Opinião

10 dicas para começar a se aventurar como nômade digital

Foram vários os aprendizados e as mudanças práticas que herdamos da pandemia, desde o aumento do uso do álcool em gel até os irritantes cardápios por QR Code nos restaurantes. Mas no meio de trabalho, nada impactou tanto quanto o aprendizado de que, na maioria das vezes, é possível sim trabalhar e produzir a distância. 

E foi esse aprendizado que aumentou consideravelmente uma “espécie” de trabalhadores que até antes da pandemia era vista com desconfiança por muita gente: os chamados nômades digitais. E não é por menos; afinal, a possibilidade de viajar enquanto trabalha multiplica as possibilidades de riscar novos lugares da lista em muito menos tempo do que somente nas férias.

Foto: Acervo pessoal/Mariana Filizola

Esse é um privilégio que nem todo trabalho permite, claro. Mas, podendo fazer, por que não? E foi essa pergunta que me motivou a entrar no time dos nômades digitais no início de 2022. Uma jornada que me marcou profundamente – especialmente porque tive alguns desafios inesperados. Pra quem tem vontade de embarcar na vida nômade e não sabe por onde começar, separei dez dicas:

Você é dono do seu tempo – e isso exige responsabilidade

  1. Planejamento financeiro: Ponha no papel quanto tempo, em média, você planeja viajar, e orce com antecedência passagens e hospedagens, que são dois dos gastos que mais pesam no orçamento.
  2. Programe-se para ficar pelo menos 20 dias em cada lugar: Mudar o tempo todo é cansativo física e emocionalmente, além de sair mais caro fechar lugares por pouco tempo.
  3. Trabalhar na praia é bom, mas a areia não perdoa! Fique ligado nos seus aparelhos eletrônicos, porque a areia e a maresia realmente fazem um estrago. Se possível, opte por trabalhar em um local perto da praia, mas não na praia em si.
  4. Procure manter o mínimo de rotina: A rotina vai ser importante para que você e quem trabalha com você se sintam seguros mesmo de longe.
  5. Esteja sempre conectado: Se possível, tenha um chip pré-pago de outra operadora além da sua para emergências caso o sinal não funcione. Vai pra um país estrangeiro? Informe-se e compre um chip de celular assim que possível.
  6. E, mesmo assim, tenha um plano C: Ao chegar no lugar de destino, pesquise cafés próximos para emergências de internet que possam ocorrer no seu Airbnb, hostel ou casa.
  7. Na bagagem, menos é mais: Faça uma mala enxuta. Lembre-se que, pelo menos por enquanto, a bagagem despachada é paga – e isso é um custo a mais para se considerar nos deslocamentos.
  8. Antecipe os rolês: Pesquise coisas que você quer fazer no lugar de destino e organize sua agenda com antecedência para não “perder” um dia de folga podendo curtir algo legal da cidade.
  9. Aumente sua rede com os amigos que já tem: Pergunte aos seus amigos e seguidores nas redes sociais se conhecem alguém no seu próximo destino e peça para a pessoa fazer a ponte entre vocês. É mais fácil começar uma amizade com um “elo” prévio!
  10. Faça programas turísticos sozinho: Nesses ambientes, você sem dúvidas encontrará outros viajantes e possíveis novos amigos!

Depois de todas essas dicas, preciso fazer um adendo que, infelizmente, ainda é necessário para nós, mulheres que viajam sozinhas: tenha estratégias de segurança. No meu caso, sempre andava com um spray de viagem de Lysoform para emergências – o equivalente a um spray de pimenta. Além disso, minha localização era compartilhada 100% do tempo com meu pai por um app chamado Zenly, e sempre que eu saia informava a pelo menos duas pessoas onde eu estava e que horas planejava voltar. Ainda assim, claro que me senti insegura em diversos momentos. Mas não deixar que o medo entre na jogada é também uma forma de resistência – e de vivermos os nossos sonhos onde quisermos!

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