Sociedade

Mais de 200 pessoas debatem o fortalecimento da autonomia feminina no Médio Juruá

Mais de 200 pessoas participaram da Assembleia Ordinária 2025 da Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá (ASMAMJ), que reuniu representantes de mais de 30 comunidades do município de Carauari (a 787 km de Manaus), no início do mês, para avaliar as ações do último ano, definir prioridades, prestar contas e reformular seu estatuto.

Imagem: Rebeca Vilhena

O encontro, focado no fortalecimento da autonomia feminina e no acesso a direitos, também contou com oficinas e debates para ampliar a discussão sobre os desafios e conquistas da associação. “A Assembleia é um momento extremamente importante para avaliar a ‘saúde’ da associação, compartilhar informações e renovar o entusiasmo, pois é a única ocasião em que conseguimos reunir pessoas de todas as partes do município. Vivemos muitas lutas, mas também muitas vitórias para comemorar. Por isso, sempre buscamos incluir espaços informativos e celebrativos, trazendo as ações sociais. Essa é a oportunidade que temos para reunir todo mundo”, explicou Fernanda Sousa, psicóloga da associação e colaboradora do Memorial Chico Mendes, por meio do projeto Floresta +.

A realização da Assembleia, assim como o projeto “Elas no Juruá – fortalecimento do protagonismo feminino e conservação ambiental em Carauari/AM”, conta com o apoio do Memorial Chico Mendes, por meio do projeto Floresta +.

 

Imagem: Rebeca Vilhena

“O apoio do Memorial Chico Mendes ao fortalecimento do protagonismo feminino e à conservação ambiental em Carauari é de grande importância para nós. A realização da Assembleia, juntamente com outras iniciativas, representa um passo importante para continuar essa luta, unindo forças para o desenvolvimento sustentável e o empoderamento feminino nas comunidades do Juruá”, declarou Maria José Albuquerque, coordenadora do projeto.

Durante a atividade, também ocorreram palestras, rodas de conversa e consultas médicas. Além disso, foram promovidas atividades para crianças e adolescentes que acompanhavam suas mães, já pensando na construção do futuro da associação. 

 

Imagem: Rebeca Vilhena

“Essa Assembleia é muito importante para alinharmos novas propostas, garantindo que a associação continue crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Assim, nós, mulheres, podemos fortalecer nosso empreendedorismo e conquistar nosso espaço dentro do território”, compartilhou Silvilene Silva, moradora da comunidade “Gumo do Facão” e associada da ASMAMJ.

Durante a Assembleia, as participantes também receberam a segunda parte da Formação Política sobre Gestão de Território, uma das iniciativas organizadas pela associação. O principal objetivo dessa atividade é fortalecer a participação das mulheres, incentivando-as a ocupar espaços de decisão, lutar por seus direitos e se reconhecerem com seus direitos sociais e políticos.

 

Imagem: Rebeca Vilhena

“Pensamos em finalizar essa capacitação durante a Assembleia, pois é o momento em que conseguimos reunir o maior número possível de mulheres. Assim, começamos com um grupo reduzido e encerramos com um grupo maior, sempre com o objetivo de ampliar o acesso à informação. Quanto mais mulheres tiverem acesso ao conhecimento, mais forte será a associação e mais conseguiremos desenvolver esse trabalho dentro do território”, continuou Fernanda.

Além disso, foram realizadas atividades no Dia Internacional da Mulher, com rodas de conversa sobre temas essenciais, como saúde da mulher e saúde mental, além de torneios de futebol. 

“O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é uma data de grande importância, e, como somos uma associação formada 100% por mulheres, queremos que nossos eventos, especialmente a Assembleia, que é o maior e principal evento da associação, aconteçam nesse período. Esse é um momento não apenas de celebração, mas também de reflexão sobre a origem dessa data, que surgiu a partir de um massacre envolvendo mulheres e crianças na luta por direitos trabalhistas e outras garantias fundamentais”, disse Rosângela Cunha, presidenta da associação.

Sobre a ASMAMJ

Há duas décadas, a Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá promove a valorização das mulheres no meio social, garantindo acesso a políticas públicas e incentivando o protagonismo feminino dentro das comunidades. Fundada em 2004, a associação tem desempenhado um papel fundamental na geração de renda para suas associadas, que atuam na produção artesanal de biocosméticos, saboaria e biojoias a partir de matérias-primas sustentáveis da Amazônia, como a andiroba e as escamas de peixes manejados da região.

 

Imagem: Rebeca Vilhena

“A associação, quando foi fundada, começou com 20 mulheres. Na época, elas enfrentavam grandes dificuldades. O território ainda era pequeno, as comunidades também, e eram as mulheres que ‘seguravam toda a barra’ da família e do trabalho, enquanto os homens participavam de encontros, como os dos seringueiros, e, principalmente, da fundação da Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá. As mulheres tiveram um papel fundamental na criação da reserva e no fortalecimento do território, pois, além de suas contribuições, carregavam sozinhas as responsabilidades da casa, dos filhos e do trabalho”, declarou Rosângela.

A sede da associação está localizada na comunidade de São Raimundo e representa um espaço conquistado com muito esforço ao longo de duas décadas de luta. Apesar dos avanços, ainda há desafios a serem enfrentados, como o machismo estrutural, o reconhecimento do trabalho feminino nas cadeias produtivas, a divisão igualitária dos espaços de decisão e o combate à violência contra a mulher.

Imagem: Rebeca Vilhena

A ASMAMJ impacta diretamente 500 pessoas e, indiretamente, mil em 33 comunidades do Médio Juruá. Com 246 mulheres associadas, a organização beneficia 300 famílias por meio de suas atividades produtivas e da valorização do conhecimento tradicional.

Sobre o Memorial Chico Mendes

O Memorial Chico Mendes, fundado em 1996 pelo CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação do legado do ativista ambiental Chico Mendes e à promoção de projetos sociais e ambientais na Amazônia. Por meio de diversas iniciativas, contribui para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das comunidades extrativistas.

O projeto “Elas no Juruá”, apoiado pelo Memorial, beneficia diretamente a ASMAMJ e tem como objetivo promover o empoderamento feminino por meio da capacitação continuada sobre gestão territorial e do fortalecimento das atividades produtivas desenvolvidas de forma sustentável e protagonizadas por mulheres. Dessa forma, busca assegurar a garantia dos direitos das mulheres, a geração de renda e o uso sustentável dos recursos naturais

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