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#MercadizarIndica: Black is King e o afrofuturismo

Na sexta-feira passada, 31 de julho, a Disney+, serviço de streaming da Disney Channel, junto com a cantora Beyoncé, lançou o filme Black is King. O filme, dirigido e escrito por Beyoncé, traz um jovem rei africano, separado de sua família, que passa por uma jornada para recuperar seu trono, utilizando a orientação de seus ancestrais e seu amor de infância. Além disso, a história é contada através das músicas do álbum The Lion King: The Gift, trilha sonora do live-action de Rei Leão, lançado em 2019. 

Com grande repercussão entres os fãs de Beyoncé e a imprensa, Black is King possui algumas referências ao afrofuturismo, mas talvez você esteja se perguntando “O que é isso?”. O afrofuturismo é um movimento cultural, social e político, cuja produção promove o encontro entre ficção científica, tecnologia, ancestralidade, mitologia e diáspora africana negra. Suas narrativas, seja na música, artes plásticas, literatura, moda e cinema, dizem respeito, especificamente, à população negra.

De acordo com Kênia Freitas, referência do movimento no Brasil, o afrofuturismo é um movimento vivo e em construção. “ […] Há muitas definições. A que prefiro é a que pensa o Afrofuturismo como um movimento político e estético que explora narrativas de ficção especulativa a partir da perspectiva negra. Algumas vislumbram a possibilidade de novos futuros para a população negra, enquanto outras trabalham reelaborando o passado ou fabulando o presente”, afirmou ela na matéria “Verbet Draft: o que é afrofuturismo” do site Draft. 

“Basicamente, como possuem pouca perspectiva de presente – devido à violência da diáspora ao racismo atual – é difícil para que a população negra tenha uma perspectiva de futuro. O movimento, que é multifacetado, vem para quebrar esse paradigma e valorizar a cultura africana com o uso de elementos ancestrais para criar mundos futuros avançados. É a partir dessa projeção de futuro que  conseguiremos realizá-lo de fato, então, o afrofuturismo é também uma maneira de buscar novas formas de viver, além de ser também uma forma de repensar e criticar o presente”, diz a reportagem “Afrofuturismo, o movimento que inspirou Beyoncé em Black is King” .

Na ficção científica e no cinema, a escritora Octavia Butler e os diretores, produtores e roteiristas Ava DuVernay e Spike Lee se destacam como afrofuturistas. Já nas artes plásticas, temos nomes como Basquiat e Lina Iris Viktor, e na música Sun Ra, George Clinton, Jimi Hendrix, Funkadelic, Drexclya, Grace Jones, Janelle Monáe e Missy Elliott também estão inseridos no movimento. 

https://www.youtube.com/watch?v=JeOz5vu1_7E

Beyoncé não fica de fora e Black is King traz cores metálicas, visuais e coreografias robóticas e batidas eletrônicas, como é no caso da música Find your way back. Já em Water, Pharrell Williams e Salatie se juntam a cantora em um cenário cheio de cores, figurinos e danças de culturas tribais africanas. O mesmo se repete na dançante My Power

https://www.youtube.com/watch?v=6D9-bcqnrDI

A ancestralidade também possui uma forte presença no filme. A deusa Oxum, rainha em águas doces, considerada a senhora da beleza e da fertilidade em religiões de matriz africana, é exaltada por Beyoncé em diversos detalhes em Black is King. A representação pode ser observada, por exemplo, nas cenas na água e até em figurinos, como o usado por ela no vídeo de Spirit, lançado no ano passado, e incorporado neste novo álbum. Em 2017, Beyoncé havia feito referência à Oxum na apresentação do Grammy, onde se vestiu de dourado com uma coroa na cabeça, roupa que remetia diretamente à divindade.

Além disso, Black is King possui um elenco majoritariamente negro e reforça o quanto a representatividade é importante, algo comum em obras afrofuturistas. 

“Praticamente todas as criações da ficção científica são feitas com um ideal de ego [conceito criado por Freud que trata, basicamente, da representação de si mesmo que procura aceder a representações idealizadas] de pessoas brancas, ou seja, imaginamos um futuro apenas com pessoas brancas. Como disse Neusa Santos Souza, no livro Tornar-se Negro, as pessoas afrodescendentes não têm esses ideais de ego, porque sempre são representadas como o alien ou o vilão. Com o afrofuturismo, conseguimos criar esse ego no negro, o que é extremamente importante”, explica Ale Santos, estudioso do afrofuturismo, ao site Claudia. 

Assista o trailer de Black is King abaixo:

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