Amazônia

Documentário registra manejo da fauna e saberes ancestrais do povo Baniwa na Amazônia

Filme lançado na COP30 registra práticas tradicionais de conservação no Alto Rio Negro e mostra como as mudanças climáticas afetam o manejo da fauna realizado pelo povo Baniwa

Os saberes tradicionais do povo Baniwa sobre o manejo da fauna no Alto Rio Negro são o tema do documentário “Eenonai: Conservação e manejo na casa dos animais”. Apresentado na COP30, em Belém, o filme retrata técnicas ancestrais de conservação e evidencia os impactos da emergência climática sobre os territórios indígenas.

Produzido a partir de pesquisas realizadas na região do Rio Ayari, na bacia do Rio Içana, o documentário acompanha práticas como o uso de instrumentos tradicionais, o respeito aos ciclos da floresta, a caça apenas do necessário e a partilha dos alimentos com a comunidade. O registro também mostra como as alterações climáticas têm interferido na disponibilidade da fauna e na transmissão desses conhecimentos.

O educador-pesquisador, físico, cientista ambiental e liderança indígena Dzoodzo Baniwa, que participou da produção do documentário, destaca que o filme registra práticas de manejo desenvolvidas ao longo de gerações e reforça o papel dos povos indígenas na conservação da floresta.

Segundo ele, esse conhecimento também contribui para compreender os efeitos das mudanças climáticas sobre o território e orientar estratégias de gestão ambiental.

“O documentário resgata essas práticas tradicionais e dá esse horizonte de como podemos continuar mantendo o manejo da caça no nosso território, inclusive nessa perspectiva de impacto de mudanças climáticas. É muito importante, porque tanto os animais quanto nós povos indígenas manejamos esse território todo, ajudamos a diversificar as plantas, distribuindo sementes. A gente tem esse papel muito importante na proteção da floresta”, disse Dzoodzo.

Rede de AIMAs

As práticas apresentadas no documentário também são acompanhadas pela Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs), que reúne pesquisadores indígenas dedicados ao monitoramento ambiental do território.

Criada a partir da parceria entre o Instituto Socioambiental (ISA), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), organizações locais e escolas indígenas, a rede atua no Alto e Médio Rio Negro. Os agentes registram práticas relacionadas à: caça; pesca; agricultura; coleta de alimentos; rituais; produção de instrumentos tradicionais. Gerando, assim, informações que contribuem para a preservação dos conhecimentos indígenas e a gestão dos territórios.

Impactos das mudanças climáticas 

Os levantamentos realizados pelos agentes também apontam os efeitos das mudanças climáticas sobre os ciclos ecológicos da região. 

Entre os impactos observados estão alterações na disponibilidade da fauna e da flora, além de mudanças que afetam práticas de manejo e atividades culturais das comunidades indígenas.

As informações reunidas pela Rede de AIMAs também servem de base para a elaboração de indicadores que orientam ações de gestão e governança dos territórios indígenas. O trabalho é desenvolvido em parceria com instituições de pesquisa e universidades, fortalecendo iniciativas de monitoramento ambiental de longo prazo.

A pesquisa apresentada no documentário é resultado da atuação da Rede de AIMAs em parceria com o Centro de Pesquisa e Monitoramento Eenopana e a Rede Fauna, iniciativa dedicada à conservação, ao uso e ao manejo da fauna na Amazônia. 

A produção foi idealizada pela pesquisadora Natalia Pimenta e pelos pesquisadores André Pinassi Antunes e Walter Lopes da Silva, do povo Baniwa, com direção de Fellipe Abreu e Giselle Sousa.

Imagem: Divulgação/ Instituição Socioambiental (ISA)

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