Patrícia Patrocínio; 17/06/2022 às 16:30

#CulturaEmCasa celebra o Mês do Orgulho LGBTQIAP+ com conteúdos especiais

Ativistas, artistas e especialistas fazem parte da programação da plataforma, gerida pela Amigos da Arte

Em celebração ao Mês do Orgulho LGBTQIAP+, a #CulturaEmCasa, plataforma de streaming e vídeos, apresenta uma programação especial que inclui espetáculos musicais, peças de teatro, websérie, exposição e webinário. A programação ficará disponível até 30 de junho, com mais de 30 conteúdos programados acessíveis pelo aplicativo da plataforma, disponível nas lojas da Apple Store e do Google Play. Para acessar todo o conteúdo do Mês do Orgulho LGBTQIAP+, clique aqui.

Como nos anos anteriores, a pauta LGBTQIAP+ ganha reforço na plataforma ao longo de junho. Desta vez, cerca de 100 artistas, ativistas e pensadores farão parte da ação que vai tratar de temas como política, arte, justiça e cidadania. Entre as principais participações, farão parte da iniciativa nomes como Renan Quinalha, Silvetty Montilla, Ikaro Kadoshi, Salete Campari e Thiago Mendonça, além de contribuições de personagens do interior do país que contam suas histórias de luta por respeito e igualdade.

Na websérie “Bysha, tu acha?”, o público vai conferir em quatro episódios assuntos importantes sobre a comunidade LGBTQIAP+ com artistas e personalidades relevantes que apresentam um conteúdo de valor sociocultural no contexto político nacional. A artista drag Alexia Twister vai abordar a importância política da arte drag e sua contribuição em seu autoconhecimento. No episódio com Thiago Pantaleão, o rebolador “profissional” e compositor, serão tratados temas como representatividade, sexualidade e liberdade de sentimentos por meio de suas músicas. De quebra, Thiago ensina o “rebolado” ao apresentador JOMA. O terceiro episódio conta com o ator, diretor e roteirista Victor Di Marco, que fala sobre o corpo da pessoa com deficiência, a pulsação da sexualidade e as experiências pessoais de suas obras artísticas. Por último, Gabeu, músico, criador do “pocnejo” e dono do álbum “Agropoc”, aborda a importância de a pessoa LGBTQIAP+ ocupar diferentes espaços no meio artístico, como a cena sertaneja. 

Na categoria  “Museu da Diversidade Sexual” (MDS) do especial, convidados revelam processos comuns à comunidade. Dificuldades na infância, aceitação, militância, vida noturna, relacionamentos e perspectivas para o futuro são alguns dos temas. As entrevistas estão na íntegra pelo canal do YouTube do MDS e contam com os destaques de Serrana | + Orgulho Personalidades, Itú 2 | + Orgulho Personalidades e o Palco da Diversidade.

A live Páginas da Transgressão, inspirada no livro homônimo, apresenta um panorama sobre a representação da diversidade sexual na mídia brasileira em diferentes épocas. O livro foi organizado pelos professores Paulo Souto Maior e Fábio Ronaldo da Silva e compila importantes trabalhos de pesquisadores LGBTQIA+ de diversas regiões do Brasil.  A live conta com mediação do professor e advogado Renan Quinalha, que fez o prefácio do livro, e participação dos autores Caio Maia, Fábio Mob, Julia Oliveira e Paulo Souto. 

A exposição “Memórias de uma Epidemia” fala sobre HIV e aids, e é uma realização do Google Arts and Culture em parceria com a Parada do Orgulho LGBTQIA+. Os curadores da exposição, Remom Bortolozzi e Matheus Emilio Pereira da Silva, conversam sobre os quatro fragmentos que compõem a mostra. Lançados em momentos distintos, eles perpassam os seguintes temas: as imagens da aids na mídia, a luta da sociedade organizada e dos coletivos de solidariedade, as respostas públicas e os aprendizados no enfrentamento à epidemia e as produções estéticas do HIV e da aids.

