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Escritores amazonenses concorrem ao prêmio literário “Jabuti”

Três autores amazonenses estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti, considerado uma das maiores honrarias literárias do Brasil. Escritoras infantojuvenis, Mariana Pedrett, Danielle Soares e Tenório Telles concorrem, respectivamente, nas categorias infantil, ilustração e poesia.

Em entrevista ao portal Em Tempo, os finalistas conversaram sobre os livros e a percepção da literatura como um todo.

Mariana Pedrett trabalha como terapeuta de crianças com surdez e que utilizam implante coclear escreveu o livro “As Três Orelhas”, que explica o funcionamento da audição, que ainda é pouco conhecida pela sociedade e possibilita que crianças aprendam mais sobre a própria audição. O livro também traz curiosidades sobre a audição em outras espécies.

“Eu comecei a escrever essa obra em 2020, mas já vinha ‘ruminando’ há anos o projeto, a partir de histórias de pais com crianças com surdez ou das próprias crianças. Em janeiro de 2020, eu sentei e escrevi essa história em três dias. Depois, chamei minha família e li para todos, e eles acharam que eu deveria fazer um livro ilustrado para crianças com essa história e com essas informações”, lembra Mariana Pedrett.

A oralização dos contos

Já a escritora Danielle Soares produziu o livro “Meninos-Árvores” inspirado pelas histórias que a avó contava ao reunir os netos. O livro apresenta o ritual da oralidade ao reunir várias pessoas e contar histórias sobre a natureza, as lendas e, principalmente, sobre a memória.

Um livro para ser não só lido, mas contado, “Meninos-Árvores” foi produzido em homenagem à Dona Joaquina, avó de Danielle e conta a história de meninos que, ao transgredirem a regra de seu povo, são transformados em árvores vivas por um guardião.

“Minha avó contava histórias do boto que saía do rio para encantar as mocinhas do interior, de almas penadas, da cobra grande, da morte misteriosa do seu pai que era pescador e tantas outras que mexiam com o nosso imaginário e emoção. Ela também conta as mesmas histórias atualmente para os seus bisnetos”, comenta Danielle.

Uma reflexão sobre a vida

“Prelúdio Coral”, livro que foi escrito por Tenório Telles, quando estava internado durante a primeira onda da Covid-19, em abril de 2020, registra todas as impressões e sentimentos sobre a vida humana, ressaltadas pela doença, pelo cenário e pelo período.

Foto: Lucas Silva

“Eu escrevi este livro no período da hospitalização, mas passei os quatro meses posteriores estruturando ele. É um livro muito experimental, que reflete sobre o sentido da vida, sobre nossa condição como seres humanos, tratando, inclusive, da fragilidade da vida, diante da qual estive frente a frente. Os poemas ‘O lutador’ e ‘Anicca’, por exemplo, refletem tanto sobre a luta pela vida quanto sobre a precariedade dela, sua impermanência”, narra Tenório.

Tenório, que também é presidente do Conselho Municipal de Cultura, acredita que a leitura está associada à educação e ao incentivo, e propõe que as duas caminhem de mãos dadas como solução para aumentar a quantidade de leitores que consumam. O escritor já possui projetos futuros que envolvem um novo manuscrito de poesia e a finalização de seu mestrado, também transformado em livro.

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