Comunicação

‘Obrigado, Paulistanos’: campanha traz sobreviventes do Holocausto refugiados em São Paulo agradecendo à cidade pelo acolhimento

No dia 25 de janeiro comemora-se o aniversário de São Paulo, que em 2023 completa 469 anos. Dois dias depois, 27 de janeiro, é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Por essa ocasião, o Memorial do Holocausto de São Paulo, a StandWithUs Brasil e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (FISESP) apoiam a campanha institucional “Obrigado, Paulistanos”, na qual quatro sobreviventes – uma húngara, uma polonesa e dois romenos – agradecem à população de São Paulo, em nome de todos os sobreviventes, pelo acolhimento da cidade.

Com a campanha, cinco filmes de 30 segundos serão veiculados nos canais SBT, Record News, TV Jovem Pan e Revista Caras, entre outros. A campanha também estará nas redes sociais e em mídias off-line, como os relógios digitais nas ruas da capital paulista.

Nas décadas de 1940 e 1950, após a Segunda Guerra Mundial, de 300 a 500 sobreviventes do Holocausto encontraram refúgio na cidade de São Paulo. Judeus alemães, húngaros, poloneses, romenos, holandeses e tantas outras nacionalidades que escaparam do massacre nazista, muitos sem dinheiro e sozinhos, foram recebidos de braços abertos pelos paulistanos. Foi na cidade de São Paulo que esses refugiados puderam trabalhar, reconstruir suas vidas e criar as próprias famílias, sem as ameaças e restrições que sofreram na Europa apenas por serem judeus. 

Ala Szerman, George Legmann, Joshua Strul e Marika Gidali são os quatro sobreviventes participantes da campanha.

George nasceu em um campo de concentração nazista de Dachau e veio para São Paulo depois da guerra, e por isso considera que “nasceu no inferno e vive no paraíso”.

Ala era apenas um bebê quando sua família fugiu dos nazistas para o interior da Rússia. Depois de passar por muitas dificuldades, incluindo quase morrer de frio na Sibéria, ela conseguiu vir para São Paulo em 1957, onde se casou e teve filhos. 

Joshua foi levado a um campo de concentração aos 12 anos de idade apenas por ser judeu, tendo quase morrido de frio, fome e sede, e conseguiu vir para o Brasil em 1956 e “renascer em São Paulo”.

Marika se escondia em orfanatos, ruínas e porões dos nazistas que caçavam judeus em Budapeste, e passou tanta sede e fome que chegou a ter fungos na boca que a impediam de falar. Chegando em São Paulo em 1947, pôde reconstruir sua vida e fundar a renomada e inovadora companhia de dança Ballet Stagium.

Imagem: Divulgação

“Esses sobreviventes se consideram, antes de mais nada, brasileiros e paulistanos. E por terem ganhado essa segunda chance na vida, gostariam de agradecer genuinamente pelas oportunidades que tiveram em solo paulista. A população de São Paulo merecia esse agradecimento há muito tempo, e os sobreviventes ficaram muito felizes com a oportunidade de dizer ‘obrigado, paulistanos’ à cidade que os acolheu”, afirma Marcio Pitliuk, curador do Memorial do Holocausto de São Paulo, membro do Conselho Acadêmico da StandWithUS Brasil e organizador dessa iniciativa.

Para André Lajst, cientista político e presidente executivo da StandWithUs Brasil, o projeto é importante pois “preserva a memória não só de cada um desses sobreviventes, mas também nos lembra o que foi o Holocausto, o que é fundamental para que não deixemos que algo semelhante se repita, e para que possamos identificar e reagir prontamente a qualquer sinal de antissemitismo. É por isso também que o papel de instituições como a StandWithUs, o Memorial do Holocausto e a FISESP é essencial para manter a memória viva”.

Marcos Knobel, presidente da FISESP, também enfatiza como a campanha é oportuna e necessária. “Duas datas importantes, com sentimentos opostos, mas interligadas por um destino. O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto nos faz relembrar o mais triste capítulo da história da humanidade e contrasta com uma data festiva que é o aniversário da nossa querida cidade de São Paulo. O nosso respeito máximo a todas as vítimas do holocausto, e agradecemos e parabenizamos a cidade de São Paulo por abraçar de forma tão calorosa a nossa comunidade para que pudéssemos recomeçar as nossas vidas”, aponta.

Além da campanha, de 26 de janeiro a 15 de fevereiro, no Shopping Pátio Paulista, haverá a exposição “A Cara de São Paulo”, que contará com fotografias de paulistanos que representam a cidade – incluindo imagens dos sobreviventes –, escolhidas sob a curadoria da apresentadora Ana Maria Braga e do maestro João Carlos Martins, com entrada gratuita. Ainda em janeiro também será possível conhecer uma outra exposição com mais de uma dezena de fotos artísticas dos sobreviventes, tiradas pelo fotógrafo Luiz Rampazzo, que serão expostas no shopping Vila Olímpia, também como parte da iniciativa “Obrigado, Paulistanos”.

Já em 27 de fevereiro, em sessão solene aberta ao público e à imprensa, a Câmara Municipal de São Paulo vai conferir um diploma a esses sobreviventes em reconhecimento à história vivida no período do Holocausto e por todo o trabalho prestado à cidade de São Paulo.

Serviço

Exposição fotográfica “A Cara de São Paulo – edição 2023”

Cerimônia de abertura: dia 25 de janeiro, às 16h30 – só para convidados

Aberto ao público: de 26 de janeiro a 15 de fevereiro

Segunda a sábado, das 10h às 22h – domingos das 10h às 16h

Curadoria: Ana Maria Braga e João Carlos Martins

Fotografia: Catarina Machado e José Barbosa

Shopping Cidade São Paulo – Avenida Paulista, 1230 – Segundo piso – Loja 1119

Entrada grátis

Apoios: Shopping Cidade São Paulo, Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de SP, Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, StandWithUs Brasil, Federação Israelita do Estado de SP.

Sobre o Memorial do Holocausto de São Paulo

Entre 1933 e 1945, seis milhões de judeus foram assassinados de maneira orquestrada, cruel e sistemática. Para trazer à tona a memória das vítimas dessa tragédia, apontar as causas, mazelas e propor medidas concretas para que possamos nos tornar mais civilizados e empáticos, foi inaugurado em novembro de 2017 o Memorial do Holocausto na cidade de São Paulo. 

Localizado na antiga Sinagoga do Bom Retiro, o museu ocupa o último andar do Memorial da Imigração Judaica, e ambos estão abertos ao público, que pode agendar visita de maneira gratuita. Com um acervo interativo e audiovisual, o memorial remonta, através de fotos, vídeos, objetos da época e instalações, esse trágico episódio, que vitimou milhões de judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. 

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