HIV Através das Décadas“, com mediação da jornalista Roseli Tardeli, traz os convidados Diego Krausz, Drew Persí e Thaís Renovatto, que contam como foi o processo de produção e gravação da web-série “O Som das Décadas”, na qual falam sobre suas experiências como pessoas que vivem com HIV e sobre velhos estigmas que, 40 anos após o surgimento do vírus, ainda precisam combater. 

A programação também traz o especial “Música com Orgulho”, com shows de Coral e Aíla. Coral é poeta, cantore, compositore, intérprete e musicista baiane com mais de 15 anos de carreira na música e destaque do novo cenário artístico-cultural brasileiro. Artista paraense, Aíla exibe o ritmo pulsante da nova música do Pará, com letras diretas, linguajar periférico e batida que vai do pagodão ao brega, tudo marcado por uma levada eletrônica contemporânea e pop. A cantora, que é uma importante voz do ativismo LGBTQIA +, faz uma imersão nos ritmos periféricos do Brasil e do mundo.

As apresentações contam ainda com apresentações de Letrux, Ellen Oléria e Lan Lahn. Letrux é autora de sucessos como “Flerte Revival”, “Que estrago” e “Vai render”, e é considerada um dos nomes de maior destaque no cenário da música independente contemporânea. Sempre alerta e sensível às questões de nosso tempo, Letrux expressa em suas composições toda a força de seus ideais. Ellen Oléria, conhecida pelo público por seu timbre cintilante e pelo repertório brasileiríssimo, condensa, em sua performance, o que o povo brasileiro reconhece como seu: entusiasmo e um sorriso que nunca sai do rosto. Uma das maiores percussionistas do Brasil, Lan Lahn tocou em palcos do mundo todo com artistas como Carlinhos Brown, Elba Ramalho, Tim Maia, Marisa Monte, Titãs, Nelson Gonçalves, Angela Maria, Cauby Peixoto, David Byrne, Cyndi Lauper, Geraldo Azevedo, Cássia Eller e outros gigantes da música. Lan também fez parte da banda Moinho, cujo single “Esnoba” fez sucesso como música-tema da personagem interpretada por Ísis Valverde na novela “Beleza Pura”, a Rakelli.

Fecham as apresentações musicais os espetáculos de  Liniker e os Caramelows, que fazem um show intimista com sucessos como “Tua”, “Zero”, “Intimidade”, “Calmo”, “Psiu”; Rico Dalasam, cantor dos hits “Todo Dia”, “Mudou Como”, “Fogo em Mim” e “Riquíssima”, que têm milhões de visualizações no YouTube; e Titica, maior nome do Kuduro, estilo musical de Angola, e compositora de músicas como “Xucalho”, “Dá Licença” e “Olha o Boneco”, além de representante da luta contra o preconceito e a homofobia. Mulher trans, Titica é considerada uma das maiores influências da música africana, segundo o jornal inglês The Guardian.

No teatro, destaque para “Stonewall 50”, com Thiago Mendonça, que aborda os 50 anos da luta pelos direitos civis das pessoas LGBTQIA+.  A peça conta com elementos da linguagem do teatro-documentário, vídeos e músicas do universo karaokê. O ponto central do espetáculo é a revolta de Stonewall, considerada um marco do movimento de liberação gay e momento em que o ativismo pelos direitos LGBTQIA+ ganha o debate público e as ruas. Ocorrido em 28 de junho de 1969, o levante marca o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Também integra as peças do especial Araras, uma comédia que aborda  questões sobre sexualidade, gênero e preconceitos. O espetáculo, dirigido por Daniara Marchesi e estrelado por Amanda Brum e Júlia Guerra, retrata o momento em que duas mulheres têm seu relacionamento posto em xeque por diferenças de posicionamento sobre transição de gênero.

