Patrícia Patrocínio; 07/01/2021 às 15:30

Empreendedorismo jovem e manauara

Com o crescimento do número de jovens empreendedores , entrevistamos Rayanna Simões, uma das proprietárias da loja virtual manauara de joias artesanais Erres Art

Falar de empreendedorismo jovem de alguma forma nos remete a economia criativa, desse jeito, como o próprio nome revela, a união da economia com criatividade tendo como a principal fonte de matéria-prima, o capital intelectual, cheio de valores simbólicos, é uma atividade relativamente nova por aqui, portanto não há uma definição “pronta” e única para o que conhecemos sobre economia criativa, sabemos que ela busca estabelecer uma relação entre as áreas da tecnologia, inovação, cultura, criatividade e sustentabilidade.

A cultura como a base para a geração de negócios é algo recente e crescente no Brasil e não há dúvidas de que estamos mudando nossos hábitos culturais e nossas formas de consumo, principalmente depois das reflexões existenciais que nos tomaram durante a pandemia. Nesse sentido, o empreendedorismo é um dos segmentos que mais encontra desafios, no entanto, a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada no Brasil pela equipe do Instituto Brasileiro Qualidade e Produtividade (IBQP) com o apoio do SEBRAE, revelou o crescimento constante de empreendedores jovens no país. 

No relatório final de 2017, o levantamento constatou que o Brasil tinha em média 30,5% de brasileiros entre 25 e 34 anos ativos na criação de negócios inovadores, seguido por 20,3% de jovens entre 18 e 24 anos já proprietários de empreendimentos em estágio inicial. Em 2018, a mesma pesquisa apontou que o número de brasileiros nessa faixa etária envolvidos em atividades empresariais também subiu, apresentando um total de 21,2%. Por outro lado, no caso de empreendimentos já consolidados, os brasileiros de 35 a 64 anos se destacam, ao passo que a fração de jovens adultos que já têm negócios estabelecidos também cresceu: a  porcentagem dos brasileiros entre 18 e 24 anos foi de 3,3% para 5,7%, enquanto entre os adultos de 25 a 34 anos esse número passou de 12,5% para 16,1%.

Ainda em 2018, um estudo produzido pela Juventude Conectada da Fundação Telefônica Vivo, em parceria com o IBOPE e a Rede Conhecimento Social, expôs que a maioria dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos que empreende não faz isso em função dos ganhos financeiros, mas sim pelo impacto social que suas ideias  podem causar. Dessa forma, para eles, suas iniciativas precisam atender um propósito que, além de liderarem ideias criativas e o protagonismo de suas vidas, também devem oferecer alternativas para os problemas sociais. 

Atualmente o setor econômico criativo é considerado por muitos estudiosos da área o principal responsável pelo boom do empreendedorismo no Brasil, pois trabalha com o capital de identidade e se utiliza da cultura como base para a criação de novos negócios em diversos setores como o da gastronomia, moda, artes, tecnologia, arquitetura, entretenimento e design, entre outros.  Apesar do contexto adverso que estamos vivendo, o Portal do Empreendedor registrou o maior número de empreendedores da história do país em 2020. Como resultado, um levantamento produzido pelo Sebrae em agosto do mesmo ano, mostrou que as vendas online continuam em alta. 

Com o crescimento do número de jovens empreendedores, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei Complementar (PLP) n° 274 de 2019, de autoria do Senador Irajá (PSD/TO), cuja finalidade é criar um novo modelo de empresa para jovens empreendedores, que poderão ganhar incentivo para abrir um negócio, através de uma nova modalidade empresarial chamada de Microempreendedor Jovem. Nesse sentido, a proposta em questão, conforme argumenta o parlamentar, tem como finalidade acrescentar a iniciativa da Lei do Primeiro Emprego, incentivando a contratação de jovens, bem como estimulando a formalização de empresas por cidadãos com até 29 anos.

No Amazonas, o programa Jovem Empreendedor, uma parceria da Prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer com a Associação de Jovens Empresários e Empreendedores do Amazonas, visa estimular jovens empreendedores de Manaus, através do apoio e incentivo ao empreendedorismo, ofertando capacitação, incentivo e acompanhamento para formalização da primeira empresa, com vistas no aumento de suas oportunidades de negócios de forma sustentável.

A fim de conhecer os desafios e demandas desses jovens empreendedores, o Mercadizar entrevistou a estudante de jornalismo e uma das proprietárias da loja virtual de joias artesanais Erres Art, Rayanna Simões:

“Eu e Ranna, a gente tem 22 anos, nós somos gêmeas e o Rafael tem 24, por sermos jovens, a gente não tem tanta experiência com o empreendedorismo, a questão de como organizar o financeiro às vezes, é muito difícil, nós não tínhamos experiência nenhuma com administração e com como empreender, mas apesar disso a gente tá sempre buscando aprender e achar uma solução para os problemas que a gente tem. A Erres foi criada muito rápido, por uma necessidade que nós tínhamos de nos reinventar na pandemia, durante a quarentena, de criar um dinheiro por conta da paralisação das nossas atividades na faculdade e de se distrair também por que quando estamos fazendo um colar, estamos fazendo arte e é como uma terapia. Acho que um dos principais desafios que enfrentamos por sermos jovens empreendedores é a experiência, sabe? com o consumidor; entregar um produto bom, atender nossos clientes bem, é um desafio constante, empreender na pandemia foi muito inesperado e tem dado certo, essa questão do e-commerce está super em alta e muita gente tem se dado bem. Acho que a questão é ter sua própria identidade, ainda que muitas pessoas estejam entregando os mesmos produtos,  a erres consegue ter identidade.” 

Acompanhe aqui a iniciativa

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