Opinião

Somos reféns de nossas próprias bandeiras?

mi·li·tan·te

. Aquele que milita, que luta e combate.

. Aquele que defende uma causa ou ideia ativamente.

. Aquele que está em exercício ativo, que desempenha uma atividade.

Nessas últimas semanas estamos acompanhando com maior frequência nas redes sociais o uso dos termos militante, militar, militância e todos os motivos acerca de seu uso, afinal de contas, nunca é fácil falar sobre algo que mexe diretamente com o que vivenciamos diariamente e acreditamos. 

Com o início do programa Big Brother Brasil a busca por termos e significados que giram em torno de militâncias e suas causas aumentou consideravelmente, automaticamente colocando em evidência para o público em geral a necessidade do debate e entendimento dos assuntos abordados, sendo essa sua maior finalidade, propagar os interesses de suas lutas e objetivos quanto a movimentação do meio. 

Em nossa fala, quando usamos o verbo militar, sempre há o risco de causar incômodo em quem nos escuta, talvez pelos estigmas negativos que a palavra carrega, ou a própria falta de compreensão em tentar entender um ponto de vista diferente, podendo ser por inúmeros motivos. Porém, a militância se faz importante no dia a dia, pois é com ela que as ideias e valores sociais mobilizam determinados grupos e difundem entre os demais, já que um dos significados da própria palavra militante é aquele que luta e combate.

Um reality show acaba sendo indiretamente um experimento social, por reunir pessoas de origens diversas com individualidades, valores morais e vivências externas ao reality, em um único ambiente, criando situações únicas e propícias, desencadeando embates entre esses participantes. Ao longo de suas várias edições, as situações que ocorrem dentro da casa acabam sendo uma projeção do que acontece na sociedade, exemplo disso foi a edição de 2020, que proporcionou conflitos e reflexões em torno de temas como machismo, racismo estrutural e feminismo, assuntos e movimentos que permeiam a nossa existência. 

O destaque desta edição é a grande presença de participantes negros, famosos e anônimos, que compartilham a relevância de suas histórias e trazem à superfície pautas raciais e privilégios advindos de cada integrante do elenco. Nessa jornada, podemos conferir o desenvolvimento de cada personagem, e suas relações interpessoais, como as da psicóloga Lumena Aleluia, que já protagonizou diferentes discussões entre os brothers, como o respeito e cuidado com a comunidade trans e travesti, onde ensinou de forma didática e realista o desserviço causado ao reproduzir brincadeiras exageradamente femininas ao se maquiar, reduzindo travestis ao caricato, ato comumente praticado por homens héteros cis. No entanto, neste meio tempo, a mesma participante esteve envolvida em alguns episódios aos quais apresentou comportamento e reações diferentes daquela que defende e questiona na casa, indo de encontro a sua própria ‘militância’.

Fato este que nos traz a reflexão, quando episódios de exclusão, acusações e julgamentos foram direcionados à outra participante, Juliette Freire, acontecimentos estes que tiveram participação direta e indireta de Lumena, que pela falta de empatia e gentileza no tratamento das divergências acabaram levantando questionamentos entre os próprios telespectadores. Como alguém que prega a necessidade da escuta gentil e acolhedora dentro de seus discursos pode reproduzir comportamentos contrários? 

Ao fazermos essa análise, de forma alguma temos a intenção de retirar a humanidade ou o direito de errar dos participantes, mas sim levantar como é importante não nos cegarmos para as armadilhas que nossas próprias militâncias nos envolvem quando não enxergamos no outro alguém passível de erro, e que mesmo dentro de toda obviedade, também precisa de tempo e compreensão até a absorção da mensagem.

Em um outro episódio do programa, Juliette conversando com Viih Tube levantou a importância e necessidade da militância não ficar somente na fala, mas também enxergar no outro limitações e valores diferentes, construídos ao longo de uma vida que não mudarão de uma hora para outra. 

A militância não pode nos munir de razões e verdades absolutas, estamos em desconstrução constante, o que era verdade ontem, hoje pode não ser mais. É preciso abrir espaço para que outros se aproximem e acreditem nos valores que desejamos repassar. O local de fala quando colocado em palco único e inacessível, não agrega e nem soma forças ao movimento. E são nessas pequenas nuances e reflexões que as perguntas surgem, mas as respostas não vem de imediato pois precisam de tempo para se formular e absorver. 

Mas e a tua militância, agrega ou repele?

Mais recentes

Mundo

Lutadora amazonense é indicada ao prêmio de melhores do ano do desporto universitário

Atleta de wrestling com títulos sul-americanos, mundial universitário e brasileiros concorre na premiação nacional de 2025.
Música

Boi Caprichoso lança primeiras toadas do álbum 2026 com tema ‘Brinquedo Que Canta Seu Chão’

EP com sete faixas foi divulgado em transmissão no Youtube no último domingo (1º); outras faixas serão lançadas ao decorrer da temporada
EntretenimentoFilmes, séries e TV

CineSesc Tocantins exibe filmes gratuitos em homenagem aos 60 anos de carreira de Zezé Motta

Retrospectiva Brasil apresenta clássicos e produções contemporâneas do cinema nacional em sessões abertas ao público
Eventos

Festival da Cunhã terá segunda edição em maio de 2026 na Arena da Amazônia

Evento criado por Isabelle Nogueira retorna após reunir mais de 30 mil pessoas na estreia
Mundo

Lutadora amazonense é indicada ao prêmio de melhores do ano do desporto universitário

Atleta de wrestling com títulos sul-americanos, mundial universitário e brasileiros concorre na premiação nacional de 2025.
Música

Boi Caprichoso lança primeiras toadas do álbum 2026 com tema ‘Brinquedo Que Canta Seu Chão’

EP com sete faixas foi divulgado em transmissão no Youtube no último domingo (1º); outras faixas serão lançadas ao decorrer da temporada
EntretenimentoFilmes, séries e TV

CineSesc Tocantins exibe filmes gratuitos em homenagem aos 60 anos de carreira de Zezé Motta

Retrospectiva Brasil apresenta clássicos e produções contemporâneas do cinema nacional em sessões abertas ao público
Eventos

Festival da Cunhã terá segunda edição em maio de 2026 na Arena da Amazônia

Evento criado por Isabelle Nogueira retorna após reunir mais de 30 mil pessoas na estreia

Relacionadas

Acessar o conteúdo