Patrícia Patrocínio; 06/01/2021 às 19:38

Juliano Moreira: o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento de transtornos mentais no Brasil

A plataforma de pesquisa Google homenageou Juliano Moreira, um dos grandes estudiosos negros do país

Hoje, todos que acessaram a plataforma de pesquisa Google, se deparam com o rosto de um homem negro, a homenagem da empresa multinacional de serviços online é para Juliano Moreira. No início do século 20, “ele revolucionou o tratamento de pessoas com transtornos mentais no Brasil e lutou incansavelmente para combater o racismo científico e a falsa ligação de doença mental à cor da pele”. É assim que a empresa apresenta o trabalho do psiquiatra brasileiro Juliano Moreira que neste dia 6 de janeiro completa 149 anos de seu nascimento.

Moreira é um dos grandes nomes de estudiosos negros que muitas vezes são apagados da história do Brasil e consequentemente de currículos escolares, sendo ele, um dos vários exemplos de como a educação brasileira pode acentuar a desigualdade racial, quando não destaca a contribuição dos vários heróis negros que atuaram em diversas áreas.

Filho de uma mulher negra que trabalhava em uma casa de aristocratas baianos, Juliano ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, aos 13 anos e se formou médico aos 18, sendo considerado pela Academia Brasileira de Ciências, um dos primeiros médicos negros do país. 

Cinco anos depois de formado, Moreira se tornou professor de psiquiatria da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além da luta contra teses racistas que relacionavam a miscigenação a doenças mentais no Brasil, o médico também é reconhecido por humanizar o tratamento de pacientes psiquiátricos.

Durante sua carreira, também participou de muitos congressos médicos e representou o Brasil no exterior, na Europa e no Japão, morreu em 1933, em Petrópolis, depois de ser internado para tratamento de tuberculose. Após seu falecimento, um hospital psiquiátrico na Bahia foi batizado como Hospital Juliano Moreira. 

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