um lugar de destaque na música nacional brasileira, construindo uma trajetória marcada pela circulação contínua pelos grandes circuitos culturais do país. Em mais de 20 anos de carreira, suas turnês e giras a levaram por importantes polos musicais e espaços de referência, consolidando uma presença que atravessa festivais, centros culturais e eventos de grande alcance. Sua trajetória se afirma na conexão entre tradição e contemporaneidade, na circulação por diferentes territórios e públicos, e na construção de uma obra que entende a música como encontro, celebração e expressão cultural em escala nacional.
Ao longo desse percurso, Héloa já passou por palcos e programações como Auditório Ibirapuera, Feira Preta, Festival de Artes de São Cristóvão (SE), o Itaú Cultural (SP), o Galo da Madrugada e o Marco Zero (PE), além de grande circulação nos Sescs (SP), Festival de Inverno de Garanhuns, Rock The Mountain, Festival Carambola (AL), , Casa Natura, Forró Caju (SE), Virada Cultural (SP e BH), entre outros circuitos pelo Brasil.