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#MercadizarExplica: Pai cria, não ajuda!

Toda mãe já deve ter ouvido a pergunta “e o pai, ajuda?”. Esse questionamento, por mais simples que pareça, carrega consigo um histórico de significados simbólicos que estão relacionados aos papéis desenvolvidos pela mulher e o homem na criação de seus filhos. Tais significados sobrecarregam na figura feminina responsabilidades que são de ambos. 

Apesar de, atualmente, existirem diferentes configurações de família e o modelo tradicional conhecido como mãe, pai e filho já não seja a única possibilidade de formação. A paternidade sempre é associada a um papel secundário, mas a função do pai ou de quem representa essa figura, independente do gênero ou grau de parentesco, assim como a mãe, é ser responsável pela criação dos seus filhos, acolhendo toda e qualquer demanda que a criança necessite.

Paternidade em dados e história

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai no registro de nascimento. Da mesma forma, mais de 80% das crianças têm como primeiro responsável uma mulher. Além disso, as mães são chefes de família em mais de 40% dos lares brasileiros, significando em torno de 60 milhões de domicílios.

Os dados revelam que os homens não assumem a paternidade tanto emocionalmente quanto financeiramente e a sociedade não costuma cobrá-los com a mesma pressão imposta à mulher. Tal ação é enraizada no fato de nossa sociedade ter sido construída com bases em ideais patriarcais, que reforçam as diferenciações de gênero e criaram no imaginário social que a mulher é a principal responsável pela criação dos filhos, enquanto o homem tem a opção de escolher se assume ou não essa função.

Até 1988, homens poderiam se ausentar da responsabilidade de serem pais com o amparo da lei, por meio da adjetivação para filhos, que era usada como argumento para aqueles que queriam se ausentar de obrigações paternas. Essa ação legitimava ou deslegitimava nascimentos. Por exemplo, se o pai tivesse o filho dentro do casamento, o filho era considerado “legítimo” e por isso recebia todos os benefícios que o pai poderia oferecer, se o filho nascesse de uma relação extraconjugal era “ilegítimo” e para esse, nada era destinado.  

Ao longo da história, são inúmeros os exemplos que naturalizaram o abandono paterno e construíram sobre a ideia do pai, esse lugar secundário, mas cabe às pessoas conscientes que desempenham essa função a construção de novas atribuições, especialmente a figuras masculinas. 

E o pai, só ajuda?

Esse conceito de pai ajudante precisa ser desconstruído, pai não é rede de apoio, isso cabe a amigos, padrinhos e familiares. A sociedade precisa exigir dos homens que sejam os principais responsáveis pela criação dos filhos, assim como a mulher. Mas como fazer isso?

Uma das atitudes básicas para começar a associar a figura masculina à responsabilidade necessária é não considerar um “Super Pai”, um homem que troca fraldas, faz comida ou leva as crianças à escola, porque isso é o que se espera do homem que assume responsabilidades como pai. Quando tratamos esses e outros afazeres como ajuda, favor, auxílio, reforçamos a ideia de que são as mulheres as principais responsáveis por tais tarefas quando, na verdade, são de ambos.

Além disso, em entrevista ao Mercadizar, Camila Reis, 20, acadêmica de Letras na Universidade Federal do Amazonas e mãe do Ravi, compartilhou algumas dicas para homens que querem ser pais e não ajudantes:

“Eu diria, pesquise e estude muito! pesquise sobre amamentação, sobre saltos de desenvolvimento, sobre introdução alimentar e etc. Pesquise para ser um pai com momentos de qualidade com sua criança. Pais podem ajudar muito na amamentação, em uma madrugada de cólica ou, pensando em crianças/adolescentes, podem criar laços efetivos estudando formas de criação com saúde emocional adequada. Acho que a melhor forma de agir no mundo, é estudando. Principalmente quando se é responsável por um ser humano no mundo.”

 

 
 
 
 
 
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Em relação ao que falta para homens compreenderem o real significado da paternidade, Camila, completa dizendo que é necessário deixar uma posição de privilégio e enxergar a paternidade para além de uma ajuda à mãe ou um momento de diversão com as crianças. 

“Homens precisam ter o interesse em deixar seu lugar de privilégio. Por que enquanto a paternidade for vista como uma “ajuda” em relação às mães, e “diversão” com as crianças, nunca sairemos da estaca zero. Homens precisam estar dispostos a agirem ativamente na paternidade. Dessa forma, teríamos cada vez mais crianças saudáveis fisicamente e psicologicamente. E mães saudáveis também, com menos exaustão e sobrecargas, podendo inclusive, terem tempo de qualidade como indivíduo.”

 
 
 
 
 
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Por ser uma mulher negra, jovem e mãe, ela diz que se sente surpresa ao perceber que comportamentos que deveriam ser combatidos pela juventude são reproduzidos por ela, especialmente, quando falamos de pais jovens. “Eu me sinto surpresa. Geralmente, temos esperança na juventude, é triste vermos comportamentos que já são ditos “errados” se repetindo.”

Desde que se tornou mãe, Camila compartilha que percebe na sociedade um verdadeiro ódio às mães que é legitimado pelas instituições públicas, federais e mundiais. Além da falta de suporte, apoio, pressões estéticas e a ideia de que maternidade é algo intuitivo para mulher, quando na verdade mães estão em constante aprendizado.

“Quando me tornei mãe (jovem e preta), é o ódio às mães. Como se cria um ser humano saudável, quando a OMS sugere o aleitamento materno até os 2 anos de idade ou exclusivamente até os 6 meses de idade. Quando a licença maternidade vai até os 4 meses do bebê? É triste e desesperador. O ódio às mães vai desde falta de suporte, rede de apoio, políticas públicas, remuneração, até pressões estéticas. E percebo também um olhar acolhedor aos pais que fazem o mínimo. Fora que os erros dos pais são sempre relevados, eles não são julgados diante de suas escolhas, se preferem criar suas crianças, se preferem voltar à rotina de trabalho ou ambas as coisas, se preferem ser pais ausentes ou  pais presentes, pais ativos. .A carga mental, mesmo que divida, ainda pesa sobre a mãe. Fica também na sociedade rever seus conceitos de paternidade e maternidade, coisas que andam lado a lado, com o mesmo peso. A paternidade, feita inteiramente, é tão cansativa e bonita quanto a maternidade. A maternidade não é intuitiva como pregam, se mães aprendem, pais também conseguem. Pais não são pais, tornam-se.”

 

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