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Mulheres indígenas lançam campanha contra a gentrificação de Alter do Chão

Alter do Chão, é um o balneário no oeste do Pará conhecido como “Caribe brasileiro”, é um dos pontos turísticos mais visitados da Amazônia. A  beleza singular de praias, igarapés e área de floresta conservada enchem os olhos de moradores, desmatadores e de grandes empresas interessadas em explorar sua riqueza natural e seu potencial turístico. Com o objetivo de sensibilizar sobre a especulação imobiliária e o processo de gentrificação da localidade turística que sobrepõe à Terra Indígena, não demarcada, do povo Borari, o coletivo Suraras do Tapajós lançou a campanha nacional #SalvarAlterDoChão.

Para denunciar a grande especulação imobiliária que cresce continuamente na região, a campanha da Associação de Mulheres Indígenas de Alter do Chão faz parte do projeto “Mulheres Tapajônicas 2020”, idealizado pelo coletivo Clímax Brasil e realizado em parceria com as Suraras do Tapajós. O coletivo é, entre outras coisas, um grupo de carimbó composto somente por mulheres indígenas. Por meio da música, o grupo coloca em pauta temas importantes para a região. 

Após o lançamento da campanha, o grupo contou com o apoio de outros coletivos para iniciar colagens de lambe-lambes  em Santarém, Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília. Esses lambes foram criados com temas que denunciam a especulação imobiliária e pedem ajuda pela defesa da Amazônia Legal e dos povos que habitam nela.

“Nós vivemos no meio de loteamentos, crescemos vendo nossas terras serem vendidas a  preços de banana”, explica Val Munduruku, Integrante das Suraras, gestora pública e ativista ambiental. Há um processo de gentrificação em curso em Alter do Chão, facilmente percebido pelos poucos moradores que ainda resistem nas primeiras ruas, próximas ao rio. “Muitos dos nossos anciãos tiveram seus terrenos vendidos e mudaram para a área periférica. Quando decidimos falar sobre especulação imobiliária, não foi uma escolha voluntária, foi a necessidade de apresentar para as pessoas de fora como estamos sendo encurralados por um sistema capitalista grileiro. Ou agimos ou seremos engolidos.”

Arte, música e fortalecimento da cultura e beleza indígena são os maiores instrumentos de luta e combate das Suraras. Formado em 2018, as Suraras já foram o único grupo musical do Brasil formado apenas por mulheres indígenas. Graças ao pioneirismo, e por ter enfrentado o “tabu” de fazer a inclusão das mulheres no carimbó, outros grupos femininos foram formados nos últimos dois anos.

A Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós é uma organização sem fins lucrativos que combate a violência e o racismo para o empoderamento de mulheres indígenas em sua autoestima e na defesa de seus territórios. Suraras é uma palavra que significa “guerreiro” ou “guerreira”, em nheengatu, a língua indígena falada pelos povos do baixo Tapajós. O grupo musical conta com 27 integrantes, das etnias  Borari, Tupinambá, Sateré-Mawé, Munduruku, Tapajó e Arara e o grupo de carimbó, extensão da Associação, com nove integrantes.

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