No especial Webinário Acervos Digitais LGBTQIA+, O Arquivo Lésbico Brasileiro (ALB) reúne representantes de instituições de memória durante a 6ª Semana Nacional de Arquivos para debater as perspectivas e os desafios que essas instituições enfrentam ao disponibilizar seus acervos na internet. Em “Normas e Regulações“, convidados discutem experiências com acervos digitais e natodigitais pertencentes a projetos de memorialização da população LGBTQIA+ com as participações de Mariana Valente (InternetLab) e Isabel Maringelli (Pinacoteca de São Paulo), e a moderação de João de Pontes Junior (Museu da Cidade de São Paulo). Já “Experiências Contemporâneas” mostra o custo dos que lutam pela continuidade e pela preservação da história e da narrativa íntegra de grupos minoritários na sociedade. Participações de Paula Silveira-Barbosa (ALB) e Ian Habib (Museu Transgênero de História da Arte), com a moderação de Felipe Areda (Instituto LGBT+).

O especial também conta com uma série de curtas-metragens. A seguir, a sinopse de cada um dos filmes.

O Som das Décadas, a partir de 24 de junho.

Com um tom nem sempre agradável, mas muito transparente, os curtas-metragens, divididos em quatro décadas, apresentam uma faceta única de uma vida cheia de preconceitos e medos, intensificados pela situação das personagens. Cada uma delas passa por acontecimentos tocantes e corriqueiros, seguramente ajustados ao período em que ocorrem. “O Som das Décadas” é uma ferramenta de empatia e apoio a pessoas que passam por situações de desesperança e a todos aqueles que estejam abertos a escutar e a contribuir para um mundo mais justo.

Silêncio, 24/06

A década de 80 foi assolada por um vírus até então desconhecido e mortal, o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Em uma década, a doença matou mais de 30 mil pessoas no mundo. Pessoas morriam todos os dias em silêncio, causado pelo estigma, pelo preconceito e pelo tabu em torno do assunto. Criação e idealização de Drew Persí, Thais Renovatto, Diego Krausz. Direção-geral e edição de Diego Krausz. Interpretação: Drew Persí, Diego Krausz. Vozes: Guilherme Montoia (médico) e Raul Vitto (rapaz).

A Fala, 25/06

Os anos 90 trouxeram esperança para as pessoas diagnosticadas com o vírus da aids. A descoberta de medicamentos capazes de prolongar a vida desses pacientes também trouxeram a necessidade de se falar sobre o assunto. O HIV, agora, era um assunto de todos nós. Criação e Idealização: Drew Persí, Thais Renovatto, Diego Krausz

A Escuta, 26/06.

Nos anos 2000, a expectativa de vida de uma pessoa vivendo com HIV foi considerada a mesma de qualquer outra pessoa, e a necessidade de essas pessoas serem ouvidas e, de certa forma, aceitas, passa a ser um dos principais dramas na vida dos pacientes. A AIDS já não tinha mais cara, e o vírus parecia comigo, com você, com todos nós. Criação e Idealização: Drew Persí, Thais Renovatto, Diego Krausz.

O Grito, 27/06

Vacinas imunizantes, PREP, PEP, Indetectável = Intransmissível, quatro pessoas curadas no mundo, novas e promissoras pesquisas para uma possível cura, tratamentos sem efeitos colaterais, entre muitas outras boas notícias, ilustram essa década atual. Ela nos trouxe a necessidade de GRITAR que existimos, e somos mães, pais, filhos, artistas, youtubers, escritores, balconistas, atletas, garis, médicos, e tudo mais que se existir, e estamos vivos, e estamos saudáveis. Mas o que de fato mudou socialmente em relação ao HIV nas últimas quatro décadas? Criação e Idealização: Drew Persí, Thais Renovatto, Diego Krausz.

Show de Stand Up, 28/06

No Dia do Orgulho, o “Show de Stand Up”, com Cintia Rossini, Babu Carreira, João Bubiz e Fernando Pedrosa e o especial “A Cultura do Baile” fecham a programação. “A Cultura do Baile” promove eventos que misturam performance, dança, dublagem e modelagem. Os eventos são divididos em várias categorias, e os participantes “caminham” por prêmios e troféus. A partir do final do século XIX, membros da comunidade LGBTQIAP+ underground em grandes cidades começaram a organizar bailes de máscaras conhecidos como “drags” em desafio às leis que proibiam os indivíduos de usarem roupas do sexo oposto.      

Fonte: Assessoria. 

 

 

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