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CURA Amazônia: artistas Duhigó e Rember iniciam pinturas em empenas de edifícios em Manaus

Nesta quarta-feira, 7 de agosto, o Mirante de Arte Mural Amazônica começa a receber as obras dos artistas Duhigó e Rember Yahuarcani, que irão iniciar as pinturas das empenas dos edifícios Mônaco e Monte Carlo, localizados na avenida Getúlio Vargas.

Imagem: Nathalie Brasil

As obras ficarão prontas no dia 17 de agosto. O Mirante Arte Mural Amazônica é uma iniciativa do Circuito Urbano de Arte (CURA Amazônia), um dos maiores festivais de arte pública do Brasil. Com mais de 20 murais em empenas já realizados, esta é a primeira edição do circuito em Manaus. 

Ao longo de 11 dias, a empena do Edifício Mônaco recebe a arte de Duhigó, filha de pai Tukano e mãe Dessana, a primeira indígena da etnia Tukano a se profissionalizar nas artes visuais. Suas obras refletem a memória do povo Tukano, como um meio de manter a cultura viva. 

Em 2018, ela se tornou a primeira artista Tukano a participar da Bienal Naifs do Brasil e voltou a expor na mesma bienal em 2020. Sua obra “Nepũ Arquepũ”, que retrata um ritual de nascimento Tukano, foi adquirida por colecionadores e doada ao Masp, tornando-a a primeira mulher indígena amazonense no acervo do museu. Em 2022, sua obra “Máscara de Ritual I” entrou para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, e em 2024, ela participou do Pavilhão da Bolívia na Bienal de Veneza.

 

Imagem: Divulgação

“Na minha vida, busquei, por meio do meu espírito, lembranças dos antepassados. E o que peço é força para que possa trazer coisas boas para a nova geração. Minha arte é um canal pra mostrar minha mente espiritual, dos meus antepassados”, comenta Duhigó.

O artista peruano Rember Yahuarcani, responsável pela empena do edifício Monte Carlo, tem apresentado seu trabalho em museus e galerias ao redor do mundo desde 2003. Ele participou da Bienal de Veneza em 2024, onde também atua como curador. 

A sua arte está inserida em um movimento global que usa a arte indígena para desafiar e revisar os cânones estéticos e culturais, oferecendo novas perspectivas sobre a apropriação das estéticas, mitos, conhecimentos e medicinas ao longo dos últimos séculos.

Yahuarcani acredita que a arte, especialmente a pintura, serve como uma forma de auto representação indígena, permitindo que as vozes dos ancestrais se manifestem em sua obra. Para ele, a arte é um espaço onde os indígenas podem falar em primeira pessoa e transmitir a sabedoria ancestral através de cada palavra, gesto e traço, refletindo uma perspectiva única e pessoal sobre a história e cultura indígena.

 

Imagem: Divulgação

“Não há como convidar ao estético se não se fala de materiais e poderes invisíveis porque a arte indígena transporta o conhecimento dos nossos ancestrais”, conta Yahuarcani.

CURA Amazônia

Criado em 2017, presenteou a capital mineira com seu primeiro circuito de pintura em empenas e o primeiro mirante de arte urbana do mundo. Sua coleção conta com os murais mais altos pintados por mulheres na América Latina e quatro murais de artistas indígenas. 

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